29/12/2017
De janeiro a 25 de dezembro de 2017, a Bahia registrou 49 casos de feminicídio. Destes, 22 casos aconteceram em Salvador, todos elucidados e apenas um autor não foi preso, é o que informa a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). A pasta declarou ainda que a Ronda Maria da Penha atendeu 1.733 mulheres com medida protetiva expedida pela Justiça no estado.
Para a titular da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA), Julieta Palmeira, a violência contras as mulheres deve ser tratada como uma urgência pública e é preciso dar visibilidade para se punir e prevenir. “O Governo da Bahia tem divulgado esses tristes dados, que precisam ser enfrentados. A violência de gênero está aí para o nosso horror, mas necessita ser tratada, ter estratégias de enfrentamento.”
Julieta Palmeira chama a atenção, ainda para os feminicídios de Maridalva da Silva Gonçalves em Salvador, Dirce Ladeia em Barreiras e Cecília Crispim em Valença. Todas assassinadas pelos companheiros. “Aos dados da SSP se agrega o fato de três feminicídios em cinco dias, no período em que a solidariedade e a esperança são exaltadas nas festas de final de ano. Os agressores e feminicidas devem ser punidos.”
Além disso, ela destaca a importância em oferecer acompanhamento às mulheres em situação de violência, tanto no âmbito psicológico como jurídico para que possam ser apoiadas e romper o ciclo de violência. “Por isso a rede de atenção às mulheres em situação de violência precisa ser fortalecida. A Ronda Maria da Penha é um exemplo e outras iniciativas devem ser tomadas, uma vez que a Ronda lida com mulheres que deram queixa da violência e solicitaram medida protetiva. Muitas delas não chegam a solicitar medida protetiva por várias razões.”
É aí que entra as iniciativas municipais, a exemplo da criação e fortalecimento dos Centros de Referências e Atendimento as Mulheres (CRAMs), implantação de conselhos municipais dos direitos das mulheres e organismos nas administrações municipais que façam fluir a política pública no setor. A SPM-BA está a disposição das administrações que tenham o interesse em fortalecer as atividades nesse sentido.
“Entendo que há necessidade de unir governo e sociedade no enfrentamento à violência para desconstruir essa cultura machista, sexista e misógina. Não é um problema que se restringe à esfera policial”, declara a secretária ao elencar ações da SPM nesse sentido, como a realização de visitas às escolas e municípios para enfrentar a violência de gênero, que é um desafio suprapartidário, multifacetado e que necessita de esforço conjunto.
“Não é o amor que leva à violência, mas o machismo e o sexismo. As mulheres estão tendo sua vida afetada quando não tem a vida subtraída pelo feminicídio. E isso tem a ver com a cultura machista e a ideia de que o homem deve submeter à mulher as suas vontades”, finaliza.