“O luto, as perdas, os desperdícios e as ausências que choramos” estará em debate no Palacete das Artes, dia 11 de maio

04/05/2017
"O luto, as perdas, os desperdícios e as ausências que choramos" é tema de palestra da psicanalista Maria Eunice Santos que acontece no Palacete das Artes dia 11 de maio, às 19h, com entrada gratuita.

Conforme explica a especialista, a nossa sociedade ocidental foi “devidamente diagnosticada como narcisista, maníaca, .... hedonista”. E nesta busca incessante pelo prazer, pela beleza, pelo reconhecimento público, pelo estar presente nas redes sociais há um lado do espelho. “Esse lado é do medo da solidão, do esquecimento, de ser prescrito, de estar fora da validade, do desprezo. Isso não é novo. Freud já denunciava a fragilidade do homem moderno, a sua impotência diante das grandes injunções políticas, sociais e culturais”.

Durante a palestra, a coordenadora do Espaço Psicanalítico Interdisciplinar de Salvador, além de explicar porque a depressão não é uma virose e sim um efeito social, vai mostrar que a exigência do tempo moderno, com sua pressa e afã de realizações, faz com que o ser humano seja obrigado a reprimir, a ocultar de si, tudo que não resulta numa boa performance social. “Ele perdeu até a medida dessas perdas. Ele já não tem mais paradigma interno que o oriente na busca do que precisa realmente para a elaboração. Alguns mesmo, num movimento paradoxal absurdo, procuram terapia como um álibi para não tocar no doloroso”, reforça.

Sobre as “ausências que não choramos”, diz a psicanalista. “As ausências se referem aquelas identidades que na sociedade não são reconhecidas como valiosas. Se morrem, viram números, não nomes. Quantas pessoas atravessaram nossa vida e não permitimos que elas tomassem corpo? E, portanto memória, e, logo ausência? Quantas vezes fomos mortos pela indiferença do outro, sua negação, crítica e desconhecimento?”.

É isso que se pretende debater com o público, que está convidado a participar da palestra, gratuita. Fique informado via site www.ipac.ba.gov.br, facebook ‘Ipacba Patrimônio’, instagram ‘@ipac.patrimônio’ e twitter ‘@ipac_ba’.

 

 

Sobre a palestrante: Maria Eunice Santos é ex-professora de psicologia da Ufba, membro do EBEP do Rio de Janeiro, do Espace Analytique de Paris, correspondente internacional da Psychanalyse Actuelle de Paris, coordenadora do Espaço Psicanalítico Interdisciplinar de Salvador, onde orienta, supervisiona e dá cursos sobre a Psicanálise, clínica e Cultura.

 

Para refletir:

Num certo lugar do corpo, o corpo chora. Esta corrente de lágrimas, vindas de um pequeno poço escondido, circula em nossas veias, mas como o sangue, não o sentimos.

Tudo que aparece na consciência está representado, como contrário no inconsciente, nos avisa Freud.

Desde que li esta prescrição, eu não pude parar de pensar nas suas consequências.

Então, a morte aparece como espetáculo nas notícias, nas estatísticas, nas memórias esburacadas pelas datas e pedidos de lembranças/reconhecimento.

Somos chamados a olhar logo, onde o tempo do corpo nos retira a indiferença, mas ele se cala, produzindo um tempo substitutivo de um simulacro poderoso. A sociedade do espetáculo.

As drogas lícitas, médicas e as marginais substituem o luto. Eh difícil ficar de cara com suas ilusões onipotentes, com a insegurança de cada segundo futuro. Substituem o luto o culto iconofílico, com o imperativo categórico de dizer no facebook o seu desejo de silêncio. De confessar seus desejos mais secretos no seu próprio blog aberto ao publico. De dedicar a uma pansexualidade com atos em série indiferentes ao objeto caçado.

Busca-se uma restituição fetichista de uma força que não esta mais lá.

Diante do caixa automático que engole seu cartão, o homem comum é terrivelmente impotente. Ele passa a adorar os tiranos, os psicopatas, que vão lhe restituir um lugar no mundo, operando somente pela identificação.

Não se sabe  exatamente o que se perdeu e quando, isto funda a impossibilidade de buscar o perdido e de chorar sua perda. O corpo se torna indiferente para se defender da dor de suportar cada pequena e inefável morte. Inventam-se mentiras, reina a hipocrisia, e a acusação ao outro.

O custo dessa mortificação esta num luto que nasce já proscrito.

E no que chamamos inconsciente se transforma em fantasias.

 

 

SERVIÇO

11 de maio, às 19h

Palestra da psicanalista Maria Eunice Santos

Palacete das Artes

Rua da Graça, 284

71 3117 6987

 

Fotos em BAIXA resolução em ANEXAS.

Crédito Fotográfico obrigatório - Lei nº 9610/98: Geraldo Moniz (fotos de Maria Eunice Santos) e Lazaro Menezes (fotos do Palacete das Artes)

Assessoria de Comunicação – IPAC, em 04.05.17

Jornalista responsável Geraldo Moniz (DRT-BA nº 1498)

Coordenação de Jornalismo e Edição: Marco Cerqueira (DRT-BA nº1851)

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Texto-base: ASCOM/Palacete das Artes

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