O Levante Feminista divulgou seu Manifesto, a hashtag #NemPenseEmMeMatar e sensibilizou sociedade para a escalada dos assassinatos de mulheres
O Levante Feminista Contra o Feminicídio lançou nesta quinta-feira (25), a campanha “Nem Pense em Me Matar – Quem mata uma mulher mata a humanidade!”. O evento contou com a participação de nomes relevantes do feminismo na América Latina, como Veronica Gago, do Ni Una Menos, na Argentina, e Sofia Garzon Valencia, de Processo de Comunidades Negras, da Colômbia, e de especialistas brasileiras como Deborah Duprat, ex-procuradora Federal dos Direitos do Cidadão.
A live giratória, ancorada por Analba Brazão e Bárbara Heliodora, integrantes do Levante, foi realizada no facebook da frente. Um dos pontos comoventes foi a leitura do Manifesto que norteia a campanha. Em vídeos, brasileiras das cinco regiões destacam trechos do documento, que já conquistou 27 mil assinaturas. É um grito de advertência aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, para que sejam tomadas medidas que interrompam a matança de mulheres no país.
No evento, também houve poesia, fala de artistas convidadas e a primeira exibição do clipe do samba composto por Cris Pereira e interpretado pela sambista Fabiana Cozza – ambas se juntaram à luta do Levante. Nasceu dessa canção, a mensagem afirmativa do movimento. A letra diz:
“Houve um dia, que eu até sentia medo
Que você chegasse cedo
Pro meu corpo machucar.
Mas eu virei o tabuleiro
Este jogo, companheiro,
Eu não vou mais aceitar.
Nem Pense Em Me Matar”
Fabiana Cozza acredita que a canção tem beleza, assertividade e traz o corpo da mulher como potência de liberdade, afetos e resistência. Todas nós sabemos o que é isso. Temos, por compromisso, ajudar a despertar outras mulheres na direção de seus corpos, de sua integridade física, moral, psíquica, lutando contra a violência, o machismo e o feminicídio.
Um tuitaço, às 14h, vai completar a jornada, espalhando a hashtag #NemPenseEmMeMatar. O objetivo é discutir a necessidade urgente de mudar a cultura patriarcal, romper com o mito de que o homem tem domínio sobre a mulher e não admite que ela diga “não” a um relacionamento abusivo.
Após o lançamento da campanha, que está em ebulição nas redes sociais, os 20 estados participantes farão ações pontuais, organizadas pelas mulheres que vivem e conhecem a realidade específica do feminicídio em cada região. Para isso, foram criados materiais de comunicação com a imagem de girassóis amarelos, símbolo do Levante, que figura como sinal de esperança e celebração da vida.
Mais sobre o Levante Feminista contra o Feminicídio
A articulação para criar o Levante Feminista Contra o Feminicídio foi iniciada por Vilma Reis, socióloga, referência dos movimentos negros no país, integrante da Coalizão Negra Por Direitos, Marcia Tiburi, filósofa, escritora e artista, e Tania Palma, pesquisadora e assistente social. A frente, que rapidamente ganhou corpo, é formada por cerca de 200 feministas. Entre elas, estão mulheres negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, das águas, das florestas, das favelas antiproibicionistas, dos movimentos LBTQIA+ e de outros segmentos das organizações populares e da sociedade civil.
Embora o crime de feminicídio esteja no Código Penal desde 2015, o assassinato de mulheres – apenas por serem mulheres – cresce diariamente no Brasil. No primeiro semestre de 2020, com a necessidade de isolamento social, foi registrado aumento de 1,9% deste crime de ódio*. Naqueles primeiros seis meses, foram mortas 648 brasileiras, a maioria negras e vivendo em desigualdade social.
No Manifesto, escrito de forma coletiva que já conta com mais de 25 mil assinaturas, a frente pontua de forma contundente que a existência de uma cultura de ódio, direcionada às mulheres brasileiras, precisa chegar ao fim, e que a prática do crime de feminicídio nunca esteve tão ostensiva e extremista quanto agora. O documento afirma que atitudes misóginas transformaram-se em comportamento aceito e legitimado pela sociedade, contaminando o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Também denuncia a negligência e inoperância do Estado Brasileiro no enfrentamento à violência contra as mulheres, e traça o perfil dos matadores: “são homens que não admitem a autonomia, a igualdade e a liberdade das mulheres. São machistas, violentos que querem a redomesticação e o afastamento das mulheres da vida pública…”; “usam a violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial contra mulheres e seus filhos até o extremo, que é o ato do feminicídio”.
Conheça o manifesto #NemPenseEmMeMatar: http://bit.ly/3vvuIVy
Fonte: Instituto Patrícia Galvão