Livro sobre Tranquilino Bastos é lançado nesta quinta (13)

11/10/2011
“Tranquilino Bastos, músico, abolicionista, jornalista, homeopata e espírita, mas, acima de tudo, um homem do povo engajado nas lutas de seu tempo: pela liberdade, pela educação, cultura e artes”.
 
O resumo é do jornalista Jorge Ramos, autor do livro O Semeador de Orquestras – História de um Maestro Abolicionista, Editora Solisluna, 210 páginas, que será lançado em Salvador nesta quinta-feira, dia 13 (outubro, 2011), às 19h30, no foyer do Teatro do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), localizado na Rua Pedro Gama, 413/E, Alto do Sobradinho, bairro da Federação.
 
A obra foi financiada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da Secretaria de Cultura (Secult), através de editais que disponibilizam recursos do Fundo de Cultura para pessoas físicas, jurídicas e organizações não-governamentais. Cerca de R$ 25 mil do Fundo foram empregados em pesquisas, revisão, editoração, impressão do livro e na gravação do CD que o acompanha.
 
Localizada em Cachoeira, na região do Recôncavo baiano, a casa do maestro Tranquilino Bastos (1850-1935) e o seu acervo musical são tombados pelo Estado, através do IPAC, desde 1989. O livro complementa a salvaguarda estadual difundindo e divulgando o trabalho do maestro. De acordo com o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, o Instituto tem o papel de difundir os bens culturais tombados. “Para o Instituto é uma honra possibilitar um lançamento como este”, diz Mendonça.
 
O livro e CD são um dos 72 projetos que promovem bens culturais baianos. Os editais do IPAC integram política pública implantada desde 2007 que já atingiu cerca de 200 municípios. São livros, sites, CDs, DVDs, projetos arquitetônicos e obras de restauração. “De 2008 a 2010 o IPAC investiu mais de R$ 2 milhões”, contabiliza o diretor do IPAC. Educação patrimonial, inventários, registros, difusão e dinamização de patrimônios, são algumas das categorias dos editais.
 
O proponente do projeto foi a Sociedade Euterpe Lyra Ceciliana que é a segunda filarmônica mais antiga da Bahia, fundada desde 1870 por Tranquilino. Para o lançamento em Salvador, a orquestra virá especialmente de Cachoeira para executar músicas do maestro.
 
“O Semeador de Orquestras é uma biografia do maestro, construída a partir das histórias contadas pelas filhas dele”, explica Jorge Ramos. Segundo o autor, como o maestro já é falecido há 76 anos, poucas fontes ainda estão vivas para resgatar a história do músico empreendedor. “Mais de 95% das informações foram baseadas em documentos históricos, cartas pessoais, anotações  expressas em documentos familiares, em livros e jornais antigos da cidade”, relata Ramos. A narrativa começa com as comemorações da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, quando Tranquilino desfila pela cidade à frente de sua filarmônica e acompanhado por uma multidão que festeja o fim da escravidão.
 
Para compor a obra, o jornalista reconstituiu a vida do artista, sua filarmônica, os cenários político, econômico, social e cultural da cidade, durante os séculos 19 e 20. O CD que acompanha o livro tem músicas compostas por Tranquilino, como Hymno Abolicionista e Navio Negreiro, além de composições sacras e de câmara.
 
“Esse lançamento via Edital do IPAC permite divulgar a história de um grande cidadão brasileiro, que fez de sua arte um instrumento da luta pela liberdade, contra o racismo e a intolerância. É um resgate histórico, em que tiro do esquecimento um artista-cidadão”, alerta Ramos. Segundo ele, a publicação traz a contribuição de músico, regente e professor de diversas gerações, além do trabalho de 500 músicas compostas pelo maestro.