Mulheres representam 45% dos pesquisadores e cientistas em atividade na América Latina

19/05/2021

As cientistas e pesquisadoras da América Latina estão tendo um grande impacto no conhecimento produzido na região, apesar do teto de vidro difícil de quebrar para cargos mais altos na academia e nos negócios, refletindo como as mulheres latinas estão em marcha pela igualdade em uma região frequentemente vista como um bastião da cultura machista do mundo.

Um relatório da UNESCO e da ONU Mulheres mostra que elas representam 45% dos pesquisadores na América Latina e no Caribe, em comparação com cerca de 29% em outras regiões do mundo. É o maior percentual em todo o mundo, embora ainda existam lacunas em algumas especialidades.

"As mulheres estão avançando em carreiras que antes eram muito masculinas ou totalmente dominadas por homens", disse Gloria Bonder, diretora da regional da UNESCO para Mulheres, Ciência e Tecnologia na América Latina, à Reuters.

As mulheres da América Latina estão em ascensão nas ciências sociais e médicas, embora estejam menos representadas em algumas das chamadas disciplinas STEM: ciências, tecnologia, engenharia e matemática, consideradas áreas chave de desenvolvimento para o futuro.

"Na matemática somos quase a metade, na física já mais homens, mas na biologia há uma predominância de mulheres",disse Bonder. "Hoje as mulheres estão cientes e lutam para reverter essas desigualdades".


Obstáculos permanecem

Embora se formem mais mulheres latino-americanas do que homens nos curso de graduação e a paridade esteja próxima entre os pesquisadores, as mulheres representam apenas 18% dos reitores nas universidades públicas e, no setor corporativo, apenas 27% dos executivos.

“Essa é uma questão importante porque, em geral, as empresas têm salários maiores e oferecem outras possibilidades de desenvolvimento profissional”, disse Bonder.

Muitos governos, universidades e institutos de pesquisa da região implementaram programas nos últimos anos para promover a igualdade de gênero e prevenir a discriminação. Mas muitas mulheres ainda enfrentam obstáculos para avançar na carreira científica.

A pandemia COVID-19, que destacou a importância do esforço científico, também aumentou os desafios para as mulheres, incluindo o complexo ato de malabarismo de ter sucesso no trabalho e, ao mesmo tempo, cuidar mais das crianças do que os homens.

"Acho que já um teto de vidro criado pelas tarefas da maternidade e do cuidado", disse Silvina Sonzogni, 38, graduada em genética com doutorado em químico biológica pela Universidade de Buenos Aires. "A pandemia tornou isso totalmente visível porque estávamos todos em casa. Muito está sendo feito para preencher essa lacuna".

Especialistas afirmam que são necessárias mais políticas públicas, incentivos empres