Mulheres do Conjunto Penal Feminino participam de conversa sobre dignidade menstrual e recebem absorventes descartáveis

24/03/2022

A dignidade menstrual é um direito de todas as pessoas que menstruam, assim como o respeito aos seus corpos e suas singularidades. E as políticas públicas precisam chegar a todos os lugares. Com esse intuito, a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA). em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), realizou na manhã de hoje (24) uma conversa sobre dignidade menstrual e a entrega de absorventes descartáveis para pessoas que menstruam no Conjunto Penal Feminino de Salvador.

Inaugurada em 08 de março de 1990, a unidade conta, atualmente, com 107 mulheres em privação de liberdade. Franciele, 24 anos, é uma delas. A jovem ressalta a importância em dialogar sobre o tema. “Gostei muito da iniciativa. A gente tem muitas dúvidas sobre menstruação e essa conversa ajudou a esclarecer”, conta. Rogério, 27 anos, conta que iniciou a transição de gênero aos 17 anos e a menstruação sempre foi uma questão difícil de lidar. “Minha menstruação sempre foi desregulada. Estou aqui há seis meses e é difícil no período menstrual. Essas conversas devem acontecer mais vezes.”

Além da entrega dos absorventes, a titular da SPM-BA, Julieta Palmeira, conversou com as pessoas presentes sobre a saúde da mulher, em especial a íntima, que precisa de uma atenção maior. “A dignidade menstrual é um direito de todas as pessoas que aqui estão. Existe uma lei que orienta a entrega dos absorventes por parte do Governo do Estado e isso está sendo feito. Estamos aqui para conversar sobre a menstruação, que ainda é considerado um assunto delicado por parte da população. Isso não é verdade. A menstruação faz parte da organização biológica das mulheres e pessoas que menstruam e é totalmente saudável”.

De acordo com a diretora da unidade, Karina Moutinho, diversas instituições também têm ajudado com a doação de absorventes à unidade prisional. “Atualmente, conseguimos atender as necessidades delas com o material entregue pela SEAP. A cada 15 dias, elas recebem um kit higiene composto por absorvente, barbeador, sabonete, pasta de dente e escova de dente.” A diretora fala, ainda, da importância de parcerias como essa: “O conjunto penal feminino é muito mais vulnerável e precisa de um olhar mais sensível. Que mais ações desse tipo sejam realizadas.”

Atenta a conversa, a assistente social da unidade, Alessandra Teles, fala com otimismo da ação sobre dignidade menstrual. “A possibilidade em oferecer esclarecimentos sobre questões dos seus corpos é fundamental. Muitas não têm o conhecimento e nem a oportunidade em dialogar sobre isso.” Ela pontua que as internas tem acesso a todos os tipos de atendimento médico, psicológico e odontológico na unidade.

Ao final da roda de diálogo com as internas, a diretora Karina Moutinho conta que, em abril, será implantada a primeira Galeria LGBTQIAP+ da Bahia com o intuito de oferecer mais inclusão às pessoas privadas de liberdade do Conjunto Penal Feminino.