Igreja jesuíta de 1701 construída por índios ganha obras emergenciais

10/07/2015

Uma parceria entre a Prefeitura de Banzaê, município do nordeste baiano a 300 km de Salvador, e o IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural) vai possibilitar obras emergenciais para a Igreja de Mirandela. Originária do início do século XVIII (1701), a igreja conhecida como Matriz do Senhor da Ascensão tem 490 metros quadrados de área construída e foi levantada por índios kiriris sob coordenação de jesuítas. Hoje, a localidade está em uma reserva indígena, no distrito de Mirandela, município de Banzaê.


“A ideia é fazer obras emergenciais nessa edificação via parceria entre Estado e Município; por isso, enviaremos equipe de arquitetos entre os dias 17 e 20 de julho para a primeira etapa desse processo”, explica o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira. O imóvel apresenta irregularidades como fissuras na escadaria, desabamento de peças e ferragens danificadas. O IPAC é uma autarquia estadual vinculada à Secretaria de Cultura (SecultBA).


GOVERNO – A prefeita de Banzaê, Patrícia Almeida, esteve na sede do IPAC, em Salvador, para acertar detalhes da parceria. “A prefeitura oferecerá alimentação e hospedagem para que os técnicos do IPAC tenham tempo disponível para todos os levantamentos e diagnósticos no local”, relata Patrícia. Segundo o diretor do IPAC, somente após a primeira visita será possível elaborar o orçamento necessário à realização das obras, além de atualizar o levantamento cadastral já existente e aprovado.


“Esta é uma parceria muito importante, porque o município não trabalha só. Precisamos do Governo do Estado para que a gente possa resolver esta demanda da Igreja da reserva indígena de Mirandela”, afirma Patrícia Almeida. Na visita ao IPAC, acompanharam a prefeita, o assessor de relações institucionais da prefeitura, Glauco Chalegre, e nativos indígenas da Aldeia Mirandela, liderados pelo cacique Lázaro Gonzaga.


Construída em 1701 pelo Padre Francisco de Matos, a Matriz do Senhor da Ascensão é venerada pelo povo Kiriri. “Acho muito importante a parceria entre IPAC e prefeitura porque também somos católicos e essa igreja faz parte da nossa história”, diz o cacique Lázaro. O templo está na praça José Calasans, no centro da vila. Seu terreno é plano, mas a igreja está elevada em relação à praça. Outras informações são obtidas na Diretoria de Projetos e Obras (Dipro) do IPAC, via telefone (71) 3116-6731, ou endereço eletrônico dipro.ipac@ipac.ba.gov.br. Acesse o site www.ipac.ba.gov.br, o Facebook ‘Ipacba Patrimônio’ e no twitter @ipac_ba.


Box opcional 1 – Mirandela: é a antiga aldeia jesuítica de Saco dos Morcegos. O templo situa-se no extremo Nordeste da praça José Calasans de Macedo, no centro da vila. Do templo se alcança a vista dos limites da praça, vendo-se diante da Igreja um cruzeiro em concreto armado, que deve ter substituído o primitivo. As casas do conjunto são térreas e simples. Isolada nos quatro lados, a igreja destaca-se pela sua volumetria e implantação. Mirandela dista aproximadamente 20 km da Rodovia BR-110, na altura do quilometro 167, em estrada sem pavimentação. A cidade conserva ainda sua atmosfera primitiva. A região é muito seca.       


Box opcional 2 – Igreja: edificação de interesse arquitetônico, com três naves. Sua cobertura desenvolve-se em níveis diferenciados: telhado de duas águas na nave principal e na capela-mor e meias-águas nas laterais e sacristias. Frontispício novo em três corpos, divididos por friso em dois pisos. O corpo central, mais alto, possui três portas de acesso e quatro janelas de coro, sendo duas rasgadas e duas de parapeito. Sobre a cornija, três frontões de gosto popular. Os corpos laterais possuem dois pequenos frontões, também recortados. Os vãos em arco pleno do frontispício contrastam com os demais de verga reta. Seu interior é simples, telha-vã, com piso em ladrilhos hidráulicos. A igreja possui três altares: o mor, com volutas, e dois laterais ao cruzeiro, com frontões triangulares, todos de desenho ingênuo. Destaque para o coro com balaústres. Do acervo da primitiva igreja destacam-se as imagens do Sr. da Ascensão, S. Inácio, S. Francisco Xavier, N. S. do Rosário, S. Gonçalo, S. Miguel e S. Benedito. A atual igreja é seguramente a de 1701, construída pelo Pe. Francisco de Matos, embora tivesse sua fachada alterada, provavelmente no início deste século. Sua planta, com nave central que se comunica com órgãos periféricos através de arcos, é uma versão mais rústica das igrejas missionárias de três naves, como Sta. Tereza de Jesus, na sede municipal e N. S. da Conceição, de Nova Soure, que têm a mesma origem. Os jesuítas já o haviam utilizado um século antes em Reritiba (Anchieta) no E. Santo. Este partido foi seguido em Alagoinhas, Biritinga, Curaçá, Jandaíra, Serrinha e Tucano. Mas, ao contrário dos exemplos citados, sua planta não se inscreve num retângulo perfeito. O templo conserva na cobertura tesouras de linha dupla, também encontradas em Barra, Conde, Cotegipe, Euclides da Cunha, Ribeira do Amparo, Ribeira do Pombal e Jandaíra. Sua fachada nova, dividida em três corpos, como o central coroado por três frontões, tem semelhança com a da Matriz do Bom Jesus de Crisópolis e parentesco com outros templos de Ribeira do Pombal, Jandaíra e Entre Rios. Características especiais: Templo com três naves que se refletem na fachada terminada por múltiplos frontões.


 

Foto em ALTA resolução no LINK do flickr:  https://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157653243214054/

Crédito Fotográfico lei nº 9610/98: Lucas Rosário

 

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