Capacitação de mulheres trabalhadoras rurais

18/05/2015
Mulheres no Encontro em Prado
Continua o processo de formação de mulheres assentadas rurais da Bahia, viabilizadas por meio de parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-BA), Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Fundesf e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A previsão é que aproximadamente de 600 mulheres sejam envolvidas direta e indiretamente com a iniciativa, a partir da capacitação de lideranças do segmento feminino sobre o acesso a políticas públicas, direitos de cidadania, enfrentamento à violência doméstica, dentre outros conteúdos. A região do extremo sul baiano foi a mais recente a sediar as ações, através de encontro no Assentamento Jaci Rocha, localizado no município de Prado.

Mulheres no Encontro em Prado

O último dia capacitação aconteceu na sexta-feira (26), com presença da titular da SPM, Vera Lúcia Barbosa. “Temos a convicção de que não há outra forma de enfrentarmos a quebra do ciclo da violência doméstica e familiar, por exemplo, sem a promoção da autonomia plena das mulheres”, afirmou. Na opinião de Elisabeth Rocha, da direção nacional do MST, trata-se da oportunidade de trabalhar com mulheres que, a partir de agora, terão mais subsídios para atuarem como lideranças e fortes multiplicadoras dos conteúdos sobre a igualdade de gênero.

Mulheres no Encontro em Prado

Oficinas interativas foram realizadas ao longo das atividades, contando com a contribuição da advogada Ana Carolina Alencar, da assessoria jurídica da SPM, quando foram socializadas informações sobre direitos das mulheres, benefícios sociais, direitos trabalhistas, de família e orientações acerca da Lei Maria da Penha, importante instrumento legal de defesa do segmento feminino.

Mulheres no Encontro em Prado

Troca de experiência fortalece a luta - O evento foi marcado pela troca de experiências entre mulheres, muitas com histórias de superação ou ainda de luta pela conquista de autonomia e protagonismo. Myriam Oliveira, 49 anos, moradora do município de Mucuri, é um dos exemplos de crescimento na vida. Ela conta que cumpre as variadas jornadas, domésticas e profissionais, tendo a satisfação de dividir com seu companheiro as responsabilidades e vitórias alcançadas. “Sinto-me realizada como mulher. É um privilégio ter uma vida ativa, com meu pedaço de terra. Lá em casa todo o trabalho é dividido e tenho meu poder de decisão também”, contou, a trabalhadora rural, que atua no setor de Educação do Campo no MST, é costureira profissional, cuida de horta domiciliar, criação de pequenos animais e comercializa produtos da agricultura familiar na feira livre local.

A agricultora Maria da Ajuda de Jesus, 21 anos, também relatou suas vivências durante o período de união afetiva com seu companheiro, no município de Itamaraju. Conviveu com ele por 5 anos, passando a maior parte desse tempo sofrendo violência, praticada pelo próprio marido. “Toda vez que ele bebia eu apanhava. Isso porque queria que eu tivesse obediência a partir de tudo que ele falava ou queria. Daí a relação ficou estremecida e resolvi mudar de vida quando soube da situação de uma mulher com problema parecido, que acabou sendo assassinada pelo esposo”, contou, acompanhada da filha durante o encontro. “É importante que as mulheres consigam superar histórias como essa”, completou, revelando que há 1 ano está separada do agressor.



*Fotos: Kleidir Costa/SPM-BA