15/08/2012
Irmandade do Rosário dos Pretos: Quatro Séculos de Devoção. Este é o nome da exposição fotográfica fruto do convênio firmado entre a Irmandade e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), em cartaz na Igreja do Rosário dos Pretos, localizada no largo do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador (CHS).
“Trazer à luz as pessoas que não conhecem o que é a Irmandade dos Pretos é o principal objetivo da exposição. Elas poderão saber um pouco de como nos comportamos, o que fazemos e quais são as nossas maiores dificuldades através das imagens e textos”, explica Ubirajara Santa Rosa, Prior da Irmandade.
A mostra é uma homenagem aos 326 anos da Irmandade e dos 112 anos da Venerável Ordem Terceira do Rosário às Portas do Carmo. Composta por 52 fotos coloridas e em preto e branco, os créditos fotográficos são de Aristides Alves, Rugendas e Carlos Julião. Também constam imagens do acervo da Irmandade e da Fundação Pierre Verger.
“Na exposição poderão ser vistos o início do compromisso, a contemporaneidade, as imagens negras e a atualidade da Irmandade, que só aconteceu graças à contribuição do IPAC. Nós temos a função de zelar pela Irmandade. O nosso jeito de celebrar e a nossa conjuntura de trabalho faz com que a comunidade se identifique”, avalia o Prior.
Distribuída em seis painéis, os mais de três séculos de manifestações e atividades estão catalogados em temas como: História da Irmandade; As devoções aos Santos; Atividades: Festas e Funerais; A igreja e sua arquitetura; Participação social na atualidade; Compromisso e fé. “A importância da Irmandade do Rosário dos Pretos na atualidade é oriunda das constantes transformações do conceito de patrimônio cultural”, avalia a museóloga e uma das coordenadoras da exposição, Ana Maria Figueiredo.
O compromisso expõe a vida comunitária dentro da Irmandade e estabelece as regras de funcionamento, assim como seus objetivos, modalidades de admissão e, enquanto seus membros, o sistema de deveres e obrigações. O primeiro compromisso de que se tem notícia é datado de 1685. Este é um dos trechos encontrados no painel ‘Compromisso e fé’, para ilustrar o que se pode encontrar na lateral da igreja, lugar onde estão locados os retratos e frases.
Em outro canto, podem ser vistos os santos mais cultuados pelos devotos, como Nossa Senhora do Rosário e Santa Bárbara, e os santos negros Antônio de Categeró, Benedito, Elesbão e Ifigênia, louvados pela comunidade negra brasileira desde os tempos da escravidão não apenas por serem negros, mas por representarem exemplos de martírio.
A escrava Anastácia também é mencionada, principalmente por ter sido uma reconhecida mártir do cativeiro e escravidão. Seus devotos acreditam que ela e os demais mártires são bons intercessores de pedidos, agindo como intermediários na obtenção das graças imploradas.
“Coordenar a exposição é participar do movimento de valorização das ações integradas, unindo diversas áreas do conhecimento em prol da salvaguarda de organizações detentoras de um saber imaterial, que pode ser percebido em distintas formas da materialização de uma cultura”, afirma a museóloga e uma das coordenadoras da exposição, Djane Moura Cruz.
Com legendas em português e inglês, a exposição foi aberta no dia 20 de junho deste ano (2012) e já atraiu mais de seis mil visitantes entre brasileiros e estrangeiros. Franceses, americanos, espanhóis e portugueses são os que mais freqüentam a igreja, enquanto que no Brasil, muitos são procedentes do Sul.
“Esses painéis são muito importantes por que temos a oportunidade de entender mais sobre a igreja e a própria Irmandade. As informações são importantíssimas, pois, para o turista, nós iríamos apenas olhar a arquitetura e as imagens, sem um entendimento histórico”, relata a turista Rachel Klein Ulring, de Santa Catarina.
Quem ainda não visitou a mostra, que é de longa duração, pode conferir de segunda a sexta-feira das 9h às 18h, sábado das 9h às 12h e domingo das 10h às 12h. A entrada custa R$2 reais, mas existem horários de visitação gratuita aos domingos, a partir das 8h até término da missa dominical; todas as segundas-feiras, das 8h às 10h; todas as terças-feiras a partir das 16h30 até o término da missa; todas as sextas-feiras a partir das 17h30 até o término do terço dos Homens, ou em celebração de missas extras.
Irmandade do Rosário dos Pretos: Quatro Séculos de Devoção conta com o apoio da Fundação Pierre Verger, Fundação Pedro Calmon, Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Secretaria de Cultura do Estado (Secult) e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e a realização é da Venerável Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora às Portas do Carmo – Irmandade dos Homens Pretos. Mais informações pelo telefone (71) 3241-5781 ou pelo e-mail rosariopelourinho@hotmail.com.
