Registro de violência doméstica cai na quarentena, mas mulheres morrem mais

27/07/2020
Desde o início da quarentena, órgãos internacionais de proteção de mulheres alertam para o aumento de casos de violência doméstica em todo o mundo. Segundo a ONU Mulheres, foi relatado que, na China, primeiro país impactado pela pandemia, triplicou o número de casos. O alerta foi de que o mesmo poderia acontecer em outros lugares que implementassem o isolamento social para conter a disseminação do coronavírus.

No Brasil, esse cenário parece ser ainda mais preocupante. Um novo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, obtido com exclusividade por Universa, mostra que, à medida que a quarentena avançava, os registros policiais de lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica caíram significativamente, sugerindo que as vítimas não estão conseguindo pedir ajuda. Em contrapartida, o número de mulheres assassinadas aumentou: foram 2,2% de feminicídios a mais do que no mesmo período do ano passado, passando de 185 para 189 mulheres assassinadas. O estou foi feito entre março e maio de 2020, com base em registros de ocorrência enviados por 12 estados ao Fórum.

"Já tínhamos a percepção de que os registros iriam cair justamente pela dificuldade da mulher em acessar equipamentos públicos de proteção, como delegacias", afirma Samira Bueno, diretora executiva do Fórum. "O que preocupa é que as mortes de mulheres estejam aumentando. Além disso, há alguns estados em que percebemos uma subnotificação de feminicídios, como no Ceará, que registrou o dobro de casos de homicídios de mulheres em comparação com o ano passado, mas somente um feminicídio a mais. Isso mostra um problema na classificação da violência de gênero que precisa ser resolvido com urgência."

Menos mortes em estados com mais medidas protetivas

Segundo o Fórum, de março a maio de 2020, os registros policiais de lesão corporal dolosa contra mulheres caíram 27,2% nos 12 estados monitorados, em comparação com o mesmo período de 2019. O estudo afirma que há "uma redução em uma série de crimes contra as mulheres", e que esse é um "indicativo de que as mulheres estão encontrando mais dificuldades em denunciar as violências sofridas neste período”.

O Fórum vem acompanhando os casos envolvendo violência contra a mulher na pandemia desde março e já lançou outros dois estudos. O último, divulgado em junho, indicava um aumento de feminicídios de 22,2% nesses mesmos 12 estados entre março e abril deste ano em comparação com o ano passado. Mas o consolidado dos três meses, incluindo maio, indica um aumento de apenas 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado, com um total de 189 crimes — em 2019, foram 185.

Fonte: Universa Uol