Antropóloga norte-americana Sheila Walker faz palestra no MAB sobre diáspora africana

05/07/2017
Como parte das comemorações do mês dedicado à mulher afro-latino-americana e caribenha, a antropóloga norte-americana Sheila Walker fez palestra, nesta terça-feira (04), no Museu de Arte da Bahia, com o tema “Imagens empoderadoras das mulheres negras da África pré-histórica à Diáspora Africana de hoje”. O evento organizado pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN) teve apoio das secretarias estaduais de Politicas para as Mulheres (SPM) e da Promoção e Igualdade Racial (Sepromi).

Sheila Walker abordou aspectos históricos e culturais de alguns países africanos e falou de mulheres negras que contribuíram para a afirmação dos seus povos. “Nzinga, por exemplo, é uma heroína nacional em Angola, lutou contra os portugueses”, ressaltou. Para Walker enfatizar o empoderamento e o protagonismo da mulher negra é tão relevante quanto denunciar a desigualdade racial e a opressão. “Eu gosto de pensar nos triunfos, apesar dos problemas”, disse, afirmando a necessidade do negro de conhecer a própria história, saber como chegou até aqui para que possa construir um futuro e descontruir “falsas verdades”.

Para Sheila Walker o mito da democracia racial no Brasil aliado a outros aspectos históricos dificultaram o processo de conscientização do negro no país, mas a antropóloga observou mudanças significativas nos últimos anos. “As coisas mudaram muito graças também ao movimento negro. Quando vim ao Brasil pela primeira vez diziam que aqui não havia racismo. Eu não entendia como os afrodescendentes continuavam como uma maioria invisível em lugares desejáveis”.

Africanidade

A antropóloga considerou o Brasil um país com africanidade mais diversa das Américas. “A Bahia é como um espelho pra nós. Depois de conhecer a Bahia pude perceber elementos da cultura africana que não eram percebidos por nós”, disse. Sheila relatou que ao assistir a uma cerimônia de candomblé, pela primeira vez, identificou movimentos corporais similares aos que já havia visto em cultos de igrejas protestantes nos Estados Unidos. “Aqui aprendi sobre o poder espiritual das mulheres e que não podíamos negar a África na nossa cultura”.

Professora da Universidade do Texas, em Austin, e da Spelman College, universidade de mulheres afro-americanas, em Atlanta, na Georgia – Sheila Walker tem uma relação estreita com o Brasil, iniciada quando ainda fazia o doutorado. A coordenadora de gênero do CEN, Iraildes Andrade, saudou a presença da antropóloga na Bahia e também do público que pôde interagir com Sheila fazendo perguntas depois da palestra da norte-americana. As secretárias estaduais de Políticas para as Mulheres, Julieta Palmeira; da Promoção e Igualdade Racial, Fabia Reis; e do Trabalho, Emprego e Renda, Olívia Santana participaram da mesa de abertura do evento.

Ainda este mês, Salvador receberá a visita de outra norte-americana: a filósofa e ativista Ângela Davis, que fará palestra na reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBa), dia 25 de julho, quando se comemora o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha. A data foi criada com o objetivo de fortalecer as organizações de mulheres negras para o enfrentamento ao racismo, sexismo, preconceito, discriminação e outras desigualdades raciais e sociais.


Ascom SPM-BA