IGREJA DO ROSÁRIO DOS PRETOS - A igreja está localizada na meia encosta da ladeira do Largo do Pelourinho ou Praça José de Alencar. A sua frente, ao rés do chão, há o Largo e do campanário se descortina o amplo horizonte da Baía de Todos os Santos e todos os campanários e torres das demais igrejas a sua volta.
Tombado como Patrimônio do Brasil pelo IPHAN/MinC desde 1938, o prédio religioso é considerado de notável mérito arquitetônico e foi construído por escravos e ex-escravos a partir de 1704, nas horas vagas que dispunham, ao longo de quase 100 anos.
A edificação possui imponência, corredores laterais, com pátio ao fundo, onde existe um cemitério. Como as igrejas do Boqueirão e Santo Antônio Além do Carmo, a Rosário dos Pretos possui oratório no lado direito e no plano da fachada que se abre para a rua. As terminações da torre são revestidas de azulejos e no interior existem azulejos com cenas relativas à devoção ao Rosário de Lisboa (1790).
O retábulo do altar-mor é de João Simões de Souza (1870/71) e a pintura do teto é de José Pinto Lima (1870/71). Dentre a imaginária, destacam-se N.S. do Rosário (séc.17), São Benedito, Santo Antônio de Catigerona e Cristo Crucificado em marfim. Tombada como Patrimônio Nacional pelo IPHAN 1938, a igreja pertence a Irmandade dos Homens Pretos que foi uma das primeiras confrarias de negros criada no Brasil e funcionou inicialmente na antiga Sé da cidade, sendo erigida em 1685.
Ficha técnica:
Coordenação: Ana Maria Figueiredo e Djane Moura Cruz
Pesquisa e texto: Cláudio Luiz Pereira e Maria C. Barbosa Costa e Silva
Fotografia: Aristides Alves
Consultoria na pesquisa: Cândido da Costa e Silva
Fotos em ALTA DEFINIÇÃO no Flickr/SecultBA: http://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157631004558160/
Crédito Fotográfico obrigatório: Lei nº 9610/98
Contatos: Assessoria de Comunicação IPAC – em 15.08.2012
Jornalista responsável Geraldo Moniz (srte-ba 1498) – texto-base assistente de jornalismo Ana Paula Nobre
71 8731.2641, 3117.6490, 3116.6673, ascom.ipac@ipac.ba.gov.br
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“Trazer à luz as pessoas que não conhecem o que é a Irmandade dos Pretos é o principal objetivo da exposição. Elas poderão saber um pouco de como nos comportamos, o que fazemos e quais são as nossas maiores dificuldades através das imagens e textos”, explica Ubirajara Santa Rosa, Prior da Irmandade.
A mostra é uma homenagem aos 326 anos da Irmandade e dos 112 anos da Venerável Ordem Terceira do Rosário às Portas do Carmo. Composta por 52 fotos coloridas e em preto e branco, os créditos fotográficos são de Aristides Alves, Rugendas e Carlos Julião. Também constam imagens do acervo da Irmandade e da Fundação Pierre Verger.
“Na exposição poderão ser vistos o início do compromisso, a contemporaneidade, as imagens negras e a atualidade da Irmandade, que só aconteceu graças à contribuição do IPAC. Nós temos a função de zelar pela Irmandade. O nosso jeito de celebrar e a nossa conjuntura de trabalho faz com que a comunidade se identifique”, avalia o Prior.
Distribuída em seis painéis, os mais de três séculos de manifestações e atividades estão catalogados em temas como: História da Irmandade; As devoções aos Santos; Atividades: Festas e Funerais; A igreja e sua arquitetura; Participação social na atualidade; Compromisso e fé. “A importância da Irmandade do Rosário dos Pretos na atualidade é oriunda das constantes transformações do conceito de patrimônio cultural”, avalia a museóloga e uma das coordenadoras da exposição, Ana Maria Figueiredo.
O compromisso expõe a vida comunitária dentro da Irmandade e estabelece as regras de funcionamento, assim como seus objetivos, modalidades de admissão e, enquanto seus membros, o sistema de deveres e obrigações. O primeiro compromisso de que se tem notícia é datado de 1685. Este é um dos trechos encontrados no painel ‘Compromisso e fé’, para ilustrar o que se pode encontrar na lateral da igreja, lugar onde estão locados os retratos e frases.
Em outro canto, podem ser vistos os santos mais cultuados pelos devotos, como Nossa Senhora do Rosário e Santa Bárbara, e os santos negros Antônio de Categeró, Benedito, Elesbão e Ifigênia, louvados pela comunidade negra brasileira desde os tempos da escravidão não apenas por serem negros, mas por representarem exemplos de martírio.
