Antropóloga Sheila Walker visita SPM-BA e se reúne com representantes da Rede de Atenção

04/07/2017
A antropóloga norte-americana Sheila Walker visitou, hoje, a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM-BA), onde foi recebida pela titular da pasta, Julieta Palmeira, e pela chefe de gabinete, Karla Ramos. Sheila Walker teve um encontro reservado com a secretária da SPM-BA, que a presenteou com materiais informativos e camiseta da campanha Respeita as Mina, de combate à violência contra as mulheres.

Sheila Walker está no Brasil a convite do Coletivo de Mulheres Negras (CEN) para uma palestra em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Afro-Latino Americana e Caribenha, agora em julho. A antropóloga e a gestora da SPM-BA se reuniram com representantes do CEN e da Rede de Atenção à Mulher em Situação de Violência como a defensora pública, Eva Rodrigues; a desembargadora Nágila Brito, e a promotora Lívia Vaz, além de integrantes da mídia cidadã representada pela TV Kirimurê.

No encontro, a secretária da SPM-BA destacou a satisfação em receber Sheila Walker e o importante papel desempenhado pela secretaria na elaboração de ações e políticas voltadas para o empoderamento das mulheres, principalmente das mulheres negras que representam a maioria da população e acrescentou: “A cultura machista não se supera apenas com campanha de sensibilização, mas com políticas estruturantes e com as mulheres ocupando os espaços de poder na sociedade.”

A antropóloga norte-americana contou um pouco da sua história e como conheceu a África aos 19 anos, quando passou dois meses estudando em Camarões, experiência que mudou a vida e a concepção da África e do mundo. “Naquela pequena cidade havia museu, havia um rei. Morei com uma família que muito se orgulhava da sua cultura”, relatou.

Walker lembrou que quando entrou para a universidade nos Estados Unidos tentaram fazê-la crer que fazia parte de um grupo étnico que não tinha cultura. “Vocês do Brasil e da Bahia, especialmente, são um espelho para nós. Quando vim para Bahia percebi que não era possível negar a África na nossa cultura e nem o poder espiritual das mulheres”. Para a antropóloga, o Brasil tem a africanidade mais diversa das Américas. “Não posso negar Cuba, mas o Brasil tem mais que os outros países”.

MULHERES EMPODERADAS

Embora reconheça a condição de desigualdade e de opressão à qual as mulheres negras foram e são submetidas, Sheila Walker considera importante não focar apenas nessas questões, mas ressaltar as mulheres empoderadas, as mulheres na condição de protagonistas importantes. É isso que Sheila diz fazer quando assume o papel de cineasta, ao registrar em vídeo suas experiências pelo mundo. “Eu não mostro misérias. Todos pensam que nós somos sempre miseráveis. Vou a lugares que ninguém vai e percebi que eu tinha a missão de mostrar esses lugares, mostrar a Diáspora Africana, as diferenças e o porquê das diferenças por outra ótica”.

Sheila Walker faz agora à tarde, no Museu de Arte da Bahia (MAB), a palestra “Imagens empoderadoras das mulheres negras da África pré-histórica à Diáspora Africana de hoje”. Logo após a palestra, os participantes do evento poderão fazer perguntas e debater com a antropóloga convidada. O evento do Coletivo de Mulheres Negras tem o apoio das secretarias estaduais de Políticas para as Mulheres (SPM-BA) e de Promoção da Iguladade Racial (Sepromi).