SPM participa de debate sobre empreendedorismo pós-pandemia

07/08/2020

A Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA) participou nesta quinta-feira (6) de mais uma edição de A TARDE Conecta, promovida pelo Grupo A Tarde, uma live com mesa redonda sobre o tema "Mulheres e empreendedorismo no pós-pandemia", mediada pelo jornalista Osvaldo Lyra. A live  contou com a participação da titular da SPM-BA, Julieta Palmeira; da vice presidente da Associação Comercial da Bahia e coordenadora da Câmara Estadual da Mulher Empresária da Fecomércio, Rosemma Maluf; e Carla Kuenh, coordenadora do projeto Sebrae Delas.


Rosemma Maluf falou sobre sua experiência como empresária, passada pela maioria das mulheres que empreendem. "Quando a gente fechou o negócio, o que envolveu toda a tensão referente aos colaboradores e fornecedores, além da sobrevivência da empresa, fomos para dentro de casa, acumulando os trabalhos domésticos e cuidados com a família”, disse. Ela lembrou que a maior parte dos negócios empreendidos pelas mulheres, de micro e pequeno porte, são da área de serviços, o setor mais impactado pela pandemia. "Mulheres são menos absorvidas pelo mercado formal e partem para empreender", disse.

Segundo estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), a pobreza tem gênero e cor, ela é feminina e negra, lembrou, e são estas mulheres as que estão sofrendo mais os efeitos da pandemia, disse. Acrescentou que as mulheres são maioria nas universidades, mas um número muito pequeno estão em postos de poder. Do ponto de vista econômico, poucas mulheres tem acesso a crédito. Quando se fala em liderança, as características de um líder, como assertividade, flexibilidade e resiliência, não são inerentes a um gênero. Porém, menos de 13% das mulheres estão no parlamento e menos de 13% nos altos cargos das empresas privadas. Para que a mulher se veja no espaço de poder, se empenhe em avançar, ela precisa de um modelo. Se tiver mais espaço, terá mais protagonismo para avançar, ensinou.

“Temos força de trabalho e força de consumo. Precisamos trazer o debate sobre a equanimidade de gênero para a sociedade. Países mais desenvolvidos são os que tem menores diferenças de gênero. Localmente a situação é diferente. Muitas mulheres estão coagidas em sua casa pela violência doméstica. Ao mesmo tempo, mulheres são responsáveis por 85% de decisão de compra. Se ela tem trabalho tem poder de compra, ensinou.

Carla Kuenh explicou que as mulheres são mais escolarizadas, porém faturam menos. Cerca de 44% delas empreendem por necessidade e negócios não tem muito planejamento e quando vem uma crise esta situação reverbera. Parceria com a SPM vem de 2018 e o Sebrae criou o Sebrae Delas em 2019, trazendo solução para criar redes parceiras onde a sororidade seja prevalente.

Empoderamento

O Sebrae assinou com a ONU Mulheres a Carta de Empoderamento da Mulher em 2018. Nos últimos três anos, 33% das empresas são lideradas por mulheres. “Mas Islândia, Noruega, Finlândia e Suíça são os países com mais equidade entre os gêneros no mundo e entre os mais desenvolvidos. Brasil está na posição 92, o que mostra o quanto estamos longe do padrão ideal. Mulheres são metade da população brasileira, mas sua posição no mundo dos negócios é pequena. Elas sempre tem problemas com empréstimos e pagam juros mais altos", discorreu. Ela lembrou que Jorge Khouri, ex-superintendente do Sebrae-Ba, sempre foi extremamente sensível a esta causa e foi um dos incentivadores do Sebrae Delas.

“Neste momento é preciso ter esperança, entretanto a pandemia está impactando na vida de todo mundo, mas não é igual para todo mundo, diferente no grande setor produtivo em relação ao que ocorre na vida de mulheres, maioria dos empreendedores que trabalham no mercado informal, em micro e pequenos negócios. Mulheres são maioria de serviços na geração de renda informal, na economia solidária".

A secretária Julieta Palmeira, disse que no Brasil mulheres ocupam menos cargos de poder por questões históricas de desigualdades entre homens e mulheres, devido ao patriarcalismo, à masculinidade tóxica. Não é possível ter desenvolvimento sustentável, sem igualdade de gênero e inclusão de pessoas, defendeu. O Sebrae já assumiu esta agenda e a Agenda 20/30 que é de equidade de gênero.

"Nós vamos fazer isto aqui, em breve, com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia e a Federal do Comércio. Mas também temos que lembrar que as autonomias econômica e social das mulheres não pode existir se elas não puderem ser inseridas neste segmento do empreendimento com planejamento e acesso ao crédito. Temos que defender a criação de fundo que faça empréstimos para mulheres, nos moldes do Fundo Esperança que oferece crédito para mulheres a longo prazo sem juros. As mulheres são boas pagadoras e ao receberem ajuda na organização e planejamento tem sucesso com rapidez", finalizou.


Fonte: Jornal A Tarde