A escrava Anastácia também é mencionada, principalmente por ter sido uma reconhecida mártir do cativeiro e escravidão. Seus devotos acreditam que ela e os demais mártires são bons intercessores de pedidos, agindo como intermediários na obtenção das graças imploradas.
“Coordenar a exposição é participar do movimento de valorização das ações integradas, unindo diversas áreas do conhecimento em prol da salvaguarda de organizações detentoras de um saber imaterial, que pode ser percebido em distintas formas da materialização de uma cultura”, afirma a museóloga e uma das coordenadoras da exposição, Djane Moura Cruz.
Com legendas em português e inglês, a exposição foi aberta no dia 20 de junho deste ano (2012) e já atraiu mais de seis mil visitantes entre brasileiros e estrangeiros. Franceses, americanos, espanhóis e portugueses são os que mais freqüentam a igreja, enquanto que no Brasil, muitos são procedentes do Sul.
“Esses painéis são muito importantes por que temos a oportunidade de entender mais sobre a igreja e a própria Irmandade. As informações são importantíssimas, pois, para o turista, nós iríamos apenas olhar a arquitetura e as imagens, sem um entendimento histórico”, relata a turista Rachel Klein Ulring, de Santa Catarina.
Quem ainda não visitou a mostra, que é de longa duração, pode conferir de segunda a sexta-feira das 9h às 18h, sábado das 9h às 12h e domingo das 10h às 12h. A entrada custa R$2 reais, mas existem horários de visitação gratuita aos domingos, a partir das 8h até término da missa dominical; todas as segundas-feiras, das 8h às 10h; todas as terças-feiras a partir das 16h30 até o término da missa; todas as sextas-feiras a partir das 17h30 até o término do terço dos Homens, ou em celebração de missas extras.
Irmandade do Rosário dos Pretos: Quatro Séculos de Devoção conta com o apoio da Fundação Pierre Verger, Fundação Pedro Calmon, Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Secretaria de Cultura do Estado (Secult) e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e a realização é da Venerável Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora às Portas do Carmo – Irmandade dos Homens Pretos. Mais informações pelo telefone (71) 3241-5781 ou pelo e-mail rosariopelourinho@hotmail.com
IGREJA DO ROSÁRIO DOS PRETOS - A igreja está localizada na meia encosta da ladeira do Largo do Pelourinho ou Praça José de Alencar. A sua frente, ao rés do chão, há o Largo e do campanário se descortina o amplo horizonte da Baía de Todos os Santos e todos os campanários e torres das demais igrejas a sua volta.
Tombado como Patrimônio do Brasil pelo IPHAN/MinC desde 1938, o prédio religioso é considerado de notável mérito arquitetônico e foi construído por escravos e ex-escravos a partir de 1704, nas horas vagas que dispunham, ao longo de quase 100 anos.
A edificação possui imponência, corredores laterais, com pátio ao fundo, onde existe um cemitério. Como as igrejas do Boqueirão e Santo Antônio Além do Carmo, a Rosário dos Pretos possui oratório no lado direito e no plano da fachada que se abre para a rua. As terminações da torre são revestidas de azulejos e no interior existem azulejos com cenas relativas à devoção ao Rosário de Lisboa (1790).
O retábulo do altar-mor é de João Simões de Souza (1870/71) e a pintura do teto é de José Pinto Lima (1870/71). Dentre a imaginária, destacam-se N.S. do Rosário (séc.17), São Benedito, Santo Antônio de Catigerona e Cristo Crucificado em marfim. Tombada como Patrimônio Nacional pelo IPHAN 1938, a igreja pertence a Irmandade dos Homens Pretos que foi uma das primeiras confrarias de negros criada no Brasil e funcionou inicialmente na antiga Sé da cidade, sendo erigida em 1685.
Ficha técnica:
Coordenação: Ana Maria Figueiredo e Djane Moura Cruz
Pesquisa e texto: Cláudio Luiz Pereira e Maria C. Barbosa Costa e Silva
Fotografia: Aristides Alves
Consultoria na pesquisa: Cândido da Costa e Silva
Fotos em ALTA DEFINIÇÃO no Flickr/SecultBA: http://www.flickr.com/photos/
Crédito Fotográfico obrigatório: Lei nº 9610/98
Contatos: Assessoria de Comunicação IPAC – em 15.08.2012
Jornalista responsável Geraldo Moniz (srte-ba 1498) – texto-base assistente de jornalismo Ana Paula Nobre
71 8731.2641, 3117.6490, 3116.6673, ascom.ipac@ipac.ba.gov.br
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