Descendentes de quilombolas participam pela primeira vez de mostra fotográfica

13/07/2011
Jovens com idades entre 11 e 18 anos, moradores de um antigo quilombo de escravos fugidos, denominado de Barra ou Barra dos Negros, no município de Morro do Chapéu, a cerca de390 kmde Salvador, na Chapada Diamantina, estão participando pela primeira vez nas suas vidas de uma mostra fotográfica. As fotos retratam a localidade, a população local e foram produzidas por eles mesmos em agosto do ano passado (2010), durante oficinas que o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) realizou no município.

“Foram cursos de educação patrimonial, arqueologia, conservação de objetos antigos, fotografias digitais e analógicas, promovidos para sensibilizar a população de Morro e criar grupos de agentes multiplicadores”, relata a coordenadora de Educação Patrimonial (Cepa) do IPAC, Ednalva Queiroz. A iniciativa contou com o departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), sob coordenação do arqueólogo Carlos Etchevarne.

Os grupos farão parte de circuitos de turismo cultural que IPAC e Ufba devem implantar em seis municípios da Chapada: Morro, Lençóis, Wagner, Seabra, Iraquara e Palmeiras. O objetivo é promover o desenvolvimento local a partir da visitação aos patrimônios culturais, ambientais, paisagísticos e arqueológicos da região. “Os grupos serão os contatos locais desses circuitos”, complementa Ednalva. Mais de 300 pessoas participaram dos cursos do IPAC na Chapada e, dentre essas, cerca de 60 crianças e adolescentes.

“Essa foi a primeira vez na minha vida que eu peguei em uma máquina e tirei fotos”, conta emocionada Fátima do Espírito Santo Santos, 18 anos, uma das duas dezenas de jovens que participaram das oficinasem Morro. Oresultado está no Mercado Cultural da cidade, sempre de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados e domingos das 16h às 22h. “Às vezes vinham turistas para conhecer a minha família, tirar fotos e levar, mas a gente nunca pegava nas máquinas. Já sabia o que era foto, mas manusear e enquadrar eram um sonho”, afirma Fátima.

Os alunos participaram de aulas teóricas e práticas, aprendendo manuseio, ângulos, foco, enquadramentos e revelação analógica, através de câmara escura improvisada em uma fábrica de doces de marmelo, cedida pelo administrador Padre Pedro. “A maior parte dos adolescentes não tinham contato com fotografia”, lembra Elias Mascarenhas, fotógrafo do IPAC e um dos instrutores das oficinas. “No primeiro dia eles ficaram acanhados. Pensaram nas dificuldades, mas depois eles se abriram, dedicando-se cada vez mais. Uma experiência única na minha vida profissional”, diz o fotógrafo Lázaro Menezes, o outro instrutor do IPAC.

A população de Barra dos Negros se sustenta atualmente através do cultivo da palma, planta típica da região. Sustentáculo econômico o “cortado de palma” é comida regional. Plantam também alho, marmelo e produzem artesanato de palha para vassouras. A oficina pode ainda oferecer nova perspectiva para jovens, conforme relata o menino Maurício Souza, de 13 anos de idade. “Achei ótimo e aprendi muitas coisas. Quero agora ser fotógrafo!”, diz entusiasmado. Gruta dos Brejões, Barra, Ouricuri, Queimada Nova, Veredinha, Boa Vista e Velame são outras comunidades quilombolas que existem em Morro do Chapéu. Muitas delas antecedem a própria cidade, cuja emancipação se deu somente em meados do século 19. Mais informações através do telefone (71) 3116-6737, endereço eletrônico ipac.educacao@gmail.com e no site www.ipac.ba.gov.br.

Fotos em ALTA DEFINIÇÃO no Flickr/SecultBA: http://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157627140801972/

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