Criminalização da homofobia completa três anos no Brasil

18/05/2022

Apesar da legislação em vigor, índices apontam crescimento da violência contra pessoas LGBTQIA+ no país

Desde o ano de 2019, que o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que a homofobia pode se enquadrada como crime via Lei Antirracismo. Essa decisão alterou a Lei 7.716/1989 e inclui a discriminação por sexo, orientação sexual ou identidade de gênero na legislação. A pena para esse crime inclui multa e reclusão, que pode durar de um a cinco anos.

No mesmo ano foi sancionada em Salvador a Lei Municipal 9.498/2019, conhecida como Lei Teu Nascimento, que caracteriza como infração o ato discriminatório contra pessoas em razão da orientação sexual e identidade de gênero.

Apesar da proteção legal, os índices relacionados aos crimes de homofobia no país não caíram. Segundo relatório lançado na última quarta-feira (11) pelo Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+, ao todo o Brasil somou 316 mortes de pessoas LGBT em 2021. Esse número representa 33,33% a mais do que no ano anterior.

“O desafio maior dessa comunidade, no Brasil, não é exatamente a legislação, embora ainda se possam discutir melhorias e avanços nesse sentido. Mas, quando pensamos no combate à homofobia e a toda forma de discriminação contra as pessoas LGBTQIA+, vemos que, embora a decisão do STF de 2019 tenha sido uma importante conquista em termos de garantia da proteção legal, seus efeitos permanecem ainda muito simbólicos, uma vez que a eficácia da medida de criminalização deixa a desejar no dia a dia de quem mais sofre”, avalia Carolina Grant, professora da Faculdade Baiana de Direito e pesquisadora nas áreas de Direito, Gênero e Sexualidade.

Violência contra pessoas LGBTQIA+
Este mês, um caso de discriminação ganhou a mídia quando a presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Keila Simpson, foi impedida de entrar no México, onde representaria o Brasil num evento internacional. Devido não ter seus documentos retificados após a transição de gênero, ela foi enviada de volta para o Brasil e não pôde participar presencialmente do Fórum Social Mundial da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong).

Embora originalmente o termo “homofobia” se refira ao preconceito em relação à sexualidade, a palavra também é utilizada para designar de forma ampla o preconceito contra pessoas LGBTQIA+. De acordo com pesquisa publicada na semana passada, em 2021 a Bahia registrou 30 homicídios motivados por homofobia, ocupando o segundo lugar no ranking nacional. Em primeiro lugar está o estado de São Paulo com 42 óbitos.

Homens gays representaram a maioria das mortes da comunidade LGBTQIA+ (45,89%), seguidos de travestis e mulheres trans (43,9%) e mulheres lésbicas (3,8%). Homens trans somam 2,53% desse percentual e bissexuais, 0,95%. O relatório foi produzido com dados coletados por ONGs devido a inexistência de registros governamentais com recorte para violência contra pessoas LGBTQIA+.

As informações publicadas no Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+ foram coletadas em parceria pela Acontece – Arte e Política LGBTI+, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT). A ausência de números oficiais relacionados a crimes de homofobia indicam uma provável subnotificação dos casos – o que significa que há mais vítimas do que se pôde calcular. Para evitar a omissão desses crimes, denuncie.

Os números podem ser consultados no Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+

Canais de denúncia
Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT (CPDD-LGBT)
Vinculado Secretaria de Justiça
Endereço: Rua do Tijolo, nº 08, no Pelourinho – Salvador
Atendimento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h

Centro de Apoio Especial aos Direitos Humanos (CAODH)
Vinculado ao Ministério Público
Telefones: (71) 3103-6729 (Promotoria de Direitos Humanos) | (71) 3103-6400 (Geral)
Endereço: Avenida Joana Angélica, nº 1.312, Nazaré – Salvador/BA

Centro Municipal de Referência LGBT+ Vida Bruno
Telefone: (71) 3202-2750
Endereço: Av. Oceânica, nº 3731 – Rio Vermelho – Salvador/BA
Atendimento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h

Observatório da Discriminação Racial e LGBT
Telefone: (71) 3202-2759 | Whatsapp: (71) 98622-5494
Endereço: Av. Carlos Gomes, no Clube de Engenharia da Bahia (nº 31) – Salvador/BA
Atendimento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
Denuncie no link

Denúncia contra Direitos Humanos (Governo Federal)
Disque 100

 

Fonte
Bahia.BA