Museu de Arte Moderna da Bahia abre exposição Legado: Mario Cravo – 100 Anos

30/08/2023

A mostra celebra o centenário do nascimento do escultor, gravador, desenhista e professor, Mario Cravo Jr. A mostra segue em cartaz até 12 de novembro.


 

“É um privilégio termos agora esse acervo de 600 obras de Mario Cravo Jr. no Museu de Arte Moderna da Bahia, recolocando esse artista com esse legado para a arte moderna na Bahia no mesmo museu onde ele foi o segundo diretor”. Com essas palavras, Luciana Mandelli, diretora Geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão que congrega os museus estaduais, iniciou a abertura da exposição Legado: Mario Cravo Jr. – 100 Anos nesta terça-feira (29). Estiveram presentes na abertura, autoridades municipais, estaduais e federais, artistas, personalidades, amigos, admiradores e parentes de Mario Cravo Jr. A mostra segue em cartaz até 12 de novembro.

 

A diretora do IPAC explica que esse acervo foi doado desde 1994 e estava no Parque de Pituaçu finalmente passando agora para a salvaguarda do MAM, equipamento especializado na Arte Moderna.  “Com essa exposição mostramos a arte bidimensional de Mario que a maior parte do público não conhece, de uma fase de produção dos anos 1980 até meados dos anos 1990, homenageando os 100 anos de nascimento desse artista baiano”, completa.

 

“Para a equipe do museu é uma honra receber, conservar e restaurar esse acervo de um dos expoentes do modernismo baiano”, completa a diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia, Marília Gil. Duas esculturas de Mario Cravo Jr. que estiveram na antiga sede dos Correios, na Pituba, também devem vir para áreas externas do MAM. “Isso acontecerá em um segundo momento quando abriremos o segundo piso do Casarão com outras obras de Mario Cravo”, diz Marília.

 

Um dos filhos de Mario Cravo Jr., Otávio Cravo, também comemorava. “O recorte dessa exposição mostra uma pequena vertente pouco conhecida do grande público de um artista que produziu por mais de 60 anos em 95 anos de vida justamente nos 100 anos de nascimento do meu pai”, concluiu Otávio.

 

Segundo o curador da mostra, Daniel Rangel, a maior parte das obras expostas são pinturas sobre folhas de madeira e algumas sobre telas, além de poucas esculturas em resina, metal e madeira. “É proposital fazermos na sequência uma mostra como UANGA, de J. Cunha e agora o Legado do modernista Mario Cravo, artistas com obras diametralmente opostas. J. Cunha foi o popular, o assunto, o tema, os detalhes. Enquanto essa de Mario Cravo é o desenho e os traços, o formalismo e a cor”, relata o curador. Daniel Rangel lembra ainda que Mario Cravo Jr. foi o primeiro artista baiano que a arquiteta e criadora do MAM, Lina Bo Bardi, manteve contato e colaborações mútuas.

 

O Museu de Arte Moderna da Bahia é administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Funciona de terça-feira a domingo, de 10h às 18h. Mais informações: (71) 3117-6132 e 3117-6139 (segunda a sexta, 9h às 12h e 13h às 15h) e www.mam.ba.gov.br.

 

Sobre Mario Cravo Júnior - nasceu em Salvador (1923) e faleceu na mesma cidade (2018). Foi escultor, gravador, desenhista e professor universitário. Filho de um próspero fazendeiro e comerciante, Mario da Silva Cravo e Marina Jorge Cravo (prima do poeta Castro Alves), a família morava na Ribeira de Itapagipe quando Mario, o primeiro de quatro filhos, nasceu. A família veio de Alagoinhas numa tentativa de se instalar em Salvador, mas em poucos anos retornaram à Alagoinhas pois seu pai foi eleito prefeito da cidade. A política esteve presente na vida de seu pai, apesar de ser comerciante e fazendeiro, uma tradição de família. Também escreveu um livro, "Memórias de um homem de boa fé" (1975). Já sua mãe gostava de literatura e poesia, sendo responsável pelos primeiros contatos de Mário com os livros.

Na fase escolar retorna a Salvador para estudar, onde frequenta o Colégio Antônio Vieira. É nesse período que ele descobre sua habilidade para o desenho e seu interesse pela astronomia. Depois, Mario experimenta a argila do Rio Itapicuru, onde experimenta pela primeira vez o esculpir. Nesta mesma época, embora tenha montado um observatório na fazenda que seu pai comprou no interior da Bahia, sua vontade de se tornar um astrônomo foi liquidada pelo fato de saber que teria de estudar engenharia e daí por diante fazer cálculos de maré. Em 1945 casa-se com Lúcia e desta união nascem quatro filhos, o primeiro é Mario Cravo Neto (1947-2009) o renomado fotógrafo.

Mario Cravo Jr. executa suas primeiras esculturas entre 1938 e 1943, período em que viaja pelo interior da Bahia. Em 1945, trabalha com o santeiro Pedro Ferreira, em Salvador, e muda-se para o Rio de Janeiro, estagia no ateliê do escultor Humberto Cozzo (1900-1973). Realiza sua primeira exposição individual em 1947, em Salvador. Nesse ano, é aceito como aluno especial do escultor iugoslavo Ivan Mestrovic (1883-1962) na Syracuse University, no Estado de Nova York, Estados Unidos, e, após a conclusão do curso, muda-se para a cidade de Nova York.

De volta a Salvador, em 1949, instala ateliê no Largo da Barra, que logo se torna ponto de encontro de artistas como Carlos Bastos (1925-2004), Genaro de Carvalho (1926-1971) e Carybé (1911-1997). Em 1954, passa a lecionar na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Entre 1964 e 1965, mora em Berlim, patrocinado pela Fundação Ford. Retorna ao Brasil em 1966, ano em que obtém o título de Doutor em Belas Artes pela UFBA e assume o cargo de diretor do Museu de Arte da Moderna da Bahia (MAM/BA), posição que ocupa até 1967. Em 1981 coordena a implantação do curso de especialização em gravura e escultura da Escola de Belas Artes da UFBA. Em 1994, doa várias obras para o Estado da Bahia, que passam a compor o acervo do Espaço Cravo, localizado no Parque Metropolitano de Pituaçu, em Salvador.

 

Sobre o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - O IPAC é uma autarquia vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e atua de forma integrada e em articulação com a sociedade e os poderes públicos municipais e federais, na salvaguarda de bens culturais tangíveis e intangíveis, na política pública estadual do patrimônio cultural e no fomento de ações para o fortalecimento das identidades culturais da Bahia. Mais informações: www.ipac.ba.gov.br.
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