O Dia Mundial da Arte, comemorado nesta terça-feira (15), é uma data dedicada à celebração da expressão artística em suas mais diversas formas, inclusive como patrimônio cultural. Em Salvador, os museus administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA), desempenham um papel essencial na preservação desse patrimônio, que reflete a riqueza cultural e histórica do estado.
Os museus abrigam acervos que vão desde obras modernistas até expressões contemporâneas, promovendo um espaço de diálogo entre o passado e o presente. Instituições como o Museu de Arte da Bahia (MAB), o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) e o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC-BAHIA) não apenas preservam e exibem obras, mas também incentivam novos artistas e reflexões sobre a arte.
Um dos dez primeiros museus fundados no Brasil, o MAB é o mais antigo da Bahia e conta, atualmente, com um acervo de 15 mil peças. Entre elas, destaca-se a Mãe Preta (1912), de Lucílio de Albuquerque; as Alegorias dos Quatro Continentes (séc XIX), de José Teófilo de Jesus; A República (1896), de Manoel Lopes Rodrigues, e obras de Carybé (sec. XX), expostas ao público pela primeira vez na mostra “Carybé e o povo da Bahia”, que reuniu desenhos, pinturas, gravuras e esculturas.
Fundado em 1959, o MAM-BA mudou para o Solar do Unhão em 1963, por orientação da arquiteta modernista Lina Bo Bardi, que dirigiu o museu e fez o projeto de restauração do complexo arquitetônico. Com um acervo diverso, constituído de 1.159 peças, o MAM possui obras de referência como as pinturas Casas, de Alfredo Volpi; o Touro, de Tarsila do Amaral e o Vendedor de Passarinhos, de Cândido Portinari, doada por Assis Chateaubriand; e obras de artistas como Calasans Neto, Di Cavalcanti, Jenner Augusto, Rubem Valentim e Sante Scaldaferri.
O mais novo equipamento administrado pelo Ipac, o MAC_BAHIA foi fundado em 2023, criado para a divulgação, exclusivamente, da arte contemporânea. Instalado no Palacete do Comendador Bernardo Martins Catharino, edificação tombada pelo Ipac desde 1986, o MAC-BAHIA dispõe de um acervo com 150 obras, com destaque para artistas baianos como: Marepe, Ayrson Heráclito, Eneida Sanches, Ieda Oliveira, Adriano Machado, Rebeca Carapiá, Paulo Pereira, entre outros.
Agentes de transformação
Os museus promovem exposições, oficinas e eventos que aproximam o público da arte e dos artistas. A cada nova mostra, a diversidade cultural e artística da Bahia ganha espaço, reafirmando a importância dos museus como agentes de formação cultural e social.
No último ano, exposições como “Dona Fulô e Outras Joias Negras”, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia), “DEF Contexto”, no Museu de Arte da Bahia (MAB), e “Vila Velha, Por Exemplo: 60 Anos de Um Teatro no Brasil”, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), trouxeram visibilidade para artistas locais e nacionais, consolidando o papel dos museus do Ipac como espaços de resistência e inovação artística.
Ao considerar o acesso à arte como direito de todos, o Ipac tem investido em iniciativas que ampliam essa experiência. Programas de visitas guiadas, ações educativas e exposições interativas são algumas das estratégias para tornar os museus mais inclusivos. Além disso, recursos de acessibilidade, como audioguias e materiais em braile, garantem que um público mais diverso possa desfrutar das obras e exposições.
No Dia Mundial da Arte, celebrar a importância dos museus como guardiões do patrimônio cultural é reconhecer o impacto da arte na formação da identidade baiana. “Mais do que espaços de preservação, os museus do Ipac são lugares vivos, onde a arte continua a se reinventar e a inspirar novas gerações”, diz o diretor geral do Ipac, Marcelo Lemos.