Veracel investirá R$ 6 bilhões em nova fábrica

21/12/2009












MÁRIO BITTENCOURT Eunápolis


Após ter sido afetada pela crise financeira internacional e forçada a demitir 70 operários devido à queda da demanda e a redução do preço dacelulose nomercadointernacional, a empresa Veracel Celulose S.A. – que atua no ramo do plantio do eucalipto em dez municípios do extremo sul da Bahia – planeja a duplicação de sua planta já em 2010. O investimento previsto deverá ficar em torno de R$ 6 bilhões.


Aempresa, cuja fábrica fica em Eunápolis (643 km de Salvador) considera que o pior da crise global já passou. Em nota, ressalta, no entanto, que “ainda faltam evidências claras de recuperação do mercado, retomada de demanda e de preço para superação total das empresas do setor”. Após ter a certeza da recuperação do mercado é que o investimento deverá ser efetivado.


A companhia considera 2009 como um ano que trouxe “experiências amargas” e 2010 como um ano que será diferente coma possibilidade de contratar novos trabalhadores.


A estimativa é que, com a duplicação, sejam gerados 4,2 mil empregos diretos, que, somados aos indiretos totalizarão aproximadamente 12 mil postos de trabalho.


Antes de ser feito o investimento, porém, a empresa espera negociar com o Estado R$ 65 milhões que possui em créditos junto à Secretaria Estadual daFazenda (Sefaz),fruto de isenções fiscais.


A assessoria de comunicação da Sefaz informou que o Estado vem negociando os créditos devidos com empresas do Polo Petroquímico de Camaçari, e com a Veracel não seria diferente. Nenhum dos lados, no entanto, divulgou os termos da negociação.


Produção Cerca de 900 mil toneladas de celulose branqueada de eucalipto podem ser produzidas na atual plantaque a empresa possui e a expectativa é que essa produção dobre, com o novo empreendimento. De acordo com a Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri), de janeiro a novembro deste ano o setor de celulose teve participação de 18,2% nas exportações baianas. No mesmo período do ano passado, as exportações do produto tiveram aumento de 22,8%, gerando ao Estado uma receita de US$ 1,155 bilhão.


Na contra-mão dos ambientalistas, que estimulam a redução do consumode papel no mundo por causa do meio ambiente, a Veracel Celulose justifica a sua duplicação afirmando, com base em dados comparativos, que “existe uma lacuna de consumo no mundo em termos de papel”.


“O consumo mundial médio de papel é de 58 quilos por habitante/ano. Temos países como Estados Unidos, com o consumo de 300 kg/pessoa; Europa na ordem de 250 kg; Brasil 44 kg; América Latina 40 kg; China 40kg”, informa a nota da empresa.


“O consumo de papel está relacionado a alguns indicadores importantes. Um deles é a educação por meio do consumo de cadernos, livros, jornais e revistas. Apesar da informática termudado operfil desse segmento, ela entrou complementarmente e não substituindo a demanda de papel. A outra demanda de papel está associada à qualidadede vidacom oschamado papéis sanitários (papel higiênicos, absorventes, guardanapos e fraldas descartáveis, dentre outros)”, continua a nota da empresa.

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Projetos estão em fase de licenciamento ambiental



Enquanto espera a recuperação do mercado de celulose para fazer a duplicação da sua unidade, a Veracel vai dando seguimento junto ao Instituto do Meio Ambiente (IMA), órgão estadual ligado à Secretaria do Meio Ambiente, aos processos de licenciamento ambiental para as áreas que terão plantio de eucalipto Oprocesso de licenciamento foi protocolado em 2007 e no dia 30 de junho deste ano o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Cepram) aprovou o termo de referência que orientará a elaboração do Estudo de Impactos Ambientais/ Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima).


Estão previstas para janeiro oficinas preparatórias para as audiências públicas.


Oficinas O Estado só libera os licenciamentos para o empreendimento se nessas oficinas as pessoas que moram na região onde aempresa vaise instalar forem favoráveis. O secretário estadual do MeioAmbiente, Juliano Matos, diz que as oficinas são para embasar a população sobre o projeto.


“O que notávamos nas audiências públicas é que as pessoas se manifestavam, mas não tinham um argumento forte. Essas oficinas são uma evolução, pois nenhuma outra gestão estadual tinha feito”, declarou Matos. Sobre supostas irregularidades apontadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) no atual empreendimento, com relação à área de plantio, que já teria passado do permitido emEunápolis – o limite é de 20% da área agricultável do município –, Matos dizqueelas deverão ser regularizadas, caso de fato existam.





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