17/03/2015
O festival aconteceu em 13 e 14/03 com novidades: a criação das categorias Infantil e
Adulto e a abertura da mostra “Navio Negreiro de Castro Alves – Um Drama em Gravuras,
por Hansen Bahia”
“Quero agradecer ao Parque Histórico Castro Alves pela realização desse evento, quando as pessoas têm a oportunidade de declamar os poemas de Castro Alves. Quero agradecer também aos moradores de Cabaceiras por estarem introduzindo seus filhos nesse evento literário”. Assim, Gilvana Dias Cerqueira, 33 anos, agradeceu a participação e o primeiro lugar conquistado no 14º Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves, realizado em 13 e 14 de março, no Parque Histórico Castro Alves (PHCA), no município de Cabaceiras do Paraguaçu, no Recôncavo baiano, local onde nasceu o poeta.
Na ocasião também foi realizada o 1º Festival Infantil de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves – ambos uma iniciativa da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC). O evento, que já é tradição na cidade, marcou as comemorações dos 168 anos de nascimento do poeta Castro Alves (14 de março) e reuniu pessoas de todas as idades que prestaram homenagem ao grande trovador baiano, autor de Espumas Flutuantes, Vozes D’África e O Navio Negreiro.
Participante de todas as edições do festival, Gilvana contou que frequenta o Parque desde criança. “Participei do grupo de teatro Cecéu, criado aqui no Parque, e acredito que todo esse trabalho com a comunidade deixa um legado muito importante”. Colega de grupo de teatro, Ana Célia Pereira da Conceição Passos, 32 anos, também frequenta o lugar desde criança, é apaixonada por Castro Alves e vem transmitindo tudo isso aos filhos: Elber da Conceição Passos, de 11 anos, que conquistou o primeiro lugar na categoria Infantil e Maria Tereza da Conceição, 5 anos, que ficou com o segundo lugar na mesma categoria.
“Esse trabalho realizado aqui é de extrema importância não apenas porque Castro Alves é um poeta baiano. Se todas as mães de Cabaceiras incentivassem seus filhos a participarem das atividades do Parque, acredito que muitos dos nossos problemas diminuiriam. Cultura não é algo que a gente compra. É algo que se adquire. E, aqui em Cabaceiras, nós adquirimos no Parque”, declarou Ana Célia. “A participação da comunidade é de extrema importância para o sucesso de nossas atividades socioeducativas”, concordou a coordenadora do Parque, Diogenisa Oliva.
As declamações – divididas nas categorias Infantil e Adulto - aconteceram no dia 13/03. Na ocasião, os jurados analisaram: originalidade (criatividade utilizada para a apresentação do poema), dicção (clareza das palavras pronunciadas na declamação), fluência verbal (correção e a pronúncia das palavras) e fidelidade ao texto (exatidão e o respeito a todos os versos e palavras do poema). Os jurados foram: Eliene Josefa Diniz (Socióloga com experiência na área de Literatura), Celene Barbosa (Museóloga), Maria de Fátima Santos (Museóloga), Fátima Soledade (Museóloga), Cristiane Marque (Museóloga), Reiny Oliveira (Funcionária PHCA) e Eliete Teixeira (Funcionária PHCA).
A premiação dos vencedores aconteceu em 14 de março, após a alvorada, a missa festiva, a apresentação do grupo de choro “Morde Pimenta” e da sessão solene em homenagem ao poeta, com a presença da comunidade e diversas autoridades como a primeira-dama Maria Virgínia, o Prefeito Paulo André Braz, a presidente da Câmara de Vereadores Dionice da Conceição da Paz, a vereadora Eliana da Silva Passos e o vice-prefeito Eraldo Gomes da Silva. Finalizam o dia mais homenagens a Castro Alves e a apresentação musical de Priscila Sales.
A diretora da DIMUS, Ana Liberato, explicou que o festival foi criado para homenagear o poeta Castro Alves e incentivar a juventude a usar a poesia para manifestar seus sentimentos. “Os poemas do grande poeta expressam o seu romantismo, o seu amor à pátria, além do intenso sentimento libertário”, acrescenta. “Cultura é feita de gente. E é feita de ocupação e da compreensão que é algo para todos nós. Por isso mesmo todos nós temos que preservá-la”, disse o diretor do Ipac, João Carlos de Oliveira, acrescentando que estava muito feliz em ver o evento sendo realizado pelo Parque com a presença da comunidade e parceiros.
Para realizar o evento, o PHCA contou com a parceria da Prefeitura Municipal de Cabaceiras do Paraguaçu e da Fundação Pedro Calmon (que contribuiu para a formação dos kits entregues aos vencedores). Para a mostra: Universidade Federal do Recôncavo, Fundação Cultural da Bahia, Fundo de Cultura, Prefeitura Municipal de Cachoeira e da Fundação Hansen Bahia. O festival e a mostra são uma realização PHCA/DIMUS/IPAC/SECULT.
