Exposição permanente no Passeio Público retrata crescimento de Salvador no século XIX

09/05/2016
Inaugurado em 1810 pelo 8º Conde dos Arcos, Marcos de Noronha e Brito, então governador da Bahia (1810 – 1918) o Passeio Público ganha a partir do dia 16/05 uma exposição permanente de painéis (média 3,5 X 2 metros) nas suas paredes e muros. São 11 grandes fotos especialmente impermeabilizadas contra chuva com imagens de várias localidades de Salvador no final do século XIX que mostram as mudanças urbanas e arquitetônicas da primeira capital do Brasil. A mostra é uma realização do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecutBA) e Diretoria de Museus (Dimus) do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

 

“A exposição é emblemática, pois o próprio Passeio foi muito modificado ao longo dos anos em função do crescimento da cidade. Na primeira metade do século XIX ele era uma mata tropical a cerca de 70 metros do nível do mar que ia das imediações do Forte de São Pedro, no Campo Grande, até às margens da Baía de Todos os Santos, próximo ao Forte São Paulo da Gamboa”, afirma o arquiteto e diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira. Segundo ele, a localização é especial na malha urbana de Salvador, por estar em uma pequena plataforma natural que servia de mirante para a Baía e por suas riquezas arquitetônicas e artísticas ainda existentes.

 

“Foi um dos espaços mais charmosos da cidade, mas que sofreu mudanças drásticas ao longo de 200 anos”, diz João Carlos. Ele explica que no início do século XX, a área foi reduzida ao ampliarem o antigo Palacete dos Moraes – então privado – para sediar a residência dos governadores da Bahia. “Começa nessa época a perda de espaços do Passeio; depois, na construção da Avenida Contorno, no início dos anos 1960, que tirou o acesso à Gamboa e, depois, a construção de várias edificações que reduziram a antiga vista panorâmica do local para Baía”, descreve o diretor do IPAC.

 

A exposição ‘Museus: Paisagens Culturais’, composta por 11 painéis impermeabilizados que retratam o crescimento urbano da cidade de Salvador, principalmente no final do século XIX, abre a 14ª Semana de Museus em Salvador. A abertura da mostra acontece em 16/05 (segunda-feira), às 9h30, no jardim do Palácio da Aclamação (Av. Sete de Setembro, Campo Grande), com a presença de autoridades federais, estaduais e municipais, artistas, especialistas e estudiosos sobre Salvador e Cultura. A realização é da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e Diretoria de Museus (Dimus).

 

Os painéis (média de 3 X 2 metros) da mostra foram retirados do livro '50 anos de urbanização - Salvador da Bahia no Século XIX', resultado do projeto de pesquisa de Consuelo Novais 'Serviços Urbanos e Movimentos Sociais na Bahia – 1846-1900', vencedor da primeira edição do Prêmio Clarival do Prado Valladares (historiador e crítico de arte brasileiro), promovido pela Odebrecht. As fotografias foram doadas pela Odebrecht ao Museu de Arte da Bahia (MAB) que recebeu a mostra de lançamento do livro.

 

"A 14ª edição da Semana e Museus traz como tema ‘paisagem cultural’, que abrange tanto a paisagem natural quanto a paisagem construída pelo homem, ou seja, suas intervenções arquitetônicas-urbanísticas. Por esta razão estamos colocando em exposição, no Passeio Público, algumas imagens da antiga Salvador para que o público possa conhecer, apreciar e, ao mesmo tempo refletir acerca das mudanças ocorridas no centro da cidade, ao longo dos anos A exposição é gratuita e terá caráter permanente no Passeio Público. Esperamos uma intensa visitação", comemora a diretora de Museus do IPAC, Ana Liberato.

 

PESQUISA para EXPOSIÇÃO

 

A pesquisa foca nas transformações ocorridas na cidade de Salvador, no período de 1850 a 1900, com o surgimento dos primeiros serviços de transportes coletivos, abastecimento de água, saneamento e iluminação. Entre os painéis, é possível visualizar, por exemplo, a imagem do Cais das Amarras em 1861; vista panorâmica de parte da Cidade Alta; Terreiro de Jesus em 1861; Praça do Palácio com o Elevador Lacerda e a Câmara Municipal no início do século XX; Porto da Barra com ponte para embarque em pequenas embarcações em 1865; Ladeira dos Aflitos antiga.

 

No livro que deu origem à exposição, a pesquisadora Consuelo Novais diz que é tão grande a influência das forças que impulsionaram o processo de urbanização que não é raro se confundirem com as características culturais do povo e do lugar. “O homem cria e transforma a cidade e, num eterno retorno, ela deixa suas marcas no homem. Assim acontece em Salvador. Muito se tem escrito sobre esta cidade e mais ainda se há de escrever. A limpidez do ar que a envolve, a brisa constante que sobre ela sopra, o profundo azul do mar que a cerca, a contradição entre a alegria espontânea e a magnitude dos problemas de seu povo (...)”.

