24/01/2019
Romper desafios e vencer. Este é o slogan que as mulheres empreendedoras do Brasil trabalham, mentalmente, todos os dias para continuar investindo no próprio negócio seja nos tempos de crise ou de bonança. São mulheres vigorosas, confiantes e destemidas como Romilda Bitencourt, 43 anos, mãe de três filhos que, às duras penas, mantém um salão de beleza, no bairro de Macaúbas, em Salvador, onde aposta tudo, inclusive, sonhos de um dia ser uma vencedora nos negócios empresariais.
No salão de beleza, onde investiu R$20 mil, desde a compra de produtos ao aluguel do ponto, passando pelas reformas para colocar ao seu gosto, Romilda Bitencourt tira o sustento diário de casa. “Hoje, a clientela está bem menor do que antes. Em média, atendo umas 20 pessoas por semana. Mas, nos bons tempos de bonança tive até fila de espera na porta. Todos querendo cuidar da beleza para se apresentar cada vez melhor”, comenta.
SUPERANDO
Dois anos atrás, em 2017, o Sebrae divulgou uma pesquisa dando informações de que o número de mulheres empreendedoras já superava o de homens. E apontava que, quase metade delas, investiu no próprio negócio por pura necessidade. Assim como a cabeleireira que para ampliar a renda e sobreviver a crise econômico-financeira do país, voltou rápida à sala de aula, sendo para estudar Enfermagem com especialização em hemodiálise.”Além da profissão de cabeleireira posso trabalhar também em outra especialidade”, justifica.
As pesquisas registram ainda que o maior número de anos de estudos e as inovações tecnológicas, - o que permite trabalho em casa -, estão impulsionando o empreendedorismo feminino no Brasil. E asseguram, ainda, que a inspiração do espírito guerreiro e empreendedor dessas mulheres vêm, geralmente, de um familiar mais próximo. Este fato pode ser facilmente comprovado na vida de Joyce Improta, 36 anos.
Estimulada pelo marido Parcivaldo Barbosa ela adquiriu uma franquia, que presta serviços a quem tem piscina. “Eu trabalhava no Polo Petroquímico, mas já estava enjoada do que fazia. Conversei com ele sobre minha desmotivação e um dia numa feira de franquia, no Shopping Bela Vista, descobri meu lado empreendedor. E graças à Deus recebi a total aprovação dele”
O fato de escolher este tipo de franquia tem muito a ver com o péssimo atendimento que Joyce Improta recebeu do franqueador, quando adquiriu a piscina para sua casa. “Agora, estou deixando esta franquia de lado, mas vou continuar no ramo com uma loja própria, em Stella Mares”.
O que ela não esconde é a decepção na contratação da mão-de-obra para sua empresa. “Percebo, claramente, que falta compromisso de quem busca emprego. A maioria dos contratados parece preferir viver de ‘bico’ do que ter a carteira de trabalho assinada”, argumenta.
SONHO
Questionada sobre o motivo da evolução do empreendedorismo feminino, a gerente da Unidade de Comunicação do Sebrae-Bahia, Camila Passos diz: “Diferente do passado, quando a mulheres empreendiam pela necessidade de assumirem ou dividirem os gastos familiares, o empreendedorismo feminino cresce, hoje, por oportunidade. São mulheres que têm o sonho de ter seu próprio negócio e enxergam no empreendedorismo a possibilidade de conciliar trabalho e família”.
E acrescenta: “Muito além do que o ato de empreender, o empreendedorismo feminino deve ser compreendido como instrumento de transformação social. Ele se traduz como um movimento importante para dar força e visibilidade a outras questões relacionadas ao universo feminino”.
Sobre as principais vantagens das mulheres no universo empreendedor Camila Passos reconhece que “as mulheres mostram facilidade de trabalhar em equipe. São flexíveis, cautelosas e estimulam o compartilhamento de informações para favorecer a tomada de decisão assertivas.”
DIFERENÇA
Em nota enviada à Tribuna da Bahia, a Assessoria de Comunicação do Sebrae-Bahia diz que o ato de empreender pelas mulheres existe há muito tempo e que transcende marcos históricos já sinalizados. “A diferença é que antes elas empreendiam mais por necessidade de assumir os gastos familiares. Faziam naquelas tarefas as quais estavam acostumadas e eram dotadas, como a venda de confecções que elas mesmas costuravam, doces e artesanato feitos pelas próprias mãos”.
