SPM celebra aniversário de oito anos com debate sobre feminismos

25/05/2019

Mulheres representantes de diferentes recortes do movimento feminista participaram de um debate sobre a ‘quarta onda do feminismo’ com a ensaísta e crítica literária Heloisa Buarque de Hollanda, em comemoração aos oito anos da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA). A roda de conversa aconteceu no Teatro do ICBA (Instituto Goethe), na noite de ontem (24).

Mediado pela titular da SPM, Julieta Palmeira, o debate contou com as falas de Nágila Maria, da União Nacional dos Estudantes; Vívian Caroline, diretora da banda de percussão feminina Didá; Naira Gomes, integrante da Marcha do Empoderamento Crespo; e de Thiffany Odara, pedagoga e militante do feminismo trans.

Durante o diálogo, Heloisa Buarque de Hollanda falou sobre seus três últimos livros lançados: “Explosão Feminista”, “Pensamento Feminista – Conceitos Fundamentais” e “Pensamento Feminista Brasileiro – Formação e Contexto”. Questionada sobre o motivo de ter lançado três livros quase que simultaneamente, ela disse foi a força da juventude que a motivou.

“Entrei no movimento feminista ainda na década de 70. Depois de um tempo, o feminismo foi colocado numa posição não tão boa. Vi o movimento se enfraquecer. Mas, por volta de 2013, com as marchas e os movimentos de rua, o feminismo veio com tudo. Hoje, as mulheres falam com orgulho que são feministas. Isso é incrível”, declarou.

Sobre as várias vertentes do feminismo, Heloisa acredita que o fracionamento e importante e enriquecedor. “Temos estudos sobre o feminismo negro, indígena, lésbico, trans, entre outros. Precisamos dialogar nas mais diversas áreas e termos vozes para isso. No livro Explosão Feminista eu apresento minha visão sobre cada área citada do feminismo e depois as protagonistas de cada vertente falam o que acham.”

Ao ser perguntada sobre a quarta onda do feminismo, a ensaísta Heloisa Hollanda declara que a cultura tem um fator determinante na questão, pois as artistas mostram o feminismo em suas intervenções, mesmo antes de se reconhecerem feministas.

Para a secretária Julieta Palmeira, promover um debate sobre feminismo com representantes de segmentos diversos é incluir a pauta de mulheres nas discussões importantes da sociedade. “Um encontro plural como esse não poderia ser mais apropriado para comemorar o aniversário de uma secretaria que nasceu do anseio popular, da reivindicação das mulheres baianas”, disse. Após o debate, houve sessão de autógrafo com a escritora Heloisa Buarque de Hollanda.

Intervenções

A percussionista Vívian Caroline disse que, há 25 anos, quando entrou na Banda Didá, participou de um movimento feminista mesmo sem ter noção da transformação que aquele grupo promoveu e promove na vida das mulheres baianas. “Fomos permitindo a libertação do nosso corpo através da percussão. Saímos do lugar de invisibilidade que a mulher negra é colocada e iniciamos um protagonismo feminista através da música”.

Para Naira Gomes, o feminismo negro tem ajudado a desconstruir o que é oferecido para a mulher negra nesse processo histórico de machismo e racismo. “A Marcha do Empoderamento Negro é um exemplo disso. Saímos nas ruas de Salvador para mostrar que a revolução também pode ser mostrada na estética. Cabelo para cima significa ideias na cabeça”.

Nágila Maria afirmou que “nesse processo de retrocesso pelo qual passa o país, a mulher negra é a primeira a ser afetada, seja em relação ao desemprego, violência. As políticas públicas precisam ter um recorte especial nesse sentido”.

Segundo Thiffany Odara, ter uma mulher negra, trans e da periferia num encontro sobre feminismo fortalece a pluralidade do movimento. “O feminismo e plural e precisa abarcar todas as especificidades da mulher de hoje. Inclusive, tratar do feminismo trans é algo que interfere diretamente na vida dessas mulheres porque se a mulher negra é prejudicada, a mulher trans é invisível para a sociedade”.