14/07/2016
Fonte: Secom Bahia
O documentário ‘Minha Avó era Palhaço!’, dirigido por Ana Minehira e Mariana Gabriel, será exibido pela primeira vez na Bahia, nesta sexta-feira (15), em sessão gratuita, às 19h, na Sala Walter da Silveira, no bairro dos Barris, em Salvador, com o apoio da Fundação Cultural (Funceb), por meio do Núcleo de Artes Circenses/Dirart, e da Diretoria de Artes Visuais (Dimas), unidades da Secretaria de Cultura do Estado (Secult).
O filme tem esse nome porque uma mulher, Maria Eliza Alves dos Reis, se apresentava como ‘Xamego’, palhaço homem, sendo a primeira palhaça negra do Brasil e grande atração do Circo Guarany, em São Paulo, no início da década de 40. Após a exibição, acontece um debate com a presença de Mariana Gabriel (neta de Maria Eliza). Racismo, machismo e a longa luta de um palhaço pelo papel principal no espetáculo circense são os assuntos discutidos no documentário.
A narrativa conta a trajetória de ‘Xamego’ e a sua longa história no Circo Guarany, circo de família tradicional – inaugurado no início do século 20, em São Paulo, e que pertencia ao seu pai. Com 52 minutos, o filme é o resultado visual de entrevistas, encontros, leituras, consultas virtuais e a organização de fotos antigas com curiosos trajes circenses dos séculos 19 e 20, além de interessantes registros da palhaça homem, que animava festas da família até alguns anos antes de falecer, em 2007, aos 98 anos.
O documentário é decorrência do prêmio Funarte Caixa Carequinha de fomento ao circo na categoria pesquisa de 2014 e está inscrito em festivais de cinema nacionais e internacionais. Já percorreu as cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Sorocaba, Campinas, Santo André e Rio de Janeiro, chegando agora ao estado da Bahia.
Circo Guarani
João Alves, pai de Maria Eliza, era negro livre, embora filho de escrava, e dono do Circo Guarany. Nasceu em 1873, dois anos após a promulgação da Lei do Ventre Livre, que libertava os bebês das escravas. Não se tem notícia ao certo de quando ele adquiriu o circo. O fato é que foi um grande empresário até seus 70 anos de idade. Maria Eliza presenciou na infância o auge do circo, que viajava pelo Brasil inteiro.
Números de trapézio, palhaço, animais adestrados, mágicos e malabaristas eram algumas das atrações do “maior circo do Brasil”, como anunciavam os alto-falantes nas cidades por onde ele passava. No picadeiro se montavam peças teatrais - era a época do circo-teatro, com grandes encenações como ‘Paixão de Cristo’ e ‘Morro dos Ventos Uivantes’. Em um período anterior à televisão, o circo era o grande divertimento das pessoas e concentrava o que hoje seriam shows de música, teatro e cinema.
No Circo Guarany se apresentavam famosas famílias circenses como os Temperani, dos grandes pilotos do Globo da Morte, e os Seyssel, dos palhaços Arrelia e Pimentinha. A grande atração do circo era Ondina, a Mulher Cobra, acrobata e mãe de Oscarito, que se tornaria, na década de 40, um dos maiores nomes do cinema ao lado de Grande Otelo.
Havia também um sanfoneiro que fazia muito sucesso com suas músicas, vestimentas e sandálias de couro - Luiz Gonzaga. Uma dupla caipira famosa cantava ‘O Rio de Piracicaba’, eram Tonico e Tinoco. Outra atração que animava o público era a ‘Caravana do Peru que Fala’, comandada pelo na época, jovem radialista Silvio Santos, trazendo os cômicos Ronald Golias, Manoel de Nóbrega e sua trupe.
Primeira palhaça negra do Brasil
Maria Eliza Alves dos Reis enfrentou o racismo e o machismo de sua época. Nasceu na primeira década do século 20. Mãe de nove filhos, enfrentou a perda de sete deles ainda pequenos, mas teve força e alegria para criar os outros dois, um casal - Aristeu Alves dos Reis, que foi guitarrista do cantor Roberto Carlos por 40 anos, e Daise Alves dos Reis, jornalista e mãe de Mariana Gabriel, uma das diretoras do filme, que também interpreta uma palhaça chamada Birota.
