
Roberto Benjamin: Eu vou fazer uma retrospectiva porque já existe lá em São Roque do Paraguaçú um canteiro de propriedade da Petrobras e que hoje opera a pleno vapor. A empresa realiza reparos em duas plataformas neste momento e constrói duas novas, tipo “jack ups”, alto elevatórias, de perfuração, através de um consórcio de empresas nacionais, incluindo a Odebrecht, a Queiroz Galvão e a UTC Engenharia. Este consórcio está instalado no município, gerando hoje 1.500 empregos diretos e qualificados, que envolve soldadores, montadores, instrumentistas. Além do canteiro, nós estamos planejando atrair um grupo privado nacional, que vai disputar as concorrências da Petrobras, e implantar um estaleiro capaz de construir essas plataformas de todos os tipos. Esse é o nosso objetivo na área de São Roque do Paraguaçú. A concorrência foi publicada no mês passado, está em andamento, com interesse confirmado de diversas empresas e as propostas deverão ser entregues no início de março de 2010. É um processo de licitação, no qual a Petrobras lançou três pacotes diferentes e somando tudo esses pacotes vão comprar ou alugar 28 plataformas de perfuração. Nós então estamos trabalhando para que um desses pacotes ou uma parte deles possa ser construído na Bahia. Não é a Petrobrás quem vai investir, são as empresas privadas que vão participar da concorrência e, conquistando o contrato, elas terão então o instrumento para investir em uma instalação industrial que seja capaz de fabricar essas plataformas.
B.E.: Atualmente a Petrobras não estaria privilegiando investimento no estaleiro de Pernambuco?
R.B.: Pernambuco até outro dia não tinha estaleiro nenhum. Criou um estaleiro virtual, participou de uma concorrência, um grupo ganhou e por isso hoje o estaleiro é uma coisa real. Nós estamos indo pelo mesmo caminho, estamos fazendo agora nosso dever de casa, então nada á reclamar dos Pernambucanos.
B.E.: Em que estágio está o Porto Sul?
R.B.: Essa é a outra âncora da nossa secretaria, é um complexo logístico de dimensões extraordinárias, que envolve a construção de um porto público junto a um porto privado, da Bahia Mineração (Bamin), uma zona de processamento de exportação para que nós possamos no futuro beneficiar produtos tanto da área agrícola como da área industrial, e uma ferrovia que em princípio vai transportar o minério de ferro da mina da Bamin de Caetité para o porto e no futuro com a extensão dessa ferrovia para trás para que ela vá atingindo as regiões agrícolas da Bahia, nós possamos ter um escoamento de grãos pelo Porto Sul. Está previsto também o novo aeroporto para a região, enfim, este é um empreendimento que certamente tem tudo para mudar a sorte e a face da região cacaueira tão sofrida das últimas décadas. E eu sou oriundo desta região, eu nasci em Buerarema, fui criado em Itabuna e nas praias de Ilhéus, de modo que me sinto muito à vontade, não só para falar como para vibrar com esse projeto, que o governo foca todo o seu esforço, no âmbito do Estado, das prefeituras envolvidas e dos órgãos do governo federal que, em conjunto com a Bahia, estão trabalhando para fazer disto uma realidade.
B.E.: Você toma então o projeto também como uma questão pessoal?
R.B.: Estou orgulhoso em fazer parte disso, mas eu cheguei aqui agora, de modo que eu sou um caçula do governo, mas talvez por isso fui premiado com essa missão. A própria equipe, a gente sente a vibração de todos, que estão diante de uma oportunidade de fazer uma diferença na região, na Bahia e no Brasil. Em matéria de logística nós temos muito o que fazer para nos tornarmos um ator respeitado no cenário mundial, coisa que nós ainda não somos, e um dos gargalos é realmente a logística de escoamento e portuária.

Plataforma em São Roque do Paraguaçú
B.E.: Muito dizem que esta obra dificilmente sairá do papel, pois o Porto Sul fica em Área de Preservação Ambiental e dificilmente haverá o licenciamento. Quais são as suas considerações referente à esse assunto?
