Tribuna da Bahia - Quais os projetos que estão sendo trazidos para a Bahia? Quantos protocolos de intenção já foram firmados?
James Correia - Em 2009, firmamos mais de 150 protocolos com empresas que querem se instalar na Bahia. A crise econômica mundial fez com que as empresas brecassem seus planos de expansão, mas o cenário começa a ser, de novo, de otimismo. No ano passado, destaco o anúncio da montadora norte-americana Ford, que vai injetar R$ 2,4 bilhões na fábrica de Camaçari; o início da produção de níquel da australiana Mirabela, em Itagibá; a disposição da Braskem em investir R$ 640 milhões em projetos no Polo Industrial de Camaçari; a nova fábrica da Pepsico, em Feira de Santana, representando investimentos de US$ 10 milhões; o anúncio da duplicação da Veracel, em Eunápolis, que significa investimentos de R$ 6 bilhões; e a assinatura de protocolo com a francesa Alstom para construção, na Bahia, de uma fábrica de aerogeradores para energia eólica. O Porto Sul tem investimentos previstos da ordem de R$ 4 bi.
Tribuna - Em relação às reversões de terrenos cedidos a empresas privadas que não se instalaram na Bahia, mas haviam feito a solicitação por meio de protocolo de intenção. Eram 70 terrenos que estavam nesta situação, como está isso?
JC - Estamos revendo cada processo. Todos estão sujeitos à sindicância que instauramos. Não podemos permitir que uma política governamental de incentivo ao desenvolvimento seja desviada de sua verdadeira finalidade. Aqueles que receberam o terreno mas não realizaram o investimento terão que devolvê-lo ao Estado.
Tribuna - E como está o projeto do Porto Sul? O que já está pronto?
JC - A área de implantação já foi direcionada e o novo porto já está inserido no PAC. O Porto Sul é um grande complexo logístico-produtivo no eixo Ilhéus-Itabuna, com porto off shore, novo aeroporto internacional, Zona de Processamento de Exportações e polo industrial, interligado pela Ferrovia Oeste-Leste, que integrará o Sul-Sudoeste da Bahia ao Centro-Oeste brasileiro, fazendo o transporte de grãos e de minérios.
Tribuna - Especula-se nos bastidores que mais uma montadora esteja se mudando para a Bahia. É verdade?
JC - Estamos trabalhando para atrair novas montadoras e empresas integrantes da cadeia automotiva para a Bahia. Temos uma grande produção de pneus (a segunda maior do Brasil), uma grande montadora e dezenas de empresas sistemistas. Estamos em um patamar bastante competitivo, tanto para atração de siderúrgicas e estaleiros navais, quanto para a implantação de novas unidades automotivas.
Tribuna - Qual a quantidade de empregos gerados?
JC - Ainda não é possível quantificar com exatidão, mas a expectativa é que sejam gerados na fase de construção e, depois, na operação, cerca de 10 mil empregos diretos.
Tribuna - No campo da mineração, o que está sendo realizado?
JC - A política mineral adotada pelo Governo da Bahia, através da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração e da CBPM, é a de identificação de oportunidades minerais. As ações do Governo objetivam principalmente a descoberta de novas jazidas, realização de diagnóstico eficaz da sua potencialidade mineral, o desenvolvimento tecnológico e a implantação de infra-estrutura viária e energética de formas a criar condições para atração de investimentos e viabilização dos empreendimentos no setor.
Tribuna - De que forma o setor da mineração pode representar um triunfo para a Bahia?
JC - Vários projetos que se encontram hoje em fase de pesquisa ou de avaliação e de licenciamento ambiental (para início da implantação) deverão em breve concluir suas implantações e iniciar a fase de produção. O nosso objetivo é lançar, em 2010, editais para atrair parcerias da iniciativa privada para realizar estudos sobre 500 jazidas minerais na Bahia.
Tribuna - Qual o panorama da mineração na Bahia?
JC - A Bahia vem apresentando, desde 2007, os maiores números de requerimentos de áreas do país para pesquisa de minerais metálicos, não-metálicos e rochas. O Estado é o quinto produtor brasileiro de bens minerais, possui mais de 350 empresas na área de mineração, é o maior produtor nacional de urânio, cromo, salgema, magnesita, talco e barita. Ocupa o segundo lugar na produção de cobre, grafita e prata e é o terceiro produtor de ouro, rochas ornamentais e gás natural. Em 2009, tivemos o início da produção de níquel da australiana Mirabela, em Itagibá, maior depósito já descoberto nos últimos 12 anos em todo o mundo. Essa mina representa investimentos de US$ 450 milhões, gerando 400 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos.
Tribuna - Quantos empregos gerados?
JC - São gerados, neste segmento, cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos.
Tribuna - Quanto representa o valor total dos investimentos e qual a produção anual?
JC - A produção anual gira em torno de 445 mil T/ano e os investimentos, cerca de 2,5 bi. Segundo dados do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), o setor registrou crescimento próximo de 500% nos últimos dez anos, com valor bruto da produção saltando de US$8,1 para US$45 bilhões.