ALESSANDRA NASCIMENTO
O secretário da Indústria Naval e Portuária, Roberto Benjamin, revelou durante uma coletiva nas instalações do Polo Naval baiano, em São Roque do Paraguaçu, município de Maragogipe, que a questão ambiental que travava a efetivação do Polo Naval na região foi solucionada. Parte da área era considerada reserva de extrativismo e após uma decisão do Congresso Nacional o fato foi resolvido. "A indústria sempre esteve na região desde 1977, mas o Ibama atestou que parte da área onde hoje se encontra o Polo Naval era reserva ambiental. Recorremos a Brasília e, por isso, exatos nove meses depois de termos anunciado o Polo Naval, ele entra em operações. Foi necessário uma decisão política e recorremos ao Congresso Nacional que, através da Lei 10058, de outubro de 2009, reverteu a MP 462. O canteiro de São Roque nunca deveria ter feito parte desta reserva", informa o secretário.
Ele ainda anunciou que o Estado está realizando o levantamento de 10 áreas na Baía de Aratu para ofertar à iniciativa privada para a construção de módulos para plataformas navais. Cada uma dessas áreas possui entre 100 mil a 400 mil metros.
"A Petrobras tem uma demanda de 120 módulos. Cada um deles está estimado em
US$ 30 a US$ 40 milhões e gera de 300 a 400 empregos. Em relação aos canteiros de construção desses módulos, espero já nos próximos 30 dias anunciar o primeiro canteiro de módulo para a Baía de Aratu. Através de um acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, tivemos uma resposta que em 6 meses as licenças ambientais do Estado seriam emitidas, desde que os projetos estivessem enquadrados", cita.
O Consórcio Rio Paraguaçu, formado pelas construtoras Norberto Odebrecht S/A, Construtora Queiroz Galvão S/A e UTC Engenharia S/A, foi contratado pela Petrobras para a construção e montagem de duas plataformas de perfuração autoelevatórias chamadas P-59 e P-60. O contrato é de
US$ 703 milhões e foi assinado em setembro do ano passado e determina prazo de 38 meses para conclusão das obras. O canteiro de São Roque do Paraguaçu tem 400 mil metros quadrados de área e sofreu adaptações para atender à demanda. O canteiro gera 1,5 mil empregos diretos e a capacidade é de gerar 2,5 mil empregos no pico de produção. Os baianos representam 70% da mão-de-obra contratada, sendo prioritários os moradores de Maragogipe e região.
O SENAI e o programa Prominp do Governo Federal estão ofertando cursos de qualificação da mão-de-obra. O secretário ainda salientou que o Estado tem a Indústria Naval como vital ao desenvolvimento e que um estaleiro tem em média investimentos da ordem de US$ 300 milhões a
US$ 900 milhões e gera entre 5 mil a 10 mil empregos.