Mais de 70 percussionistas tomaram o Largo do Cruzeiro de São Francisco , no Centro Histórico de Salvador, na tarde desta terça-feira (22) em um brado contra a violência às mulheres. Realizada pela Secretaria de Políticas para as Mulehres da Bahia (SPM-BA), a segunda edição do evento “No batuque do tambor” marcou a abertura oficial dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência e pela garantia dos direitos das mulheres.
O ritmo do afoxé das Filhas de Gandhy abriu o evento. O som do agogô e do chocalho iniciou o batuque, seguido pelas instrumentistas dos demais grupos participantes que formavam um grande círculo. Cada banda teve a sua vez de puxar o ritmo e as demais acompanhavam numa apresentação harmoniosa, mesmo sem ensaio.
Além das Filhas de Gandhy participaram instrumentistas das bandas Didá, Yayá Muxima, A Mulherada, Meninos da Rocinha (só as mulheres) e o grupo Mulheres Percussivas de Santo Amaro, representando as instrumentistas do recôncavo baiano.
“Esse evento é um brado a partir do protagonismo de mulheres percussionistas mostrando que o lugar de mulher é onde ela quiser, chamando a atenção da sociedade para a importância de eliminarmos a violência contra as mulheres”, disse a secretária da SPM, Julieta Palmeira.
21 dias de ativismo
Os 21 dias de ativismo são uma mobilização educativa mundial criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com a participação de mais de 150 países. Nas demais localidades são 16 dias de ativismo, iniciados em 25 de novembro, quando se comemora o Dia Mundial pela Eliminação da Violência contra a Mulher.
Desde 2017, no Brasil a mobilização foi acrescida de mais cinco dias começando em 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, para ressaltar a maior vulnerabilidade das mulheres negras no país com a segunda maior população negra fora do continente africano. Segundo o Atlas da Violência 2021, 68,1% das vítimas de feminicídio no Brasil, ano passado, eram mulheres negras.
“Nós estamos na base da pirâmide social e isso significa que estamos ainda mais distantes dos salários, da rentabilidade e da segurança econômica. Vamos rufar os tambores para que a gente possa protagonizar números positivos”, disse a fundadora da Yayá Muxima, Viviam Caroline, ao lembrar que as mulheres negras são as mais vulneráveis.
Jornalista, instrumentista e produtora cultural, Viviam puxou o canto acompanhando as ritmistas com músicas afirmativas e exortando o respeito às mulheres com o mote da campanha Respeita as Mina. A campanha de enfrentamento à violência lançada pela SPM desde 2017 busca também promover o empoderamento das mulheres de modo geral e por meio da ocupação de espaços costumeiramente destinado aos homens a exemplo da percussão.
Fonte: Ascom/SPM