Residência Artística do MAM Bahia ganha interesse Nacional

08/05/2023

A iniciativa foi inspirada nas ideias da arquiteta e primeira diretora do MAM Bahia (1959-1963), Lina Bo Bardi (1914-1992), que pensou o espaço como um museu-escola e uma residência artística permanente


 

O Programa de Residência Artística do Museu de Arte Moderna (MAM Bahia) está ganhando interesse nacional por suas experiências em trabalhar com coletivos artísticos da periferia de Salvador. No dia 29 de abril, a TV Globo fez uma reportagem especial sobre a residência do MAM Bahia que veiculou no ‘Jornal Hoje’, programa transmitido para todo o Brasil em ‘tv aberta’. Museus de capitais nordestinas, do sul e sudeste do país também fizeram contato com o MAM para entender a residência artística baiana. Pesquisadores, estudantes de pós-graduações e professores de diversas áreas, como arquitetura, museologia, design, filosofia, artes visuais e história, estão também interessados na experiência.

 

Com quase 3 milhões de habitantes a capital baiana pulsa arte em muitos dos seus 163 bairros. E é justamente com essa produção artística que o MAM Bahia quis trabalhar. “A nossa residência buscou acolher ações que geram impacto social, fazendo do museu um catalisador para que propostas vindas geralmente de áreas mais desfavorecidas da periferia da cidade tivessem um espaço nobre para mostrar o seu trabalho”, afirma o diretor do MAM Bahia, Pola Ribeiro. Segundo ele, a ideia é que esses coletivos de arte ganhem ainda mais visibilidade e que a partir da troca com os funcionários e o público frequentador do museu, possam se desenvolver ainda mais.

 

DIÁLOGO e COMPARTILHAMENTO – “A Residência do MAM foi concebida como um laboratório de atividades que são propostas pelos coletivos convidados em diálogo com os distintos núcleos do museu, como a curadoria, o setor educativo e o setor museológico, dentre outros”, relata o ex-curador do MAM e atual diretor do Palacete das Artes, Daniel Rangel. Para ele, a ideia foi trazer ao museu, experiências que atuem em consonância com o conceito de “escultura social” do artista Joseph Beuys, na qual a participação do público é fundamental, resgatando ainda o “ato criativo” de Marcel Duchamp. “Sempre sob a perspectiva maior de Lina”, inclui Daniel.

 

De acordo com Rangel o público acompanha e participa de fato dos processos da residência, pois ela se utiliza do formato de ateliê aberto. “Nesse conceito, os artistas e instituições participantes compartilham seus processos criativos e de trabalho, no dia a dia no museu”, finaliza o curador. Até agora, já participaram da Residência Artística do MAM quatro coletivos de arte: Pinacoteca do Beiru (https://pinacotecadobeiru.art/), Instituto Oyá (https://institutooya.org/web/), Acervo da Laje (https://www.acervodalaje.com.br/) e MUSAS (Museu de Street Art Salvador, https://ilovemusas.wordpress.com/). O MAM pensa agora em convidar o bloco afro Ilê Aiyê.

 

REVOLUCIONÁRIA – Pola diz que Lina sempre será uma inspiração para o MAM e que ela era uma mulher revolucionária e à frente do seu tempo. “Prova disso, é que ela passou a ser reconhecida internacionalmente depois de mais de 70 anos da inauguração do seu projeto do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e quase 30 anos após a sua morte, recebendo postumamente  o prêmio do Leão de Ouro de Veneza 2021 (17ª Biennale Architettura) como a primeira mulher brasileira e a primeira arquiteta no mundo com obra construída a conquistar essa honraria”, destaca Pola.

 

Aliado à Residência Artística e inspirado mais uma vez em Lina, o MAM coloca a Educação como mais um vetor fundamental. “Em parceria com a Secretaria de Educação da Bahia (SEC) conseguimos fazer com que em 2022 quase 10 mil estudantes, coordenadores e professores da rede estadual passassem o dia todo no MAM, participando de visitas guiadas e debates”, relata. Isso sem incluir as visitas de estudantes da Região Metropolitana de Salvador e do interior do Estado que somaram mais 15 mil pessoas no mesmo ano. A frequência do MAM é de aproximadamente 250 mil pessoas por ano.

 

Atualmente o MAM está com cinco exposições simultâneas e gratuitas: ‘Coleção Rubem Valentim’ no Mirante do MAM, ‘Agnaldo dos Santos – a conquista da Modernidade’ no espaço expositivo da Capela, ‘UANGA’ com o artista J. Cunha no Casarão, ‘Coleção de Arte Popular Lina Bo Bardi’ no Espaço Lina e, a partir do dia 19 de maio (Semana de Museus), a mostra ‘Entreatos II – Frans Krajcberg Novas Aquisições’. Todas as mostras estão abertas de terça a domingo, das 13h às 18h. Informações sobre o MAM: telefones (71) 31176132 e 31176139 (segunda a sexta, 9h às 12h e 13h às 15h). Acesse o instagram @bahiamam e site www.mam.ba.gov.br.
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