O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) divulgou nesta quinta-feira (02) o Relatório sobre a Situação da População Mundial 2020, intitulado “Contra a minha vontade: desafiando as práticas que prejudicam as mulheres e impedem a igualdade”. O relatório se concentra em três práticas prevalentes: mutilação genital, casamento infantil e preferência por filhos homens, destacando o fosso que separa homens e mulheres, apesar dos avanços em direção à paridade no acesso à saúde e à educação.
Segundo o relatório, em 57 países apenas 55% das mulheres de 15 a 49 anos, casadas ou que vivem algum tipo de união estável, tomam suas próprias decisões sobre relações sexuais, uso de contraceptivos e serviços de saúde reprodutiva. O estudo destaca estimativa do Fórum Econômico Mundial, de 2020, de que levará quase 100 anos, em média, para fechar a lacuna global de gênero no mundo e surpreendentes 257 anos para fechar a lacuna de gênero em termos de participação na economia.
Ainda de acordo com o relatório, a percepção das pessoas dificulta ainda mais a conquista da igualdade de gênero. Uma pesquisa envolvendo 80% da população mundial constatou que 90% dos homens – e mulheres – têm algum tipo de preconceito contra as mulheres (PNUD, 2020). O cenário mais amplo subjacente à discriminação de gênero é o fato de haver desigualdades em ascensão e intensificação da exclusão em escala mundial. Operando em diversas sociedades e entrincheiradas pelos modelos econômicos atuais, essas disparidades alimentam divisões e tensões sociais.
Algumas regiões expandiram as restrições à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos, e limitaram ou eliminaram a educação sexual abrangente nas escolas (Comissão sobre o Status da Mulher, 2020). Mais de 100 países ainda impedem legalmente as mulheres de ocupar determinados postos de trabalho (Banco Mundial, 2018). Pouco foi feito para moderar a crescente influência das novas tecnologias, que, embora ofereçam muitos benefícios, intensificaram a exposição de mulheres e meninas ao risco de violência e abuso (Comissão sobre o Status da Mulher, 2020).
Práticas prejudiciais tendem a acompanhar pressões cada vez maiores, como disparidades econômicas e conflitos, além de crises crescentes ligadas às mudanças climáticas. Medidas de austeridade podem levar a cortes nos recursos públicos destinados à saúde e a outros serviços dos quais dependem as comunidades pobres e as mulheres de baixa renda. Até 2021, aproximadamente 5,8 bilhões de pessoas estarão vivendo em países afetados por planos de austeridade, inclusive cerca de 2,9 bilhões de mulheres e meninas – ou quase três quartos da população feminina do mundo (Comissão sobre o Status da Mulher, 2020).
Fonte: UNFPA
Para acessar todo o relatório: https://brazil.unfpa.org/sites/default/files/pub-pdf/situacao_da_populacao_mundial_2020-unfpa.pdf