Mostra Cine-Delas

08/01/2016
Fonte: Cine Brasil

A pauta da participação feminina nunca teve tanto destaque na sociedade. O país e o mundo vivem momentos de grandes debates e mobilizações em relação aos direitos das mulheres, e diversos protestos e campanhas mostram a importância da luta de igualdade de gênero nas mais variadas esferas. Em harmonia com o ressurgimento das discussões sobre o tema, o Canal Brasil exibe a Mostra Cine-Delas, reforçando a inserção feminil em funções antes dominadas pelos homens, e dando a voz e vez a algumas das nossas grandes cineastas que tiveram e ainda têm papel fundamental na história do cinema brasileiro. De janeiro a março – mês que abriga o Dia Internacional da Mulher –, às sextas-feiras, o canal traz uma película assinada por uma diretora brasileira, das mais diversas naturalidades e sotaques, compondo um mosaico plural da nossa produção – e de nossas realizadoras.

Antes da exibição de cada obra, a cineasta Anna Muylaert entrevista a diretora responsável pelo filme para trazer ao público detalhes sobre os bastidores e suas motivações para o cinema. O festival exibe os seguintes filmes: Pequeno Dicionário Amoroso (1996), de Sandra Werneck; Ó Paí, Ó (2007), de Monique Gardenberg; Amor, Plástico e Barulho (2014), de Renata Pinheiro; Um Passaporte Húngaro (2001), de Sandra Kogut; Durval Discos (2002), de Anna Muylaert; Como Esquecer (2010), de Malu Di Martino; A Primeira Missa – Ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum (2014), de Ana Carolina; Reidy – A Construção da Utopia (2009), de Ana Maria Magalhães; Narradores de Javé (2004), de Eliane Caffé; A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral; Irma Vap – O Retorno (2006), de Carla Camurati; A Via Láctea (2007), de Lina Chamie; e Revelando Sebastião Salgado (2012), de Betse de Paula.

Veja a programação completa:

Amor, Plástico e Barulho (2014) (84’) Direção: Renata Pinheiro – Primeiro longa-metragem da pernambucana Renata Pinheiro, a coprodução do Canal Brasil conquistou o Candango de melhor atriz coadjuvante e direção de arte no Festival de Brasília. A fértil cena musical de Recife é cenário para a história de Shelly (Nash Laila), uma jovem dançarina que sonha em tornar-se uma estrela do brega. Seu espelho é Jaqueline (Maeve Jinkings), companheira de banda e artista consagrada. O tom de brincadeira e dor de cotovelo das letras do estilo, acompanhadas de uma harmonia dançante e festiva, contrasta com as brigas, rivalidades e desilusões das personagens em um mundo em que sentimentos, valores e amizades são frequentemente descartados em busca do sucesso.
Sexta, dia 08/01, às 22h e segunda, dia 11/01, à meia-noite e quinze.

Revelando Sebastião Salgado (2013) (75’) Direção: Betse de Paula – Primeiro documentário brasileiro sobre um dos mais importantes e respeitados fotógrafos contemporâneos, reconhecido por seu estilo único, o longa tem como fio condutor uma entrevista concedida à diretora Betse de Paula, na qual Sebastião Salgado conta sua trajetória, desde a infância humilde na cidade onde nasceu – a pequena Aimorés, no interior de Minas Gerais – até ganhar o mundo. A obra é uma coprodução entre Canal Brasil, RioFilme e BPP Produções Audiovisuais. O relato, gravado no apartamento estúdio do artista em Paris, traz diversas etapas de seu processo criativo, abordando a preferência pelas imagens em preto e branco, a utilização da luz, a escolha dos temas, o engajamento em causas sociais e ecológicas, as viagens para lugares inóspitos do planeta por conta do projeto Gênesis, a transição para a máquina digital e, finalmente, como encara a notoriedade internacional.
Sexta, dia 15/01, às 22h e segunda, dia 18/01, à meia-noite e quinze.

Ó Paí, Ó (2007) (99’) Direção: Monique Gardenberg – Lázaro Ramos, Dira Paes, Wagner Moura e Stênio Garcia estão nessa comédia musical de Monique Gardenberg, que retrata o cotidiano dos moradores de um animado cortiço do Pelourinho no último dia de folia. Roque (Lázaro Ramos) é um artista versátil: pinta, compõe, canta e encanta quem o conhece. Sua vida pode tomar novos rumos, seja com o possível sucesso de sua música no Carnaval, seja com uma jogada feita com o malandro Boca (Wagner Moura) ou com uma nova paixão por Rosa (Emanuelle Araújo). Enquanto isso, seu Jerônimo (Stênio Garcia) procura dar um jeito na marginalidade; Psilene (Dira Paes) chega do exterior cheia de segredos; Reginaldo (Érico Brás) tenta fugir da marcação da ciumenta esposa, e Joana (Luciana Souza), a dona do cortiço, se esforça para criar seus filhos com rédeas curtas.
Sexta, dia 22/01, às 22h e segunda, dia 25/01, à meia-noite e quinze.

Um Passaporte Húngaro (2001) (72’) Direção: Sandra Kogut – Coprodução franco-brasileira, o documentário de Sandra Kogut pesquisa a construção da identidade de um povo através de uma família dividida em dois mundos distintos. O filme busca descobrir a construção de uma identidade: os documentos, a memória, a família, um sobrenome, uma história, uma herança. O que significa hoje ser húngaro? E brasileiro? O que é uma nacionalidade? Neta de imigrantes judeus húngaros exilados no Brasil devido ao regime nazista, a diretora brasileira começa a redescobrir a história de sua família a partir do momento em que decide tirar um passaporte húngaro. Com sua câmera sempre a tiracolo, a cineasta registra a epopeia atravessada por qualquer solicitante nessa situação.
Sexta, dia 29/01, às 22h e segunda, dia 01/02, à meia-noite e quinze.