O investimento chega a R$ 900 milhões e vai permitir um aumento de 30% na produção brasileira
A terceira maior mina a céu aberto do mundo entrou em atividade ontem no município de Itagibá, há 377 quilômetros de Salvador. O investimento de R$ 900 milhões vai permitir umaumento de30% na produção brasileira de níquel, produto usado na composição do aço e em medicamentos. Com capacidade para processar 4,6 milhões de toneladas do minério, o empreendimento vai transformar a Bahia no segundo maior produtor do Brasil, atrás apenas do Estado de Goiás.
Para a Bahia, o início das atividades da Mineração Santa Rita vai representar um incremento de 35% na atividade, que deve render aos cofres públicos R$ 60 milhões em receitas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e outros R$ 5 mi lhões pela Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem).
O grupo Mirabela Mineração do Brasil tem uma expectativa de gerar aproximadamente R$ 600 milhões em receitas pela venda do produto final. Inicialmente, o prazo de vida útil previsto para a mina é de 20 anos de exploração a céu aberto. Entretanto, os executivos da empresas acreditam que a vida útil do empreendimento pode chegar a até 40 anos com a exploração do minério que está no subsolo, o que só deve acontecer após o esgotamento da mineração a céu aberto.
De acordo com o presidente da Mirabella, Brian Hidy, o ritmo de produção da unidade é muito bom. “Em duas semanas, já estávamos produzindo 250 mil toneladas”, comemora. Neste ritmo, acredita, em um curto espaço de tempo, será possível ultrapassar a capacidade atual de4,6 milhões de toneladas por ano e chegar a 6,4 milhões. “Queremos que aqui seja a maior mina de níquel do mundo”.
O presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Hari Alexandre Brust, acha este é um momento importante para a atividade no Estado. “Foi uma descoberta importante,que atraios olhares para uma nova área”, acredita Brust. A CBPM vai receber, a partir de 2011, 2,51% sobre a receita do concentradode níquel, valorequivalente a R$ 15 milhões por ano. Com isso, o governo acredita que a empresa estatal vai se tornar autossuficiente em investimentos. Brust lembra que o Estado tem apresentado um grande potencial para a mineração. “Nossa próxima grande mina deve ser a de vanádio, em Maracás”, estima. Além disso, existe o projeto para a extração de ferro da região de Caetité.
Expansão O cenário de expansão é confirmado pelo diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Miguel Nery. Segundo ele, a Bahia apresentou 19,5% dos requerimentos de pesquisa do País neste ano. “A Bahia lidera os pedidos de licença para pesquisa há quatro anos e vem se consolidando como um estado com grande potencial para a mineração”. Além de apresentar potencial em diversas áreas, o que chama atenção é a diversidade de minérios que pode se encontrar no subsolo baiano.
“O Estado tem grande potencial para exploração de minério de ferro, vanídio, rochas ornamentais, areia, cobre e fosfatos para fertilizantes”.
Moradores têm expectativa de geração de empregos
Hilduardo Tavares é um exemplo da expectativa da população do Médio Rio de Contas em relação à mineradora que se instala na região e deve permanecer lá pelos próximos 20 anos, pelo menos. O hoje técnico de sustentabilidade já foi produtor rural, entre outras atividades buscou a luta pela sobrevivência. Morador de Ipiaú, uma das maiores cidadesda região, ele já percebe uma grande movimentação com a chegada de empresas terceirizadas ou empreendimentos habitacionais e de hotelaria nas cidades próximas.“O impactoaindaé pequeno, mas acho que vai crescer muito. É preciso preparar as cidades com infraestrutura”.
“Vai ajudar, mas não vem para substituir o papel do cacau na economia da região”. O alerta do governador Jaques Wagner veio apesar do clima de festa e teve o tom de um alerta. “O cacau éuma cultura que emprega muito mais gente que a mineração”. Até porque, lembrou ele, “a atividade de mineração tem uma data para terminar”. No caso da Mineração Santa Rita, o prazo é de 20 anos, podendo chegar a no máximo 40 anos.
A expectativa do governo do Estado é que, além dos500 empregosdiretos gerados pela mineração, a atividade atraia um polo de serviços à região que deve gerar aproximadamente 1,5 mil empregos. “A mineradora vai atrair uma logística incrível para o transporte da produção até o Porto de Ilhéus”, destaca o secretário de Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correia. O município de Itagibá, onde a mina está localizada, deve ser o principal beneficiado economicamente pela exploração.
O prefeito da cidade, Gilson Fonseca, disse que ainda não tem números exatos sobrea participaçãodomunicípio por conta da exploração, mas estima valores próximos aos R$ 600 mil por mês. Se ele estiver correto, a cidade vai praticamente dobrar a arrecadação mensal. De acordo com dados da Fazenda Estadual, o repasse de tributos como o ICMS rende ao município R$ 168 mil por mês. Do Fundo de Participação dos Municípios chegam mais R$ 448 mil. “Vai dar para investir bastante na geração de emprego, renda e qualificação da nossa população”, avalia o prefeito.