Lilian Machado
A indústria baiana de produtos petroquímicos deu um grande passo para o desenvolvimento sustentável e a produção de resinas e matérias-primas que emitam menos poluentes ao meio ambiente. A Braskem, empresa baiana líder em resinas termoplásticas na América Latina inaugurou ontem duas novas plantas no Polo Industrial de Camaçari, que produzirão ETBE, um bioaditivo para gasolina produzida a partir de matéria-prima renovável.
O projeto envolve um investimento de R$ 100 milhões, com capacidade para produzir 212 mil toneladas do produto por ano. A produção do ETBE nas duas novas plantas de Camaçari representa uma novidade para o setor no país. Uma cerimônia marcou ontem a inauguração com a presença do presidente da empresa, Bernardo Gradin, do prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, do governador Jaques Wagner, entre outras autoridades.
A produção do ETBE (Ethyl Tertiary-butil Ether), obtido pela reação do etanol (43%) com o isobuteno (57%) que caracteriza um bioaditivo foi uma solução para as novas exigências do mercado japonês e norte-americano, que queriam uma alternativa de produto sustentável e com menor impacto ao meio ambiente. De acordo com o presidente da Braskem, Bernardo Gradin, o ETBE foi uma inovação achada pela Braskem, quando a empresa percebeu o desafio de encontrar uma alternativa sustentável para substituir o MTBE, em função das restrições que esse produto enfrentava no mercado estrangeiro.
“Quando se fala em desenvolvimento sustentável só se fala em benefícios ambientais e sociais e não se fala também dos ganhos para a economia. Esse projeto traz grandes vantagens, com um potencial de mercado promissor”, disse Gradin, durante a cerimônia, lembrando a parceria principalmente com as empresas japonesas.
Serão gerados150 novos empregos
A geração de 150 novos empregos nos próximos três anos e a redução da emissão de gás carbônico (CO2) na atmosfera são alguns dos benefícios das duas plantas da Braskem, inauguradas ontem,
Segundo o prefeito Luiz Caetano, os investimentos tornam o Complexo Industrial mais competitivo, cria novos mercados e postos de trabalho, contribui com a arrecadação tributária, além de lançar outros produtos no cenário internacional. “O Polo já dá sinais de aquecimento da economia pós crise”, completa.
Caetano ainda pediu ao governador Jacques Wagner, uma reunião com a Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração da Bahia (Sicm) no intuito de discutir projetos para impulsionar o setor econômico do Município. Até o final do ano, devem ser iniciadas as obras dos oito novos empreendimentos a serem instalados na cidade.
As indústrias são de diversas áreas, a exemplo bebidas, cabos elétricos e segmento logístico.
Jacques Wagner lembrou que o crescimento industrial de Camaçari é reflexo dos investimentos estadual e municipal. O governador também falou sobre o projeto de modernização do Porto de Aratu, que ainda prevê melhorias da BA 093. “A proposta prepara o Polo Industrial de Camaçari do ponto de vista logístico”, acrescenta.
A parceria com os governos estadual e municipal é de fundamental importância para funcionamento das empresas e escoamento dos produtos, segundo o presidente da Braskem, Bernardo Gradin. “O diálogo com o poder público é permanente. Graças a isso, Camaçari conseguiu dinamizar o Polo”, afirma.
Novos investimentos em pauta
Segundo ele, com a especificação do ETBE, a Braskem vai destinar parte da produção para o mercado japonês por conta de um contrato de longo prazo firmado com a Sojitz Corporation. A partir desse contrato, a empresa baiana irá fornecer 120 mil toneladas do produto ao Japão ao longo de três anos. No país oriental, a entrada de combustíveis derivados de biomassa foi decidida no Protocolo de Kyoto – um tratado internacional com o objetivo de reduzir as emissões de gases-estufa dos países industrializados e para garantir um modelo de desenvolvimento limpo aos países em desenvolvimento, a exemplo do Brasil.
A Braskem prevê outros investimentos na unidade da Bahia. Segundo o presidente Bernardo Gradin, serão cerca de R$200 fora os R$100 milhões que envolvem as duas plantas recém-inauguradas. Desse valor, R$50 milhões estão sendo injetados para modernizar e expandir a capacidade produtiva da fábrica de PVC, e R$22 milhões já foram lançados na construção da Adutora Santa Helena, em parceria com a Embasa. O restante será investido em tecnologia na própria unidade.
Para o governador Jaques Wagner, a inovação da Braskem representa mais geração de emprego e renda e um avanço no ponto de vista ambiental “porque o ETBE substitui o MTBE queimando menos carbono e trazendo mais proteção ambiental”. Segundo o governador, o projeto além de gerar riqueza, melhoria ao meio ambiente, mostra a força da Braskem em sua participação com outras empresas. “Os japoneses vão comprar 45% de sua produção, o que fortalece a parceria e mostra que a mão-de-obra baiana é de excepcional qualidade. O projeto comprova ainda a pujança do Polo que é o maior complexo industrial da América Latina”, enfatizou.
Conforme o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, o novo investimento comprova que o Polo Petroquímico se saiu bem durante a crise financeira mundial. “A mídia previa um enfraquecimento do Pólo. No entanto vemos hoje o contrário”, afirmou destacando que mais de 50% dos investimentos previstos já estavam sendo feitos.
O gestor de Camaçari aproveitou a ocasião do discurso para pedir ao governador Wagner melhorias no entorno do Complexo. A solicitação foi ouvida pelo governador que em sua fala confirmou os novos aportes previstos com o consórcio para modernizar o Porto de Aratu e os projetos de melhoria na malha viária.
Na cerimônia estavam presentes outras autoridades ligadas a Braskem e o Polo, o representante da empresa japonesa, Sojitz, o presidente da Associação Comercial da Bahia, Eduardo Morais de Castro, o presidente da Fieb, Vitor Ventin, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo e o presidente do Jornal Tribuna da Bahia, Walter Pinheiro.
Nos últimos seis meses, os investimentos privados atingiram R$ 1,6 bilhão para a construção de novas empresas na Bahia. Mesmo diante da crise financeira mundial, o Estado da Bahia foi um grande foco de atração de investimentos, no Brasil. Só neste ano, o número de empresas que procuraram áreas no estado para instalar suas fábricas cresceu 88% em relação a 2008. Das solicitações feitas à Sudic (Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial), autarquia vinculada a Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração – SICM – do Estado da Bahia, o setor de análise do órgão já autorizou a assinatura de 94 cartas de opção, nos últimos seis meses, o que significa a entrada de igual número de empresas em todo o estado e investimentos de R$ 1,6 bilhão, com geração de novos postos de trabalhos.
A carta de opção é um documento entregue ao empresário interessado em instalar sua empresa na área pertencente à Sudic. Nela, são delimitados o tamanho da área a ser disponibilizada e o local onde a unidade empresarial proposta será implantada. A partir da assinatura, os empresários têm 90 dias para apresentar o projeto arquitetônico, quadro com áreas das edificações, via da “Licença de Localização” fornecida pelo IMA (Instituto do Meio Ambiente), se comprometendo a obter as demais licenças necessárias para a construção da indústria, e apresentar o cronograma físico de implantação das obras.