ALOÍSIO PONTES O crescimento do comércio varejista baiano demonstra que o setor já superou os impactos da crise econômica internacional. O segmento acumula uma expansão de 6,0% no volume de vendas nos primeiros dez meses do ano (janeiro a outubro), em relação a igual período de 2008, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), realizada pelo IBGE e analisada pela SEI. Na avaliação do Coordenador de Acompanhamento Conjuntural da SEI, Luiz Mário Vieira, o crescimento do comércio em 2009 deve ficar entre 6,0 e 6,5% no estado. No acumulado dos últimos 12 meses, o incremento foi de 5,9%. “A taxa apurada em outubro deixa claro que os impactos da crise econômica internacional foram superados. Os reflexos foram mais fortes nos três últimos meses do ano passado e no primeiro trimestre de 2009. Mas, desde os primeiros meses do segundo trimestre deste ano, o setor vem reagindo”, avalia Vieira. Já para o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia, Paulo Motta, os números serão ainda mais significativos. “Os resultados observados nos primeiros 10 dias de dezembro nos deixam seguros de que o crescimento neste mês será de 12% em relação a dezembro do ano passado e devemos encerrar o ano também com uma expansão de 12%, na comparação com 2008”, afirma Motta. O otimismo do setor também aparece nas projeções de geração de empregos temporários e, principalmente, na taxa de efetivação destes profissionais. “Estamos criando 15 mil vagas temporárias neste final de ano e 25% deste contingente de mão-de-obra deve ser efetivado em janeiro. Este ponto é altamente positivo, pois em janeiro deste ano a taxa de efetivação não ultrapassou os 5%”, afirma Motta. O segmento emprega 250 mil pessoas no estado e 85 mil apenas na capital. Os bons resultados do comércio varejista estão ligados aos incentivos oferecidos pelo governo, como a redução do IPI, no caso dos eletrodomésticos, ao crescimento da confiança na estabilidade econômica, à geração de empregos, aumento do rendimento dos trabalhadores, maiores facilidades de acesso ao crédito, à elasticidade dos prazos de parcelamento das compras que hoje chegam a 18 meses. “Também podemos destacar a agressividade dos lojistas e a consequente queda de preços por meio de promoções e o crescimento físico do setor, com a chegada de novas operações, como a ampliação do Shopping Salvador, a inauguração do Shopping Paralela e a entrada da Casas Bahia no estado”, avalia Motta. Outra variante que ainda deverá trazer reflexos positivos para o setor, principalmente na venda de bens duráveis, é a queda na taxa básica anual de juros (Selic). A taxa que era de 13,75% em setembro de 2008 caiu para 8,75% em setembro deste ano. ALIMENTOS Dentre as oito atividades que compõem o indicador do comércio varejista, o segmento Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo é o de maior representatividade do setor. Por isto, os crescimentos de 10,7% registrado em outubro e de 8,5% no acumulado entre janeiro e outubro são considerados decisivos para os bons resultados do comércio, fruto do aumento de poder de compra da população, sobretudo de baixa renda, da estabilização dos preços dos alimentos e das constantes promoções das grandes redes. O setor poderá ainda ampliar o crescimento com as vendas de final de ano. Nos segmentos que não compõem o indicador do varejo, o de Veículos, motocicletas, partes e peças teve expansão de 12,5% em outubro, acumulando uma taxa de 8,1% ano, favorecido pela desoneração tributária do IPI para os automóveis e pela redução das taxas de juros que tornou os financiamentos mais atrativos. Já as vendas de Material de Construção, apesar de apresentar taxa positiva em outubro (3,6%) mantém desempenho negativo no ano (-5,7%). Vale destacar que as grandes obras do mercado imobiliário e de infraestrutura não são do âmbito do varejo. |
Cresce o comércio varejista
21/12/2009