O projeto “Oxe, me respeite – nas escolas” se consolida como uma importante rede de diálogo, formação e acolhimento nas unidades de ensino da rede estadual da Bahia. A ação é uma iniciativa da Secretaria das Mulheres do Estado (SPM) em parceria com a Secretaria da Educação (SEC), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), e integra o programa Bahia pela Paz, que reúne iniciativas de proteção social e promoção de uma cultura de paz entre a juventude baiana.
Em 2025, o projeto contou com 51 Comitês Escolares Multidisciplinares implantados em diferentes escolas do estado, a exemplo do Colégio Estadual Professora Nilde Maria Monteiro Xavier, em Palmeiras, na Chapada Diamantina, e do Colégio Estadual Nossa Senhora da Penha, em Catolândia. Esses comitês são responsáveis por planejar e desenvolver ações pedagógicas que promovam o enfrentamento às desigualdades de gênero e o empoderamento das meninas e mulheres.
A secretária das Mulheres do Estado, Neusa Cadore, falou sobre a importância do projeto. “O Oxe, me respeite nas escolas é um movimento de transformação social. Com esse projeto, dialogamos com a juventude para mostrar que o respeito é a base de toda relação. Agradeço aos educadoras, que são nossas maiores aliadas nessa jornada. Educar para o respeito é o caminho mais curto para uma sociedade onde nenhuma mulher precise ter medo de ser quem ela é”, afirmou.
Ao longo do ano letivo, as equipes realizaram campanhas educativas, rodas de conversa, oficinas e atividades culturais que envolveram toda a comunidade escolar e contribuíram para o alcance das finalidades previstas em lei. “Além disso, os comitês sugeriram temas de formação continuada para professores e servidores, em parceria com o Instituto Anísio Teixeira (IAT), a SPM, a SEC, SJDH e SESAB”, destacou Francileide Araujo, coordenadora de prevenção à violência contra a mulher da SPM.
Os Comitês Escolares Multidisciplinares têm a função de elaborar o Plano Anual de Ações Pedagógicas voltadas à discussão curricular de temáticas relacionadas à igualdade de gênero, valorização das mulheres e enfrentamento à violência. Cada comitê é composto por representantes dos docentes, estudantes, preferencialmente líderes de turma, e voluntárias/os do território escolar, como integrantes do CRAS, CRAM ou de Instituições de Ensino Superior (IES) parceiras.
Resultados e impactos nas escolas
Em pouco tempo, os resultados do projeto se mostraram expressivos. De acordo com Isis Fraga, educadora do projeto “Oxe, me respeite!” no Colégio Nilde Maria Monteiro Xavier, no município de Palmeiras, o impacto foi perceptível em cada turma. “O projeto apresentou resultados muito positivos em todas as escolas e municípios por onde passou, mesmo com realidades e perfis bem diferentes. É perceptível o quanto as reflexões propostas têm feito bem aos estudantes, fortalecendo o diálogo, o respeito e o pensamento crítico sobre temas importantes do cotidiano. No Colégio Nilde, por exemplo, o impacto foi tão significativo que o comitê foi solicitado para desenvolver atividades também nos anexos. Um sinal claro de que as ações do Oxe, me respeite! têm inspirado e se multiplicado dentro da comunidade escolar.”
Para a estudante Danielle Sahy, 16 anos, de Palmeiras, o projeto contribuiu para promover uma nova forma de pensar e agir dentro e fora da escola. “Participar do projeto Oxe, me respeite – nas escolas foi muito importante, porque, de certa forma, nos ajuda a educar enquanto estamos nos tornando adultos. Estamos ingressando na vida adulta com outro pensamento, principalmente os meninos, porque essas oficinas e o incentivo do projeto ajudam a desconstruir um pouco o machismo que vem da forma como somos educados. O projeto contribui para desconstruir o pensamento machista que muitas vezes é normalizado e enraizado na nossa criação. Não culpo nossos pais por isso, porque é algo histórico. Por isso, é tão importante repensar esses valores. Vivemos em um mundo globalizado, com acesso a muitas informações, e isso, ajuda a perceber que o mundo de hoje não é o mesmo de antigamente. As mulheres não precisam ser submissas aos homens, nem fazer tudo do jeito que eles querem, como aprendemos ao longo da história. Hoje entendemos que temos voz, autonomia e o direito de sermos respeitadas.”
Em Catolândia, Joelma Vasco Sardeiro, coordenadora do colégio Estadual Nossa Senhora da Penha também relata avanços concretos. “O programa Oxe, me respeite foi essencial em nosso colégio. Foram abordadas pautas extremamente necessárias no ambiente escolar, como empoderamento feminino, violência doméstica, respeito ao corpo, doenças sexualmente transmissíveis, vida sexual, entre outros temas. Ficamos muito felizes com os resultados do programa, e principalmente com o conhecimento adquirido por nossos estudantes”.
A estudante Lara Keisianne de Souza, de 17 anos, do município de Catolândia também percebe o impacto direto das atividades. “O projeto foi de extrema importância e trouxe muito aprendizado. Tivemos momentos de diálogo e dinâmicas sobre violência contra a mulher, direitos das mulheres, consentimento e respeito. Também falamos sobre limites, pois quando a mulher diz não, é não. Foi uma experiência transformadora, que envolveu meninos e meninas e ajudou a criar uma visão mais consciente sobre a igualdade e o valor das mulheres na sociedade. Foi um momento em que todos aprenderam muito. Acredito que esse projeto vai contribuir para formar uma sociedade cada vez mais consciente, que respeite as mulheres e reconheça seu valor e importância no mundo.”
Formação cidadã e multiplicadora
O projeto “Oxe, me respeite – nas escolas” tem como objetivo promover a formação cidadã de estudantes, com foco na prevenção e enfrentamento às violências de gênero e raça. Em 2025, o projeto alcançou 300 escolas da rede estadual, beneficiando milhares de estudantes em 150 municípios e em 10 Territórios de Identidade da Bahia.
Ascom SPM