19/05/2015

Representantes de cinco territórios de identidade abriram, nesta quinta (16), em Salvador, um encontro de intercâmbio discutindo questões relacionadas às temáticas de raça, gênero e enfrentamento à violência contra as mulheres negras na Bahia. O evento é coordenado pelo Projeto Encruzilhada de Direitos, que faz parte de um conjunto de esforços pelo fortalecimento dos movimentos de mulheres, movimento negro e diálogo com organismos governamentais sobre políticas públicas que possam reverter o quadro histórico de desigualdade social.
A socióloga Vilma Reis, do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) da UFBA, defendeu que a pauta das mulheres negras, maioria populacional na Bahia, esteja entre as prioridades do poder público. “Temos uma agenda de enfrentamento à violência sexista, que precisa ser transformada em políticas públicas”, comentou, citando casos como os conflitos no quilombo Rio dos Macacos, em Salvador, dificuldades de acesso aos direitos previdenciários no sul e baixo sul baiano, crescimento da violência contra mulheres do sisal, entre outros.
A secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Lúcia Barbosa, citou números do Mapa da Violência 2012, que colocam a Bahia como o 6º estado no índice de homicídios femininos, acreditando na superação deste quadro. “São dados que assustam, são desafiadores”, ressaltou. Ela elencou as prioridades do governo estadual para a área nos próximos meses, entre eles, a renovação do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, fortalecimento da rede de atenção às vítimas, além da instalação de nove novos Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAM).