Outubro Rosa é uma campanha anual realizada mundialmente em outubro, com a intenção de alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama, o segundo tipo de câncer mais frequente em mulheres. A mobilização visa também à disseminação de dados preventivos e ressalta a importância de olhar com atenção para a saúde, além de lutar por direitos como o atendimento médico e o suporte emocional para garantir um tratamento de qualidade.
Durante o mês, diversas instituições abordam o tema para encorajar mulheres a realizarem seus exames e muitas até os disponibilizam. Iniciativas como essa são fundamentais para a prevenção, visto que nos estágios iniciais, a doença é assintomática.
Estatística de Casos
Estima-se que, por ano, ocorram quase 60 mil novos casos da doença no Brasil. Os dados são um alerta para todos, sobretudo para as mulheres, pois o câncer é a causa da morte de cerca de 13 mil mulheres por ano. A doença é mais comum a partir dos 35 anos e com o avançar da idade o risco cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos.
No Brasil, a recomendação da mamografia é anual para mulheres a partir dos 40 anos de idade, de acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). A mamografia é um exame de imagem que permite a identificação precoce de câncer de mama e reduz 20% da taxa de mortalidade. A rotina de mamografia a cada dois anos entre mulheres de 50 a 69 anos permite que 95% dos casos diagnosticados possuem chances de cura.
Na Bahia, foram 3.460 novos casos de câncer em 2020, sendo 1.180 em Salvador, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que corresponde a 34,1% das mulheres baianas. Isso significa dizer que, aproximadamente, uma em cada três mulheres diagnosticadas com câncer de mama moram em Salvador. Muitos dos casos são provocados devido ao padrão de hábitos como sedentarismo, alimentação inadequada, hereditariedade, menopausa tardia e obesidade.
Sintomas
O câncer de mama detectado na fase inicial possui chance de cura e tratamento, em grandes partes dos casos. Quando uma mulher conhece bem suas mamas e se familiariza o que é normal para ela, qualquer sinal de alteração é necessário buscar o serviço de saúde para investigação diagnosticada.
A auto palpação é uma orientação adequada para a mulher fazer sua observação sempre que se sentir confortável seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano, sem necessidade de uma técnica específica de autoexame. Muitas mulheres descobrem o câncer de mama a partir da observação casual e de alterações mamárias.
Prevenção
A prevenção do câncer de mama engloba medida de ações realizadas para reduzir os riscos de ter a doença. Apesar da multiplicidade de fatores de risco relacionamentos ao seu surgimento, vários deles não são modificáveis, porém existem alguns comportamentos considerados protetores que atuam no controle, como por exemplo, a prática da atividade física; manter o peso adequado; adotar uma alimentação saudável; e evitar ou reduzir o consumo de bebida alcoólica. A amamentação também é um fator de proteção. O risco de contrair a doença diminui 4,3% a cada 12 meses de duração de amamentação.
Tratamento
Existem diversos tipos de tratamento indicados para combater o câncer de mama. O plano terapêutico a ser adotado deverá ser definido pelo médico, mediante a análise de todos os exames realizados e pelos dados fornecidos pelo médico patologista, após a realização de biópsia.
A paciente deve ser informada sobre as melhores possibilidades de tratamento existentes para o seu caso, mesmo aquelas que não estejam ao alcance da cobertura do plano de saúde ou que não sejam acessíveis gratuitamente via SUS. A paciente tem direito a questionar e discutir com o médico todas as opções.
A Lei nº 12.732/2.012 estabelece que o paciente com neoplasia maligna tenha o direito de se submeter ao primeiro tratamento no SUS no prazo de até 60 dias, a partir da data em que for firmado o diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso.
É importante reforçar que, para que o prazo da lei seja garantido a todo usuário do SUS, é necessária uma parceria direta dos gestores locais, responsáveis pela organização dos fluxos de atenção; estados e municípios têm autonomia para organizar a rede de atenção oncológica e a regulação dos serviços.
As modalidades de tratamento do câncer de mama podem ser divididas em duas etapas: tratamento local - cirurgia e radioterapia; e tratamento sistêmico - quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.