Em dia internacional, ONU diz que mulheres e meninas continuam excluídas de participação plena na ciência

11/02/2020
A ciência e a igualdade de gênero são vitais para a consecução das metas de desenvolvimento estabelecidas internacionalmente, incluindo a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. A ONU destaca, que nos últimos 15 anos, a comunidade global fez um grande esforço para inspirar e envolver mulheres e meninas na ciência. No entanto, elas continuam sendo excluídas de participar plenamente da ciência.

Lacuna de gênero

Foi em prol do acesso e da participação feminina plena e igualitária na ciência, da igualdade de gênero e do empoderamento delas que a Assembleia Geral declarou 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

Em mensagem para o dia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que “a ciência é uma disciplina de cooperação”, mas que está sendo “contida por uma lacuna de gênero.”

O chefe da ONU destacou que “meninas e meninos têm um bom desempenho em ciências e matemática, mas apenas uma fração das estudantes no ensino superior optam pelas ciências.”

Ciência

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, atualmente, menos de 30% dos pesquisadores em todo o mundo são mulheres.

A agência observa que apenas cerca de 30% de todas as alunas selecionam no ensino superior áreas relacionadas ao Stem, sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Desafios

Guterres disse que “para enfrentar os desafios do século 21”, será preciso aproveitar todo o potencial, e a ação “requer desmantelar estereótipos de gênero.” Ele acrescentou que isso também “significa apoiar carreiras de mulheres cientistas e pesquisadoras.”

O secretário-geral enfatizou que neste ano, que marca o 25º aniversário da Declaração de Pequim e Plataforma para Ação, a ONU promoverá, “com urgência renovada, o acesso de meninas e mulheres à educação científica, treinamento e empregos nessa área.”

ONU Mulheres

Em nota, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, afirmou que “a ciência e a inovação podem trazer benefícios que mudam a vida, especialmente para aqueles que são os mais deixados para trás, como mulheres e meninas que vivem em áreas remotas, idosos e pessoas com deficiência.”

Mlambo-Ngcuka lembrou ainda que “a ciência também será essencial para o trabalho decente e empregos do futuro, inclusive na economia verde, e poderá criar um mercado para as ideias e produtos inovadores das mulheres.”

Para a chefe da ONU Mulheres, é preciso quebrar os estereótipos de gênero que ligam a ciência à masculinidade e expor as gerações jovens a modelos positivos de engenheiras, astronautas e pesquisadores.

Setor Privado

A chefe da agência citou a iniciativa os Princípios de Empoderamento da Mulher, que é uma plataforma estratégica da ONU Mulheres para a participação do setor privado. Através do programa, cerca de 500 empresas de tecnologia já se comprometeram a promover a igualdade de gênero e o empoderamento da mulher em suas instituições.

Mlambo-Ngcuka fez um apelo para que empresas de ciência e tecnologia que sigam esses exemplos, e para que a comunidade de investidores direcione seus investimentos para empresas que adotaram esses princípios.

Fonte: ONU News