Cinco novos estaleiros devem sair do papel no Brasil até 2012
Vapor no Brasil. Em dois anos, o faturamento do setor deve dobrar, passando de US$ 3 bilhões em 2008 para US$ 6 bilhões em 2010, segundo estimativas do Sinaval, sindicato que reúne os estaleiros no País. De olho nas encomendas que ainda estão por vir especialmente de Petrobras e Vale, cinco novos estaleiros devem sair do papel até 2012, elevando o número de empregos diretos no setor para quase 60mil 50%mais que o registrado nos anos 70, auge da indústria naval no País. Hoje, são 46 mil vagas. A previsão de crescimento de receita para o próximo ano baseia-se nos pedidos já contratados.
Boa parte deles referese à primeira etapa do Programa de Modernização e Expansão de Frota (Promef I) da Transpetro, que prevê a construção de 26 embarcações, das quais 23 já licitadas ao custo de US$ 2,6 bilhões. A Transpetro é o braço de logística da Petrobras.
A segunda etapa do programa e as encomendas da estatal para o pré-sal prometem agitar ainda mais o setor. O Promef II engloba 23 navios licitados em três fases, o último edital foi lançado no fim de agosto deste ano. E, segundo projeções da Petrobras, 244 embarcações entre petroleiros e barcos de apoio deverão ser construídas entre 2009 e 2020 para atender a empresa. Mais 52 plataformas e 40 sondas de perfuração também terão de estar no mar até 2020. " Vai ser um boom no setor", diz Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval.
Haroldo Abrantes / Ag. A TARDE / 13.10.2007
Estaleiro vai criar 5 mil empregos Dos cinco novos estaleiros, apenas um será construído no Estado do Rio. O projeto, orçado em US$ 100 milhões, é do braço brasileiro do grupo coreano STX e será erguido em Quissamã, em uma área de 200 mil metros. As obras começam no início do ano que vem. "Nosso foco são os navios de apoioàs plataformas", diz Miro Arantes, presidente da STX no Brasil.
São Roque Três dos cinco estaleiros em andamento ou em estudo serão erguidos no Nordeste — os outros dois serão no Rio e emSanta Catarina. O que está emestágio mais avançado é o do Eisa,que prevê investirR$ 1 bilhão em uma nova unidade emCoruripe (AL). Quando estiver em plena operação, em 2012, cinco mil estarão trabalhando no litoral alagoano. A empresa já tem um estaleiro no Rio de Janeiro.
Outro estaleiroem estudoé o da construtora Odebrecht, que desenvolve projeto em parceria com a OAS e a UTC, em São Roque do Paraguaçu , no Recôncavo baiano. De acordo com o diretor da empresa para o mercado de Offshore, Fernando Barbosa, o objetivo é atender à demanda da Petrobras por plataformas.
"A Bahia foi escolhida por ter mão de obra qualificada. Além disso, tem uma rica história naval, tendo berçodo processo de construção de plataformas no País, na década de 80", afirma Barbosa, sem dar detalhes sobre o investimento.
A empresa também negocia apoio técnico com a coreana Daewoo, mas, segundo Fernando Barbosa, "nada está definido ainda". Ele estima que, no pico das obras, serão gerados cerca de cinco mil empregos diretos.
Outra coreana, a STX, também negocia uma parceria com a brasileira PJMR para a construção de outro estaleiro no Brasil, destavez, em Mucuripe (CE). A estimativa de investimento é de US$ 100 milhões e o início da operação é previsto para 2012/2013.
Já o Estaleiro Atlântico Sul avalia expansão, com a construção de um novo dique seco em Suape (PE). Em Florianópolis, o grupo de Eike Batista investirá R$ 1 bilhão.
DANIELLE NOGUEIRA Agência O Globo, Rio de Janeiro