"Já somos hoje o maior produtor nacional de urânio, cromo, salgema, magnesita, talco e barita. E, com a inauguração dessa mina, já no próximo ano vamos passar a ser também o segundo maior produtor brasileiro de níquel”. A afirmação é do secretário estadual da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, que acompanha o governador Jaques Wagner no evento de inauguração, nesta sexta-feira (4), às 10 horas, no município de Itagibá, sul da Bahia, da maior mina de níquel descoberta nos últimos dez anos na América Latina.
O novo complexo mineiro vai proporcionar um significativo impacto no desenvolvimento socioeconômico da região. A estimativa é de que sejam produzidas 4,6 milhões de toneladas de minério por ano em Itagibá, o que representa, inicialmente, a produção de cerca de 150 mil toneladas de concentrado/ano, com 13% de níquel. Metade da produção anual de concentrado será exportada para a Finlândia pelo porto de Ilhéus e a outra metade servirá a unidades da Votorantim em Minas Gerais e Ceará.
O projeto da Mirabela Mineração está localizado a cerca de oito quilômetros de Ipiaú e deve impulsionar a economia regional. A empresa está investindo cerca de 450 milhões de dólares no empreendimento, que deverá contar, em sua fase de produção, com mais de 400 empregados diretos e cerca de 1.500 indiretos.
“Já somos o quinto produtor brasileiro de bens minerais, com mais de 350 empresas na área de mineração e com as pesquisas em andamento, a participação da Bahia no setor mineral deve crescer ainda mais”, pontuou o secretário James Correia. Segundo ele, a política mineral adotada pelo atual Governo da Bahia está voltada para a expansão do setor e atração de novos investimentos.
“A Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração, juntamente com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) vêm praticando uma intensa política de identificação de oportunidades minerais, visando a descoberta de novas jazidas e a viabilização de novos empreendimentos como este que estamos inaugurando agora”, afirmou James Correia.
Ele destacou a realização de diagnósticos eficazes da potencialidade mineral do estado, o desenvolvimento tecnológico e a implantação de infraestrutura como outras ações realizadas pela SICM de modo a criar condições para atração de investimentos na área da mineração.
Parceria
O empreendimento da Mirabela Mineração do Brasil está localizado no município de Itagibá, a 8 km de Ipiaú, em áreas cujos direitos minerários são da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). A parceria entre a CBPM e a Mirabela foi iniciada em 2003 e a entrada em operação do empreendimento da Mirabela coroa todo um trabalho de pesquisa e desenvolvimento que a CBPM realiza na área desde 1988.
A divulgação do acervo de dados técnicos da pesquisa realizada pela CBPM serviu de base para atrair as empresas privadas a participarem da concorrência pública, que selecionou a Mirabela Mineração para realizar investimentos de risco em trabalhos de pesquisa, necessários à comprovação das reservas e à definição da viabilidade técnica, econômica e ambiental do projeto. O empreendimento da Mirabela compreende mina a céu aberto e usina de concentração, que processará cerca de 6 milhões de toneladas/ano de minério bruto, resultando na produção anual de 207 mil toneladas de concentrado, com 13% de níquel.
O complexo da Mirabela representará um acréscimo de 30% na produção nacional do metal, representando uma receita bruta anual de vendas da ordem de R$ 640 milhões. Por ser detentora dos direitos minerários, a CBPM receberá 2,51% de royalties da receita sobre o concentrado, o que fará com que a empresa se torne autosuficiente em investimento a partir de 2011.
Bahia lidera pesquisa
Dados do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) demonstram que a Bahia tem obtido um considerável aumento nos investimentos em geologia mineral, infraestrutura, inovações tecnológicas e de sistemas, além de aquisição e/ou reforma de equipamentos, o que tem determinado um crescente incremento na sua produção mineral e geração de emprego e renda.
Ainda segundo a mesma fonte, os títulos minerários na Bahia vêm apresentando, desde 2007, os maiores números de requerimentos de áreas do país para pesquisa de minerais metálicos, não-metálicos e rochas. As outorgas de alvarás de pesquisa pelo DNPM, focadas especialmente em substâncias minerais cotadas em Bolsa e consideradas commodities, indicam a potencialidade do território baiano para, a médio e longo prazo, ser contemplado com a implantação de novas áreas de lavra. Em 2008 o valor da produção mineral baiana correspondeu a 2,1% do PIB estadual, representando R$ 2,46bilhões.