COVID-19: prevenção e acesso à saúde são questões urgentes para mulheres indígenas

15/04/2020

A pandemia do novo coronavírus e as medidas de prevenção trazem desafios ao mundo inteiro. Para cerca de 820 mil mulheres, homens e crianças indígenas, de 305 etnias e 274 línguas no Brasil, a prevenção à contaminação e o acesso à saúde são questões preocupantes diante da intensificação das medidas para conter a disseminação da doença. Cerca de 500 mil indígenas vivem em áreas rurais.

Em 1º de abril, foi confirmado o primeiro caso de contaminação indígena no país: uma mulher indígena, no interior do Amazonas, que atua na área da saúde.


Em entrevista à ONU Mulheres Brasil, Tsitsina Xavante, do Voz das Mulheres Indígenas e assessora do Grupo da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres, relata que a resposta do poder público ainda demanda mais integração. “Cada estado tem estratégia diferente”, diz ela, lembrando que em municípios do mesmo estado os encaminhamentos são diferentes, o que torna vulnerável a assistência equitativa aos povos indígenas brasileiros.


Outro aspecto é a qualidade das informações sobre a pandemia, incluindo a produção de conteúdos em línguas indígenas por iniciativa das comunidades, do Ministério da Saúde e de organismos internacionais. Em Roraima, por exemplo, a Plataforma de Resposta a Venezuelanos e Venezuelanas distribuiu conteúdos na língua warao.


Tsitsina lembra ainda o direito humano à comunicação dos povos indígenas de serem retratados sem estigmas, para não aumentar a vulnerabilidade nas localidades onde vivem. Ela considera que os meios de comunicação precisam de ética para divulgar casos suspeitos ou confirmados de coronavírus em populações indígenas, para não provocar discriminação e racismo. “É preciso abordar a necessidade de mais e melhores serviços à saúde indígena para combater doenças já presentes e prevenir contra a pandemia COVID 19”, avalia.


Contaminações históricas – Leonice Tupari, integrante do Voz das Mulheres Indígenas, vive em Rondônia e chama a atenção sobre como os povos indígenas têm enfrentado doenças surgidas de povos não-indígenas há mais de 500 anos. “Para muitos de nós, o vírus não é muita surpresa. Porque o nosso povo teve uma epidemia muito grande que quase dizimou toda a nação indígena. Então, há relatos sobre como conseguiram sobreviver, fugindo para dentro da mata naquele momento. Hoje, o que estamos vivendo é um momento parecido com esse vírus que está aí. A gente aqui, no estado, está tentando conversar não apenas com as mulheres indígenas, mas com todos para que se mantenham nas comunidades indígenas”, conta.


Fonte: ONU MUlheres