11/05/2018
Uma saudação calorosa aos ancestrais deu início nas manhãs desta quinta-feira (10) e sexta-feira (11) ao “Iº Fórum de Fortalecimento do Bembé do Mercado de Santo Amaro - Processos para a construção das Diretrizes do Plano de Salvaguarda”. A ação, uma iniciativa da Associação dos Terreiros de Candomblé da região, visa promover a conscientização sobre a importância da preservação da manifestação cultural Bembé do Mercado, que este ano comemora 129 anos de existência.
“Estou participando desse fórum com o coração repleto de expectativa. Tenho o desejo de aprender ainda mais sobre a minha ancestralidade e me empoderar de mais conhecimento para que eu possa defender e exigir respeito pela minha religião, responsável por essa grande festa”, destaca Mãe Sereinha, líder religiosa.
A abertura do encontro, que foi realizada no Mercado da cidade, contou com a presença de diversas autoridades, além de convidados especiais que falaram sobre a importância da participação ativa dos povos de santo e comunidades de terreiro do Recôncavo Baiano como protagonistas na elaboração, definição de diretrizes, ações e metas, visando o apoio, salvaguarda e fomento do Bembé do Mercado.
“É importante que se conte e se valorize a história do Bembé do Mercado, essa festa linda e emocionante, pois há 129 anos Santo Amaro luta pra manter firme essa tradição de matriz africana”, destaca a professora Maria Mutti.
De acordo com Pai Pote, líder religioso do terreiro Ilê Axé Oju Onirê, a ideia não é só debater sobre a importância do Bembé do Mercado e sim promover o resgate da história e memória, inclusive de lideranças que conduziram a festa ao longo desses anos.
“O Fórum é aberto a todas e todos que desejem discutir o tema e contribuir com a construção de novos métodos de preservação. As pessoas devem ter o conhecimento que o Bembé, para além de um candomblé de rua, é um sinal de resistência”, diz Pai Pote.
Registrado como Patrimônio Imaterial da Bahia, através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), desde 2012, decreto estadual nº 14.129/2012, o Bembé do Mercado está passando por uma instrução, realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para que seja obtido o registro como ‘Bem Registrado Cultural Nacional’.
O chefe do Escritório Técnico do IPHAN em Cachoeira, Marcelo de Faria, destaca que também está sendo realizado um trabalho de produção áudio visual do registro da festa em conjunto com a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e as comunidades tradicionais para que ao completar 130 anos o patrimônio cultural Bembé do Mercado consiga ser registrado.
“O IPHAN entende a importância do Bembé por ser uma excepcionalidade os feitos realizados em prol a cultura, então isso precisa ser registrado e salvaguardado para que mais gerações tenham conhecimento. O Bembé precisa de apoio institucional e entendemos que é preciso dar a devida importância a todas as manifestações de matrizes africanas, pois elas contribuíram para a formação da cultura nacional brasileira”, explica Marcelo.
Durante todo fórum estarão sendo realizadas atividades como palestras, oficinas, rodas de diálogo e exibição de vídeos. A organização do Fórum é composta pelo Conselho Gestor da Associação Bembé do Mercado, a Coordenação Geral do Presidente da Associação, subcoordenadores de Grupos de trabalhos, equipe de relatores, equipe de assessoria técnica, equipe de apoio logístico e equipe de monitores. Será produzido também, por membros da comissão organizadora, um texto-base que servirá como orientador das temáticas a serem trabalhadas.
“Trata-se de um trabalho em conjunto com os protagonistas dessa importante manifestação e o nosso papel é contribuir para o fortalecimento dessa festa que é um patrimônio afro-brasileiro, sendo assim, juntos, estaremos no processo de construção da Salvaguarda do Bembé”, esclarece Gilda Conceição, analista técnica do IPAC.
Bembé do Mercado – A festa
O Bembé do Mercado, que neste ano será realizada de 09 a 13 de maio, é uma grande celebração da cultura negra que acontece desde o final do século XIX quando um grupo de negros reuniram-se em praça pública para comemorar a Abolição da Escravatura, no município de Santo Amaro da Purificação.
Além dos rituais religiosos, acontecem apresentações de capoeira, maculelê, samba de roda, nego fugido, puxada de rede e um grande cortejo. As manifestações, que tem a sua culminância com a entrega dos presentes presente à Mãe d'Água, na Praia de Itapema, unem música e teatro num resgate à cultura dos antepassados africanos que viveram na região.
Confira a programação da festa:
12 de maio - sábado
15h- Samba Criola
19h – Grupo Gunga Capoeira
21h – Celebrações Religiosas no Barracão (Candomblé)
23h30 – Samba Chula de São Braz
13 de maio - domingo
11h- Saída do presente para entrega na Praia de Itapema.
12h – Almoço festivo dos Povos de Terreiros
Assessoria de Comunicação – IPAC, em 18.04.2018
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