No início da era do Rádio, em 1929, Maria Eliza e sua irmã Ifigênia, a Tita, tentaram a carreira de cantoras. Passaram um tempo no Rio de Janeiro investindo no sonho, e ficaram na casa do tio Benjamin de Oliveira, um dos maiores palhaços do Brasil - e o primeiro palhaço negro de que se tem notícia.
O filme tem esse nome porque uma mulher, Maria Eliza Alves dos Reis, se apresentava como ‘Xamego’, palhaço homem, sendo a primeira palhaça negra do Brasil e grande atração do Circo Guarany, em São Paulo, no início da década de 40. Após a exibição, acontece um debate com a presença de Mariana Gabriel (neta de Maria Eliza). Racismo, machismo e a longa luta de um palhaço pelo papel principal no espetáculo circense são os assuntos discutidos no documentário.
A narrativa conta a trajetória de ‘Xamego’ e a sua longa história no Circo Guarany, circo de família tradicional – inaugurado no início do século 20, em São Paulo, e que pertencia ao seu pai. Com 52 minutos, o filme é o resultado visual de entrevistas, encontros, leituras, consultas virtuais e a organização de fotos antigas com curiosos trajes circenses dos séculos 19 e 20, além de interessantes registros da palhaça homem, que animava festas da família até alguns anos antes de falecer, em 2007, aos 98 anos.
O documentário é decorrência do prêmio Funarte Caixa Carequinha de fomento ao circo na categoria pesquisa de 2014 e está inscrito em festivais de cinema nacionais e internacionais. Já percorreu as cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Sorocaba, Campinas, Santo André e Rio de Janeiro, chegando agora ao estado da Bahia.
Circo Guarani
João Alves, pai de Maria Eliza, era negro livre, embora filho de escrava, e dono do Circo Guarany. Nasceu em 1873, dois anos após a promulgação da Lei do Ventre Livre, que libertava os bebês das escravas. Não se tem notícia ao certo de quando ele adquiriu o circo. O fato é que foi um grande empresário até seus 70 anos de idade. Maria Eliza presenciou na infância o auge do circo, que viajava pelo Brasil inteiro.
Números de trapézio, palhaço, animais adestrados, mágicos e malabaristas eram algumas das atrações do “maior circo do Brasil”, como anunciavam os alto-falantes nas cidades por onde ele passava. No picadeiro se montavam peças teatrais - era a época do circo-teatro, com grandes encenações como ‘Paixão de Cristo’ e ‘Morro dos Ventos Uivantes’. Em um período anterior à televisão, o circo era o grande divertimento das pessoas e concentrava o que hoje seriam shows de música, teatro e cinema.
No Circo Guarany se apresentavam famosas famílias circenses como os Temperani, dos grandes pilotos do Globo da Morte, e os Seyssel, dos palhaços Arrelia e Pimentinha. A grande atração do circo era Ondina, a Mulher Cobra, acrobata e mãe de Oscarito, que se tornaria, na década de 40, um dos maiores nomes do cinema ao lado de Grande Otelo.
Havia também um sanfoneiro que fazia muito sucesso com suas músicas, vestimentas e sandálias de couro - Luiz Gonzaga. Uma dupla caipira famosa cantava ‘O Rio de Piracicaba’, eram Tonico e Tinoco. Outra atração que animava o público era a ‘Caravana do Peru que Fala’, comandada pelo na época, jovem radialista Silvio Santos, trazendo os cômicos Ronald Golias, Manoel de Nóbrega e sua trupe.
Primeira palhaça negra do Brasil
Maria Eliza Alves dos Reis enfrentou o racismo e o machismo de sua época. Nasceu na primeira década do século 20. Mãe de nove filhos, enfrentou a perda de sete deles ainda pequenos, mas teve força e alegria para criar os outros dois, um casal - Aristeu Alves dos Reis, que foi guitarrista do cantor Roberto Carlos por 40 anos, e Daise Alves dos Reis, jornalista e mãe de Mariana Gabriel, uma das diretoras do filme, que também interpreta uma palhaça chamada Birota.
No início da era do Rádio, em 1929, Maria Eliza e sua irmã Ifigênia, a Tita, tentaram a carreira de cantoras. Passaram um tempo no Rio de Janeiro investindo no sonho, e ficaram na casa do tio Benjamin de Oliveira, um dos maiores palhaços do Brasil - e o primeiro palhaço negro de que se tem notícia.