O assédio e a agressão não se configuram só com o toque

18/02/2021

Quando falamos em assédio, nos deparamos com um assunto complexo e muito sério, em que é necessário uma discussão. Nós, mulheres, sofremos frequentemente com o assédio em diversos âmbitos. Tanto moral quanto sexual. Seja em um transporte público, no local de trabalho, estudo ou até mesmo no momento de lazer.

Essa é a triste realidade em que vivemos, pois o assédio não se configura apenas com o toque, mas, também, está presente naquele comentário inoportuno, nos olhares maliciosos e em diversas frases que afetam a integridade e o psicológico da mulher.

Uma das principais causas do aumento nos casos de assédio, principalmente o moral, são provenientes do machismo enraizado na nossa sociedade. Este está cada vez mais descarado e vem sendo passado por gerações, onde desde pequenos os meninos assimilam que o desrespeito e a imposição às meninas é visto como motivo de orgulho e demonstração de masculinidade pelos pais.

Uma pesquisa divulgada pela organização internacional de combate à pobreza ActionAid, ligada à ONU, mostra que 86% das mulheres brasileiras foram vítimas de assédio nas ruas e em locais públicos. As mulheres afirmavam que quase todos os dias homens mexiam com elas na rua utilizando expressões como “fiu fiu” e “gostosa”. Informam ainda que se sentem invadidas e que não reagem por medo. A pesquisa ainda aponta que os principais praticantes de assédio são 39% pessoas da família e 34% amigos.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto YouGov mostra que entre as formas de assédio sofridas em público pelas brasileiras, o assobio é o mais comum (77%), seguido por olhares insistentes (74%), comentários de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%). Metade das mulheres entrevistadas disse que já foi seguida nas ruas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% disseram que homens se exibiram para elas e 8% foram estupradas em espaços públicos.

Segundo ela, “muitas brasileiras alteram suas rotinas, desmotivam-se nas escolas e criam estratégias para transitar pelas ruas, a fim de evitar se expor nos espaços públicos. Elas estão iniciando a vida adulta, e isso impacta seu desenvolvimento pessoal, econômico e social”.

A jornalista Karin Hueck defende que há um curto caminho entre chamar a mulher de “linda” e partir para o abuso físico. Ela diz que o assediador parte de um princípio: o corpo da mulher é visto como algo público, algo sobre o qual se pode opinar e, por que não, do qual pode se servir à vontade. Nesse sentido, ouvir um “fiu fiu” ou um “gostosa” não é algo legal, porque essas “cantadas” costumam ficar a um passo da agressão.

A principal diferença entre o assédio e o elogio é que o assédio costuma discutir o corpo e a sexualidade da mulher, e esses assuntos são extremamente íntimos, ou seja, ninguém tem o direito de discuti-lo em público. Já o elogio diz respeito a várias outras qualidades que a mulher pode ter, assim como a inteligência, a competência, o humor, a sensibilidade, a garra, etc. O elogio é algo positivo, já o assédio pode fazer muito mal a quem o recebe.

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Fonte
Portal Catarinas