Na Bahia, em particular, a venda das comidas de matriz africana como o acarajé, efó e abará é secular. Também, há o exemplo das ‘ganhadeiras’, aquelas mulheres que compravam peixes, os tratavam e empalhavam e saiam com seus balaios a pé pelo centro da cidade de Salvador para vender seus produtos. “Hoje, as mulheres empreendem mais para atender ao sonho de ter um negócio próprio naquilo que elas enxergaram uma oportunidade para vencer na vida”, sublinha a nota do Sebrae-Bahia.
Ano a ano, as mulheres vêm se destacando no ato de empreender pela facilidade que têm em lidar com as pessoas, por gostarem de trabalhar em equipe, de serem mais flexíveis e estimularem o compartilhamento de informações a fim de que as decisões sejam racionais e determinadas. “Ao abrir negócios: em geral, elas fazem cientes da realização pessoal, com a percepção de uma oportunidade de mercado, de ascensão na carreira e da necessidade de sobrevivência e a possibilidade de conciliar trabalho e família”, completa.
PERFIL
Estudos realizados pelo Sebrae Nacional definiram o perfil da mulher empreendedora e suas características gerenciais. “Elas têm perfil mais conservador ao enfrentar riscos; valorizam o indivíduo nos processos decisórios; enfatizam mais a qualidade do que os homens; manifestam postura favorável ao envolvimento familiar na organização; e tendem a empregar mais mulheres do que homens. Esse estilo feminino de gerenciar somado à dedicação que elas imputam ao seu trabalho contribuem de forma decisiva nas altas taxas de sobrevivência das empresas geridas por mulheres. As mulheres empreendem mais por identificarem mais oportunidades, à capacidade de relacionamento em rede, de gestão e ao posicionamento em cenários conjunturais.
O documento diz, ainda, que muito mais do que o ato de empreender, é importante compreender o empreendedorismo feminino como forte instrumento de transformação social.“Embora esteja em ascensão, ainda há fatores que limitam a sobrevida de seus empreendimentos. As empresas abertas por elas tendem a ter a vida mais curta. Boa parte dos empreendedores não busca a ajuda necessária para iniciar seu negócio”.
Para que o slogan Romper desafios e vencer continue em alta, o Sebrae Bahia está de portas abertas para as mulheres e dispõe de ações de fomento ao empreendedorismo feminino. Mantém, sempre aberta, a ‘Sala da Mulher Empreendedora’ oferecendo oportunidade de cursos, consultorias, capacitações e outras ações. Nesta e em outras ações, o Sebrae Bahia conta com a parceria da Secretaria de Política para Mulheres Infância e Juventude da Prefeitura de Salvador (SPMJ) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac Bahia).
No salão de beleza, onde investiu R$20 mil, desde a compra de produtos ao aluguel do ponto, passando pelas reformas para colocar ao seu gosto, Romilda Bitencourt tira o sustento diário de casa. “Hoje, a clientela está bem menor do que antes. Em média, atendo umas 20 pessoas por semana. Mas, nos bons tempos de bonança tive até fila de espera na porta. Todos querendo cuidar da beleza para se apresentar cada vez melhor”, comenta.
SUPERANDO
Dois anos atrás, em 2017, o Sebrae divulgou uma pesquisa dando informações de que o número de mulheres empreendedoras já superava o de homens. E apontava que, quase metade delas, investiu no próprio negócio por pura necessidade. Assim como a cabeleireira que para ampliar a renda e sobreviver a crise econômico-financeira do país, voltou rápida à sala de aula, sendo para estudar Enfermagem com especialização em hemodiálise.”Além da profissão de cabeleireira posso trabalhar também em outra especialidade”, justifica.
As pesquisas registram ainda que o maior número de anos de estudos e as inovações tecnológicas, - o que permite trabalho em casa -, estão impulsionando o empreendedorismo feminino no Brasil. E asseguram, ainda, que a inspiração do espírito guerreiro e empreendedor dessas mulheres vêm, geralmente, de um familiar mais próximo. Este fato pode ser facilmente comprovado na vida de Joyce Improta, 36 anos.
Estimulada pelo marido Parcivaldo Barbosa ela adquiriu uma franquia, que presta serviços a quem tem piscina. “Eu trabalhava no Polo Petroquímico, mas já estava enjoada do que fazia. Conversei com ele sobre minha desmotivação e um dia numa feira de franquia, no Shopping Bela Vista, descobri meu lado empreendedor. E graças à Deus recebi a total aprovação dele”
O fato de escolher este tipo de franquia tem muito a ver com o péssimo atendimento que Joyce Improta recebeu do franqueador, quando adquiriu a piscina para sua casa. “Agora, estou deixando esta franquia de lado, mas vou continuar no ramo com uma loja própria, em Stella Mares”.