Vencedores do festival
Este ano, na categoria Infantil (até 12 anos), foram três vencedores. Em primeiro lugar, Elber da Conceição Passos, de 11 anos que, com a participação de Maria Clara de Jesus Sales, também de 11 anos, declamou “A Canção do Africano”. Esta é a segunda vez que Elber participa do festival e, ao ser anunciado como vencedor da categoria Infantil, disse: “Queria agradecer a Marineide (Alves Menezes, monitora do PHCA que realiza atividades de teatro com as crianças) por ter ensaiado todos os dias com a gente”. Depois completou: “Gosto dos poemas de Castro Alves. Gosto da história dele e ainda tenho orgulho de ele ser de Cabaceiras”.
Elber, que já participou duas vezes do festival, incentivou a irmã Maria Tereza da Conceição, de apenas 5 anos, a ensaiar um poema e se inscrever. Ela, com a participação da amiga Felícia de Jesus Sales, de 6 anos, declamou “A Duas Flores” e saiu vencedora no segundo lugar da categoria Infantil. Já o terceiro lugar ficou com Isabela Serra da Silva, de 12 anos que declamou “Maria”.
Na categoria Adulto, os cinco vencedores foram: Gilvana Dias Cerqueira, com o poema “Mater Dolorosa”; Juliana Oliveira dos Santos, com “A Canção do Africano”; Gustavo Costa Braz, com “Onde Estás?”; Islane Serra Medeiros, com “O Laço de Fita”; e Pedro Braz que declamou “No Barco”.
Mostra Hansen Bahia
Outra novidade deste ano foi a abertura, em 13/03, também no Parque Histórico Castro Alves, da exposição “Navio Negreiro de Castro Alves – Um Drama em Gravuras, por Hansen Bahia”. A abertura da mostra teve início às 18h, após o Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves, e contou com apresentação da Filarmônica Lira Ceciliana de Cachoeira.
A mostra é composta de 20 xilogravuras de Hansen Bahia que retratam a dramaticidade social sentida na pele dos escravos: toda a aspereza, animalização e violência do tráfego negreiro. A técnica da xilogravura foi a escolhida por Hansen para representar a força de seus temas. Em uma entrevista, em 1971, afirmou: “a madeira tem sua própria linguagem”. Fica na sala multimídia do museu até 21 de abril.
Sobre o PHCA: Por conta do primeiro centenário da morte de Castro Alves, em março de 1971 foi inaugurado, no lugar onde ele nasceu, o museu biográfico Parque Histórico Castro Alves (PHCA), numa área de 52 mil metros quadrados. O acervo convida os visitantes a mergulharem no universo do porta-voz literário da Abolição da Escravatura no Brasil, através de seus poemas, informações e objetos pessoais dele e familiares. Além do museu, o parque contém um anexo com sala multimídia, auditório, biblioteca, infocentro, reserva técnica, refeitório e administrativo. Na área de Mata Nativa, os visitantes podem fazer uma trilha e visitarem o Pouso de Adelaide, o Anfiteatro, a “Cruz da Estrada”, a Fonte e o Marco da Fazenda. O público pode ainda usufruir dos projetos socioeducativos: Conhecendo as Nascentes; Sarau no Parque: Música, Poesia e Arte nos Finais de Tarde; Brincando no Parque como no Tempo de Nossos Avôs; Oficina de Teatro; Baú de Memórias e Sopa de Letras. Anualmente, o Parque também promove o Festival de Declamação de Poemas de Antônio Frederico de Castro Alves.Visitação: terça a sexta, das 9h às 12h e 14h às 17h. Fins de semana e feriados, das 9h às 14h. Entrada: grátis.
O poeta – Antônio de Castro Alves, mais conhecido como Castro Alves, o poeta dos escravos, nasceu na Bahia, dia 14 de março de 1847, na Fazenda Cabaceiras, comarca de Muritiba, hoje município de Cabaceiras do Paraguaçu. Famoso pelas fortes críticas à escravidão fez parte da Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerada a maior expressão da época. Suas obras são: Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, Cachoeira de Paulo Afonso, Vozes D'África, O Navio Negreiro, entre outras. Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife, após ter feito o curso primário no Ginásio Baiano. É dessa época a composição dos primeiros poemas abolicionistas: Os Escravos e A Cachoeira de Paulo Afonso. Em 1867, retorna para a Bahia e segue, no mesmo ano, para o Rio de Janeiro, com incentivos promissores de José de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis. Depois, em São Paulo, encontrou a mais brilhante das gerações, a exemplo de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Bias Fortes, para citar alguns dos notáveis. Neste período, viveu seus dias de maior glória. Em 11 de novembro de 1868, caçando nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, resultando-lhe na amputação do pé. Em seguida, contraiu tuberculose, obrigando-o a voltar à Bahia, onde morreu, em 1871.
Yara Vasku
Jornalista DRT/PR 2904
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