R.B.: Eu discordo completamente de quem pensa assim. Evidente que a democracia ela pressupõe que cada um de nós pense o que quiser, mas acho que o governo não estaria empregando um esforço tão grande, o governador Jaques Wagner tem sido um batalhador incansável por esse empreendimento, nós somos testemunhas disso no pouco tempo que aqui estamos. É um processo longo mesmo, é um complexo, que envolve uma ferrovia, uma zona de processamento, envolve a construção de um porto “off shore” -no qual a carga e a descarga de navios ocorre a 3Km da costa – e em uma região sensível e delicada e está sendo tratado com esta sensibilidade e com esta delicadeza como não poderia deixar de ser. A engenharia e a tecnologia existem para fazer que as coisas sejam feitas da forma como devem, respeitando o meio ambiente, a legislação e buscando a melhor solução, o melhor projeto, que seja mais adequada para que possamos ter um empreendimento desta dimensão na região. Há uma carência, sem dúvida alguma, e o ponto é este, já foram estudadas diversas alternativas e os estudos indicaram que aquela região é a mais adequada, no somatório das vantagens e desvantagens, inclusive as ambientais. Portanto essa questão foi e está sendo tratada com o devido cuidado e respeito e assim será até o fim. Eu certamente acredito que este é um projeto que transcende governos, sou daqueles que acreditam que no Brasil nós temos que acabar com essa história de a cada governo que entra e que sai se muda tudo, a gente precisa ter continuidade e eu sou um dos defensores, enquanto estiver aqui vou trabalhar para que esse projeto saia do papel. Vale lembrar que todo projeto nasceu antes de um sonho, ele foi um papel, e cabe ao trabalho do dia-a-dia fazer com que ele venha a se tornar realidade. Nós estamos trabalhando para isso e trabalhando duro. A questão ambiental é parte do processo, em um empreendimento desta natureza são diversos os órgãos, municipais, estaduais e federais envolvidos e o Estado como líder tem a obrigação de fazer esse “concerto”, ser o maestro dessa orquestra e fazer com que ela toque afinada. Este é o papel que o governo tem e está executando isso, eu sou testemunha.
B.E.: A ampliação do Porto de Salvador vai sair através da Tecom, que vai construir mais um berço. A Usuport critica a medida, pois diz que seriam necessários 4 berços. Além disso, dizem que haveria um monopólio e os clientes ficariam na mão somente desta empresa, o que você pode nos dizer sobre essa questão?
R.B.: A Usuport já esteve aqui e nós estamos recebendo diversas alternativas, sugestões, estamos estudando cada uma delas, com detalhes e muito em breve nós teremos o posicionamento do governo à respeito de qual deva ser a solução. No momento está em fase de estudos. Não acredito em monopólio, não creio que seja por aí que a questão deva ser encaminhada, mas é preciso primeiro que cheguemos às conclusões dentre as alternativas apresentadas, qual é aquela que é mais indicada para o caso dos portos da Bahia. Esperamos que nos próximos 60 dias possamos ter condições de nos posicionar.
B.E.: Estão previstos investimentos nos portos da Bahia, por exemplo, dragagem no Porto de Aratu ou compra de portâineres?
R.B.: Existem investimentos que estão sendo realizados com relação à dragagem e o restante segue na linha dessa parte de estudos.
B.E.: Com relação ao Porto de Aratu, a Braskem e o governo do Estado estariam montando um projeto para a ampliação deste porto. Em que estágio está a negociação? Há um prazo para a entrega do documento?
R.B.: Existe um estudo sendo feito pela Braskem e mais duas empresas e nós esperamos recebê-los no início do ano, no mês de janeiro, será certamente muito bem vindo e vamos examinar o que cada empresa está propondo. Esse grupo de usuários do Porto de Aratu fez ao governo do Estado observações à respeito das deficiências no seu atendimento, então o governador naturalmente acatou que os usuários proponham as soluções para que o governo venha examinar. Nós estamos aguardando que esse estudo seja apresentado, é uma das possibilidades.
B.E.: Que outros projetos sua secretaria está tocando?
R.B.: Embora esses grandes empreendimentos sejam foco da nossa atenção, nós estamos também com um olhar muito carinhoso para a questão náutica na Baía de Todos os Santos, em especial aonde pequenas e médias empresas podem se instalar e nós temos aqui um verdadeiro pólo náutico, seja de marina, de fabricantes de pequenas embarcações, eu gostaria então de transmitir como isso é um grande gerador de emprego e emprego de qualificação mais baixa, que nós vamos também olhar com muito carinho para empreendimentos nesse setor da indústria náutica, para pequenas e médias empresas. Barcos á vela, barcos à motor, uma vocação natural da Baía de Todos os Santos, temos recebido vários empresários e vamos dedicar uma atenção especial à isso.
B.E.: Havia mesmo a necessidade de criar uma nova secretaria para tocar esses projetos? Não seria o caso de colocar apenas um gerente na SICM para cuidar deles?
R.B.: A natureza extraordinária da secretaria está mais do que justificada. Ela está usando toda a infra-estrutura da própria Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração, mas é fundamental que se dedicasse um executivo a olhar os programas da magnitude que são a construção de um novo estaleiro, a recuperação dos canteiros de construção “off shore”, mais o Porto Sul. Esses três ingredientes por si só já justificam a existência de uma secretaria extraordinária, com executivos focados para fazer as coisas acontecerem. É mais do que justificável e não é porque estou no cargo. Esses segmentos eles tem um jargão específico, quem é do setor de petróleo sabe disso e a Bahia dedicar alguém no nível de secretário para cuidar desses assuntos, só está se equiparando a estados como Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul que saíram na dianteira desses programas de atendimento à Petrobras. Sem o pré-sal já se justificava, com o pré-sal mais ainda. Essas 28 plataformas que estão sendo encomendadas são apenas a primeira leva e disso uma pequena parte é do programa pré-sal, o resto, a maior parte disso, é para as descobertas da Petrobras, da Bacia de Campos, da Bacia de Santos e do Espírito Santo. O que vem aí do pré-sal é coisa para falarmos nos próximos 3 a 5 anos.