O que ela não esconde é a decepção na contratação da mão-de-obra para sua empresa. “Percebo, claramente, que falta compromisso de quem busca emprego. A maioria dos contratados parece preferir viver de ‘bico’ do que ter a carteira de trabalho assinada”, argumenta.
SONHO
Questionada sobre o motivo da evolução do empreendedorismo feminino, a gerente da Unidade de Comunicação do Sebrae-Bahia, Camila Passos diz: “Diferente do passado, quando a mulheres empreendiam pela necessidade de assumirem ou dividirem os gastos familiares, o empreendedorismo feminino cresce, hoje, por oportunidade. São mulheres que têm o sonho de ter seu próprio negócio e enxergam no empreendedorismo a possibilidade de conciliar trabalho e família”.
E acrescenta: “Muito além do que o ato de empreender, o empreendedorismo feminino deve ser compreendido como instrumento de transformação social. Ele se traduz como um movimento importante para dar força e visibilidade a outras questões relacionadas ao universo feminino”.
Sobre as principais vantagens das mulheres no universo empreendedor Camila Passos reconhece que “as mulheres mostram facilidade de trabalhar em equipe. São flexíveis, cautelosas e estimulam o compartilhamento de informações para favorecer a tomada de decisão assertivas.”
DIFERENÇA
Em nota enviada à Tribuna da Bahia, a Assessoria de Comunicação do Sebrae-Bahia diz que o ato de empreender pelas mulheres existe há muito tempo e que transcende marcos históricos já sinalizados. “A diferença é que antes elas empreendiam mais por necessidade de assumir os gastos familiares. Faziam naquelas tarefas as quais estavam acostumadas e eram dotadas, como a venda de confecções que elas mesmas costuravam, doces e artesanato feitos pelas próprias mãos”.
Na Bahia, em particular, a venda das comidas de matriz africana como o acarajé, efó e abará é secular. Também, há o exemplo das ‘ganhadeiras’, aquelas mulheres que compravam peixes, os tratavam e empalhavam e saiam com seus balaios a pé pelo centro da cidade de Salvador para vender seus produtos. “Hoje, as mulheres empreendem mais para atender ao sonho de ter um negócio próprio naquilo que elas enxergaram uma oportunidade para vencer na vida”, sublinha a nota do Sebrae-Bahia.
Ano a ano, as mulheres vêm se destacando no ato de empreender pela facilidade que têm em lidar com as pessoas, por gostarem de trabalhar em equipe, de serem mais flexíveis e estimularem o compartilhamento de informações a fim de que as decisões sejam racionais e determinadas. “Ao abrir negócios: em geral, elas fazem cientes da realização pessoal, com a percepção de uma oportunidade de mercado, de ascensão na carreira e da necessidade de sobrevivência e a possibilidade de conciliar trabalho e família”, completa.
PERFIL
Estudos realizados pelo Sebrae Nacional definiram o perfil da mulher empreendedora e suas características gerenciais. “Elas têm perfil mais conservador ao enfrentar riscos; valorizam o indivíduo nos processos decisórios; enfatizam mais a qualidade do que os homens; manifestam postura favorável ao envolvimento familiar na organização; e tendem a empregar mais mulheres do que homens. Esse estilo feminino de gerenciar somado à dedicação que elas imputam ao seu trabalho contribuem de forma decisiva nas altas taxas de sobrevivência das empresas geridas por mulheres. As mulheres empreendem mais por identificarem mais oportunidades, à capacidade de relacionamento em rede, de gestão e ao posicionamento em cenários conjunturais.
O documento diz, ainda, que muito mais do que o ato de empreender, é importante compreender o empreendedorismo feminino como forte instrumento de transformação social.“Embora esteja em ascensão, ainda há fatores que limitam a sobrevida de seus empreendimentos. As empresas abertas por elas tendem a ter a vida mais curta. Boa parte dos empreendedores não busca a ajuda necessária para iniciar seu negócio”.
Para que o slogan Romper desafios e vencer continue em alta, o Sebrae Bahia está de portas abertas para as mulheres e dispõe de ações de fomento ao empreendedorismo feminino. Mantém, sempre aberta, a ‘Sala da Mulher Empreendedora’ oferecendo oportunidade de cursos, consultorias, capacitações e outras ações. Nesta e em outras ações, o Sebrae Bahia conta com a parceria da Secretaria de Política para Mulheres Infância e Juventude da Prefeitura de Salvador (SPMJ) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac Bahia).
Fonte: Tribuna da Bahia