O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia vinculada a Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), começa esta semana as obras emergenciais da cobertura do Convento dos Humildes,em Santo Amaro. Emfunção do período de chuvas e por estar situado às margens do Rio Subaé, a estrutura do Convento sofre com a umidade causada pelas águas do rio. Este excesso de umidade provocou rachaduras e estragos no telhado, além de infiltração em várias salas do Museu que funciona no local.
O problema da infiltração foi constatado em visita feita pela museóloga Maria Célia Moura Santos, da Diretoria de Museus (DIMUS/IPAC) em maio deste ano. Na época foi verificado que algumas salas do Museu estavam fechadas para visitação em função dos estragos causados pela infiltração. “Com as obras feitas pelo IPAC, o Recolhimento dos Humildes poderá, em breve, reabrir suas portas para que a população conheça a importância do seu acervo”, afirma Maria Célia.
Os investimentos serão de R$390 mil com recursos da SecultBa/Ipac. A construtora Pentágono será responsável pela obra que deve durar cerca de três meses e envolve 20 operários e fiscais do Ipac.
O Museu do Recolhimento dos Humildes é fruto de um convênio de cooperação técnica implantado em 15 de junho de 1980. Com cerca de 500 peças, tem o acervo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Ministério da Cultura (Minc) e o prédio tombado pelo IPAC. São arcas, baús e jóias que se juntaram às imagens e alfaias da capela, acrescido dos trabalhos artesanais produzidos pelas reclusas, entre eles os bordados em fios brancos em finíssimas cambraias e fios de ouro em sedas, além de pedras preciosas.
Na arte religiosa, merece destaque a coroa de Nossa Senhora (bem como o nicho onde ela se encontra, e o crucifixo). O Museu ainda dispõe de peças do ato litúrgico (cálice e patena) em ouro e prata. Outra singularidade é o carrilhão composto por sete sinos, que contém a escala musical e é ouvido diariamente na hora do Ângelus.
Ainda hoje, o artesanato produzido pelas freiras da Congregação de Nossa Senhora dos Humildes é único no mundo e atrai a admiração de visitantes, assim como os sequilhos produzidos e vendidos no local. As dependências do museu servem, também, para abrigar os restos mortais de pessoas que contribuíram para o surgimento da instituição, dentre as quais o próprio padre Inácio Teixeira dos Santos Araújo.
Histórico OPCIONAL
O Museu do Recolhimento dos Humildes situado à margem direita do Rio Subaé, à Praça Frei Bento, s/nº, foi fundado em 1809 pelo padre santamarense, Inácio Teixeira dos Santos Araújo. A idéia surgiu a partir da construção em 1793 de uma capelinha para louvar Nossa Senhora.
Esse Recolhimento, único no interior da Província, tinha como finalidade social abrigar senhoras, viúvas, meninas órfãs, escravas, pensionistas, filhas de senhores de engenho e meninas de destacadas famílias das redondezas e até de outros Estados, que ficavam confinadas enquanto seus pais e maridos viajavam, ou como forma de punição por atos indevidos.
Em 22 de setembro de 1817, o rei D. João VI concedeu licença para que o local funcionasse como estabelecimento de educação do sexo feminino. As meninas "recolhidas" eram educadas nos princípios religiosos, limitando o aprendizado ao ensino das primeiras letras e das artes domésticas para direção de lares futuros.
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