Até final de abril (2011), equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) inicia estudos sobre o maculelê. Tipicamente brasileiro, já que é originário das matrizes culturais africanas e indígenas, o maculelê já foi, na sua origem, arte marcial armada, mas, atualmente, tornou-se uma dança que simula luta tribal.
As pesquisas do IPAC devem se concentrar no Recôncavo baiano, área onde existem mais evidências dessa manifestação cultural. Formado por dois territórios de identidade – divisão regional utilizada pelo governo estadual – o Recôncavo tem cerca de 20 municípios, considerando os integrantes da área metropolitana de Salvador e as cidades do entorno da Baía de Todos os Santos.
“No maculelê, os guerreiros-dançarinos usam dois facões ou bastões como armas, chamados grimas, com os quais desferem e aparam golpes, no ritmo dos atabaques – tambores africanos – e das palmas dos presentes”, explica o gerente de Pesquisa do IPAC, Mateus Torres, que vai coordenar os estudos. Nas apresentações de maculelê os dançarinos usam saias feitas de sisal, além de pintura corporal, normalmente, de origem indígena. O sisal – em latim agave sisalana – é uma planta das regiões mexicanas, depois cultivada no semi-árido brasileiro, e 80% da produção nacional da sua fibra é da Bahia.
Maculelê é um bem cultural, assim como, a capoeira que já foi estudada por técnicos do IPAC e decretada oficialmente pelo governo estadual como Patrimônio Imaterial da Bahia em 2006. Em 2009, o Ministério da Cultura (MinC) também registrou a capoeira como patrimônio brasileiro. A capoeira, como o maculelê, seria assim, um fenômeno multifacetado e multidimensional, ao mesmo tempo dança, luta e jogo.
Vinculado à secretaria estadual de Cultura (SecultBA), o IPAC é responsável pelas políticas de salvaguarda dos patrimônios culturais baianos. Além da capoeira e maculelê, o IPAC já estudou celebrações como Festa de Santa Bárbara, Carnaval de Maragojipe e Desfile dos Afoxés, esses três últimos já decretados pelo Governo do Estado como bens intangíveis graças a trabalhos realizados entre 2007 e 2010.
Após pesquisas de campo, entrevistas, coletas de material imagético, documental e conceitual, como fotos, vídeos, jornais e documentos antigos, os técnicos do IPAC formam um dossiê, reunindo tudo sobre aquele bem cultural. O dossiê é encaminhado ao Conselho Estadual de Cultura (http://conselhodeculturaba.wordpress.com/) que analisa, aprovando ou não o registro do bem imaterial.
Após a apreciação do Conselho, o dossiê é encaminhado ao secretário de Cultura, que repassa para o governador do Estado que delibera sobre o registro. Caso positivo, é publicado um decreto no Diário Oficial do Estado e o bem cultural imaterial é inscrito no Livro de Registro Especial das Manifestações Lúdicas e Artísticas da Bahia, como já está a capoeira. Outras informações sobre as pesquisas do IPAC estão no site www.ipac.ba.gov.br.
Lendas maculelê - Conta-se que Maculelê era um negro fugido que tinha doença de pele. Ele foi acolhido por uma tribo indígena e cuidado por eles, mas ainda assim não podia realizar todas as atividades com o grupo, por não ser um índio. Certa vez Maculelê foi deixado sozinho na aldeia, quando toda a tribo saiu para caçar, e uma tribo rival aparece para dominar o local. Maculelê, usando dois bastões, lutou sozinho contra o grupo rival e venceu a disputa. Desde então passou a ser considerado um herói na tribo. Outra lenda fala do guerreiro indígena Maculelê, um índio preguiçoso e que não fazia nada certo; por esta razão, os demais homens da tribo saíam em busca de alimento e deixavam-no com mulheres, idosos e crianças. Uma tribo rival ataca, aproveitando-se da ausência dos caçadores. Para defender a tribo, Maculelê, armado apenas com dois bastões já que os demais índios haviam levado as armas para caçar, enfrenta e mata os invasores da tribo inimiga, morrendo pelas feridas do combate. Maculelê passa a ser herói da tribo e sua técnica reverenciada. Existem diferentes versões para cada lenda, mas a maioria mantém como base o ataque rival, a resistência solitária e a improvisação dos dois bastões como arma.
Assessoria de Comunicação IPAC – em 21.03.2011 - Jornalista responsável Geraldo Moniz (drt-ba 1498) – (71) 8731-2641 – Texto base: estagiária Taiane Barros e Geraldo Moniz. Contatos: (71) 3117-6490, ascom.ipac@ipac.ba.gov.br - www.ipac.ba.gov.br - Facebook: Ipacba Patrimônio - Twitter: @ipac_ba