 

A pesquisadora conta, ainda, que o livro foi resultado de 20 anos de inquietações, do interesse em conhecer melhor Salvador, em como a cidade tinha se expandido, “subindo ladeiras, descendo colinas, enfrentando o desafio da sua morfologia; que agentes teriam provocado as mudanças ocorridas e como o seu povo reagiu a essas mudanças no decorrer dos anos”.

 

CONSUELO NOVAIS

 

Com mestrado, doutorado e pós-doutorado, em História, respectivamente, pela Universidade Federal da Bahia, The Johns Hopkins e University of Califórnia, Los Angeles, Consuelo Novais deixou vasta produção intelectual, a exemplo de Canudos: Cartas para o Barão; Pinto de Aguiar - Audacioso Inovador; Memória da Fazenda na Bahia, 1895-2005; 50 Anos de Urbanização: Salvador da Bahia no Século XIX; Otávio Mangabeira - Cartas do 1° Exílio (1932-1934), e 70 anos de lutas e Conquistas: Liga Bahiana Contra o Câncer, publicação que organizou, pelo Centro da Memória da Bahia. Recebeu, ainda, inúmeras distinções, como a de membro da Phi Beta Kappa-Alpha Chapter of Maryland e da Latin American Studies Association –LASA, o prêmio pesquisador do ano da FAPEX-UFBA, e uma  Moção de Aplauso, por seus trabalhos historiográficos da Assembleia Legislativa da Bahia.

 

HISTÓRIA e RIQUEZA

 

O Passeio Público é considerado um museu à céu aberto por suas características paisagísticas e arquitetônico-urbanísticas. O espaço detém estátuas e pisos em preto e branco, estátuas e esculturas de mármore italiano de Carrara, peças artísticas do final do século XIX e início do XX produzidas na Europa, na França ou Itália, chafariz de mármore e ferro também do século XIX. Esculturas da deusa romana da caça, Diana, bustos esculpidos em cinzel – instrumento manual de metal e madeira –, animais, ânforas e vasos, completam as obras de arte em exposição permanente no local. Em 1862, o Passeio recebe chafariz e ornamentos franceses, como vasos, animais e bancos de ferro fundido. Em 1815 foi construído um obelisco em mármore com 12 metros de altura. Em 1913, esse monumento é transferido para a praça em frente do Aclamação, onde está até hoje.

 

Conhecido por ser um espaço democrático, onde acontecem diversas manifestações educativas e culturais, o Passeio Público é administrado hoje pelo IPAC/SecultBA, que também tombou e está responsável pelo Palácio da Aclamação, edificação contígua ao Passeio e antiga residência dos governadores da Bahia.

 

Em Salvador, o IPAC/SecultBA está responsável pelo Museu de Arte Moderna (Avenida Contorno), Palacete das Artes (Graça), Palácio da Aclamação/Passeio Público (Campo Grande), Museu de Arte da Bahia (Corredor da Vitória), Solar Ferrão, Praça das Artes, museus Udo e Tempostal (Pelourinho). No interior, os museus do Recolhimento (Santo Amaro), Wanderley (Candeias) e Parque Histórico Castro Alves (Cabaceiras do Paraguaçu). A Semana de Museus do IPAC/SecultBA, conta ainda com a participação da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

 

FLORA

 

O Passeio Público foi criado como um horto botânico a partir de 1810, para abrigar as inúmeras espécies de plantes que chegavam no porto de Salvador, considerado o mais importante do Atlântico Sul nos séculos XVIII e XIX. Outras árvores de grande porte compõem a flora do Passeio Público, como espécies de angelim, sumaúma, amendoeira, pau-ferro, cariota e a palmeira-solitária. As mangueiras e sumaúmas estão em maior número. Jardineiros do IPAC trabalharam no plantio de novas espécies de menor porte para compor as áreas ajardinadas. As palmeiras imperiais foram plantadas em 1859, quando da visita de Dom Pedro II.

 

SEMANA DE MUSEUS – 16 a 22 de maio

 

A Semana Nacional de Museus é uma temporada cultural coordenada pelo Ibram que acontece todo ano em comemoração ao Dia Internacional dos Museus (18 de maio). A 14ª Semana de Museus acontecerá de 16 a 22/05 nos diversos museus do Estado.  Com a temática “Museus e Paisagens Culturais”, a 14ª Semana de Museus reúne1.236 museus de todo o país, oferecendo ao público 3.700 atividades especiais como visitas mediadas, palestras e oficinas.

 

Acompanhe a programação dos museus do Estado no período – 16 a 22 de maio – no site:https://dimusbahia.wordpress.com/.

 

Dimus – Diretoria de Museus – BA
Jornalista responsável – Yara Vasku (DRT-PR 2509)

Contatos: (71) 3117-6445/ 99119-7746/ yaravasku.dimus@gmail.com
dimusbahia.wordpress.com

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