30/01/2017
Ao longo de três edições, evento reuniu música, empoderamento negro e afro empreendedorismo
Foi em clima de grande encontro entre amigos que o projeto ‘Nosso Jeito de Ser’, idealizado pelo cantor e compositor Lazzo Matumbi, se encerrou neste domingo (29), no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) – Av. Contorno, s/n, Solar do Unhão. Com o objetivo de fortalecer a economia criativa e o empoderamento negro, o evento reuniu dezenas de afroempreendedores, dos mais diversos ramos de serviço e culinária no local.
Lazzo Matumbi encerra projeto de empoderamento negro no MAM-BA
Ana Paula Nobre
para Ana
Há 54 minutos
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Lazzo Matumbi encerra projeto de empoderamento negro no MAM-BA
Ao longo de três edições, evento reuniu música, empoderamento negro e afro empreendedorismo
Foi em clima de grande encontro entre amigos que o projeto ‘Nosso Jeito de Ser’, idealizado pelo cantor e compositor Lazzo Matumbi, se encerrou neste domingo (29), no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) – Av. Contorno, s/n, Solar do Unhão. Com o objetivo de fortalecer a economia criativa e o empoderamento negro, o evento reuniu dezenas de afroempreendedores, dos mais diversos ramos de serviço e culinária no local.
Um dos destaques foi Mila Costa, que lidera o ‘Tacho & Dendê’, coletivo que reúne pessoas que vivem do microempreendedorismo e se conectam para fortalecer a causa. “Mesmo com toda a minha vivência enquanto empreendedora, sinto que é difícil permanecer neste ramo. O mercado de trabalho para negros ainda é restrito. Temos dificuldades em todos os aspectos. Então, quando encontramos um espaço como este, ganhamos força. É uma boa oportunidade para testar nossas aptidões e trabalharmos juntos”, comentou Mila, que comercializou na feira a coqueluche do seu projeto e comemorou o sucesso das vendas. “Trouxe o que chamamos ‘abará gourmet’ - iguaria menor e que possibilita aos clientes experimentarem uma variedade maior de sabores. Mesmo que outros colegas vendam produtos semelhantes, aqui sempre acabo o meu estoque”, festejou.
Muito bem representado pelos expositores que fizeram parte do projeto, o afro artesanato também apareceu de forma bastante expressiva. Objetos reciclados e a ressignificação de materiais foram bastante comuns entre os estandes. Pedagoga por formação e artista plástica nas horas vagas, Ivana Magalhães usa seu dom artístico na educação de crianças e tenta transmitir isto para os produtos que vende. Com uma estampa criada por ela e aplicada em distintos materiais, como madeira e roupas, ela reforça a necessidade da real dedicação para tocar um projeto incipiente. “O mercado anseia por oportunidades como esta. Como o sistema vigente é muitas vezes elitista, ser negro e empreendedor nesta cidade é uma árdua tarefa. Daí a nossa obrigação em nos empenharmos no que fazemos e na qualidade do serviço. A autenticidade de cada um possibilita ao coletivo o ganho de forças”, avaliou.
Bastante feliz com o sucesso do Nosso Jeito de Ser, Lazzo Matumbi fez questão de cumprimentar todos os expositores ao chegar ao local. Entre abraços apertados, pausa para fotos e muita conversa, ele manifestou o desejo de que esta ideia se pulverize cada vez mais. “É um projeto no qual as pessoas que visitaram alguma das edições entenderam a proposta, mas sinto que se trata de algo que precisa continuar. Esta é uma necessidade da comunidade negra. Temos que acreditar na nossa gente, apoiar os trabalhos e fortalecer os coletivos”, disse.
O público diversificado - composto por crianças (desde que acompanhados dos familiares), jovens, adultos e idosos - prestigiou a feira e os shows do início ao fim, como foi o caso da historiadora Gabriela Harrison, que visitou pela primeira vez o evento e saiu encantada com proposta. “Achei esta iniciativa maravilhosa, pois fortalece a identidade afro, que é algo latente em Salvador. Temos um sistema que não dá espaço para a população negra exibir seus negócios, uma vez que nem todos podem investir alto para participar das grandes feiras e exposições. Ideias assim precisam ser ampliadas”, comenta. Também estudante de produção cultural, Gabriela reconhece a necessidade de eventos que promovam e fomentem a cultura negra na capital baiana.
Houve também quem foi ao MAM apenas esperando pelo show de Lazzo Matumbi e se surpreendeu com a amplitude do projeto. “Conheço Lazzo há muitos anos. Sempre que posso vou onde ele se apresenta. Vim pelo show e não esperava encontrar expositores aqui, mas achei super válida a iniciativa. Neste momento de recessão, onde muitas empresas reduziram o quadro de funcionários, estimular o empreendedorismo, sobretudo entre os negros, é de extrema valia. Ver um artista dedicado a promover o coletivo é de se orgulhar”, comentou Cátia Cilene, autônoma.
O assessor institucional do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) - um dos apoiadores do evento -, André Reis, destacou a importância de dinamizar os espaços públicos com iniciativas que promovam oportunidades para a população. “É interessante ter uma iniciativa como esta, que fortalece o uso espacial do Museu de Arte Moderna da Bahia. O fato de trazer um nome de peso como Lazzo Matumbi, atrelado a uma iniciativa que promove a economia criativa é extremamente importante”, concluiu.
O show de abertura foi da banda Les Fanfoireux (Bélgica) que encantou o público com sua versatilidade sonora. Em seguida, uma intervenção poética feita por Rejane Souza, enquanto o palco era preparado para a entrada do cantor. Após o início do show, o público se emocionou com músicas conhecidas do seu repertório como ‘Olhos de Xangô’, ‘Do jeito que seu nego gosta’ e “A cor da cidade”. Composições de Uday Velloso (‘Amigo Charlie’, famosa na voz de Benito de Paula) e de Roberto Carlos encerraram o show.
O projeto se despede do público após uma visitação de aproximadamente 3 mil pessoas. O ‘Nosso Jeito de Ser’ foi realizado pela Aláfia Produções, com o patrocínio da Companhia de Gás da Bahia - Bahiagás, e apoios do MAM-BA, do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) e LZZ Produções Artísticas.
Assessoria de Comunicação – MAM-BA, em 30.01.2017
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