Além do Carnaval, a Bahia também é conhecida por seus monumentos arquitetônicos. Parte deste acervo histórico encontra-se na cidade de Salvador, que abriga diversos museus, igrejas com arquitetura do período colonial e belíssimos casarões. A má preservação dessas áreas, no entanto, pode comprometer a preservação histórica da cidade e, para manter o conjunto arquitetônico em perfeito estado é necessário um trabalho minucioso de restauração e conservação.
Em 2010, será concluído o projeto de restauro do Palácio Rio Branco, localizado na Praça Thomé de Souza, sob a iniciativa do Governo da Bahia, através da secretaria estadual de Cultura (Secult-Ba) e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). Os recursos da obra totalizam 6,8 milhões do Ministério do Turismo, Banco do Nordeste (BNB) e contrapartida do governo baiano.
A iniciativa integra do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur 2) que, através do Ipac/Secult, executa a restauração de seis grandes edificações tombadas como ‘Patrimônio do Brasil’ pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) – incluindo o Palácio Rio Branco -, com investimento de R$ 20 milhões no Centro Histórico de Salvador (CHS), área tombada como ‘Patrimônio Nacional’ e chancelada pela UNESCO como ‘Patrimônio da Humanidade’.
Construído em meados do século XVI, o imóvel já abrigou a sede do governo baiano e sofreu diversas reformas ao longo dos anos sem os devidos cuidados com a preservação da estrutura original. Para atender a essa demanda, a Concreta, empresa baiana com 40 anos de atuação em engenharia e 30 anos de experiência na área de restauro, iniciou o trabalho de restauração e conservação em dezembro do mesmo ano. Durante o processo, a equipe da Concreta visualizou a necessidade de novos serviços, como a implantação de sistema de acessibilidade para portadores de necessidades especiais e reforma das instalações hidráulica, elétrica e telefônica.
A última reforma do Palácio Rio Branco ocorreu há 23 anos. A intervenção da Concreta restaurou os 6.000m2 do casarão e, segundo o arquiteto Antônio Calazans, a realização de um trabalho deste porte exige mão-de-obra mais qualificada, tanto de engenheiros e técnicos, que se responsabilizam pela definição dos procedimentos adequados à realização do projeto, como de encarregados e operários, responsáveis pela execução dos serviços planejados. “As obras de reestruturação e reforços de imóveis antigos requerem a participação de estruturalistas especializados que dominem o conhecimento do comportamento das estruturas e materiais empregados à época, de modo a decidir pela aplicação da melhor técnica de intervenção, buscando preservar as características fundamentais estabelecidas nos projetos”, destaca o arquiteto.
Curiosidades:
- Para se aproximar o máximo possível do original, os tacos da Sala dos Espelhos foram fabricados manualmente, um a um, e foram necessários três meses para a finalização.
- Ao longo das décadas, o Palácio Rio Branco sofreu diversas intervenções e, durante o processo de restauração, abaixo de seis camadas de tinta, foi descoberta e recuperada uma “pintura primitiva”, supostamente realizada em 1549.
- As diversas reformas no Palácio Rio Branco escondiam paramentos arquitetônicos e a cor original da fachada. Após o processo de restauração, o casarão voltará a ter seu aspecto genuíno.
- Vidros decorados, lustres históricos, escadarias em bronze, mobiliários coloniais e espelhos Luís XV também passaram por minuciosos processos de restauração e conservação.
- Durante o processo, a equipe da Concreta visualizou a necessidade de novos serviços, como a implantação de sistema de acessibilidade para portadores de necessidades especiais e reforma das instalações hidráulica, elétrica e telefônica.