Um dos maiores desafios ambientais dos tempos modernos é o tratamento e a disposição correta dos efluentes gerados pela atividade humana no ambiente doméstico e no setor industrial. Pressionadas por uma legislação bem mais rígida, que exige a adequação a normas ambientais específicas, as indústrias brasileiras estão fazendo o dever de casa e investindo em operações próprias ou contratando empresas para o tratamento de efluentes.
Na Bahia, um bom exemplo é o Polo Petroquímico de Camaçari.
No local, a Cetrel atende algo em torno de 65 empresas. “Em média tratamos 3800 metros cúbicos por hora , o que dá um volume anual de cerca de 33.300.000 metros cúbicos por ano”, afirma o gerente de Operações, Sérgio Tomich.
Com mais de 30 anos de atuação, a empresa é responsável pelo tratamento e disposição final dos efluentes e resíduos industriais, bem como pelo monitoramento ambiental do complexo industrial e de toda a sua área de influência.
“Os efluentes provenientes das indústrias e dos municípios de Camaçari e Dias D’Ávila são lançados na rede de coleta destes efluentes, onde os mesmos se misturam e são dirigidos à nossa estação central de tratamento”, explica o responsábel Tomich.
TECNOLOGIA O processo de tratamento adota a tecnologia de lodos ativados de aeração prolongada e contínua e o tratamento aeróbio do lodo.
Trata-se de um procedimento que utiliza o oxigênio como principal agente oxidante da matéria orgânica presente nos efluentes que, sob a presença de microorganismos desenvolvidos no próprio processo, fazem o tratamento dos efluentes.
Após este processo, os efluentes são lançados no mar através de emissário submarino. Para tal, são observados também os padrões legislados de qualidade deste tratamento.
Segundo o especialista, o processo de tratamento de efluentes depende muito da sua natureza (origem) e do destino para uso ao qual se propõe após o tratamento.
Ele cita como mais modernos os processos de lodos ativados, digestão anaeróbia, osmose reversa e biorreator à membrana.
Para garantir sempre os melhores processos, a empresa aposta em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias. “Atualmente estamos desenvolvendo tecnologias de controle dos efluentes antes e depois do tratamento, tecnologias para promover redução do consumo de energia elétrica (nosso maior insumo no processo) e o uso de tratamentos anaeróbios do lodo biológico”, diz Tomich.
A empresa também usa processos exclusivos, desenvolvidos internamente.
“Um exemplo é o monitoramento da qualidade do afluente à estação de tratamento através de um equipamento chamado Toximetro, que informa a característica instantânea deste afluente, nos permitindo assim a tomada de decisões”, conclui.
Para o tratamento biológico de efluentes industriais são investigadas planta-piloto e testes de toxicidade e respirometria.
ESGOTO DOMÉSTICO Nesse sentido, a Cetrel desenvolveu três plantas-piloto: a primeira apenas com processos aeróbios, a segunda com processos anaeróbios e a terceira com pro cessos aeróbios-anaeróbios associados.
O principal dano ambiental provocado pelo descarte de efluentes sem tratamento e em locais inadequados é a contaminação de solos, águas subterrâneas, rios e lagos.
Estes danos causam problemas à saúde, elevando os custos com o tratamento de água a ser distribuída à população. O grande impacto ao meio ambiente hoje no Brasil se dá por contaminação proveniente dos esgotos dos centros urbanos. “Com relação às indús trias, diria que esta questão está bem equacionada, pois as mesmas são obrigadas a cumprir as condicionantes estabelecidas em suas licenças de implantação/operação”, avalia o gerente de operações da Cetrel, Sérgio Tomich.
Segundo especialistas ambientais, embora apenas 0,1% do esgoto de origem doméstica ser constituído de impurezas de natureza física, química e biológica, e o restante seja água, o contato com esses efluentes e a sua ingestão são responsáveis por cerca de 80% das doenças e 65% das internações hospitalares.
INSTRUÇÕES Atualmente, apenas 10% do total de esgotos produzidos no país recebem algum tipo de tratamento e os outros 90% são despejados, sem nenhum cuidado, nos solos, rios, córregos e nascentes, constituindo-se na maior fonte de degradação do meio ambiente e de proliferação de doenças.
Uma das principais formas de reduzir estes impactos são as tecnologias de reuso da água, principalmente no ambiente doméstico e nas empresas dos setores não industriais.
O esgoto tratado deve ser reutilizado para fins que exigem qualidade de água não potável, mas sanitariamente segura, tais como, irrigação dos jardins, lavagem de pisos e dos veículos, na descarga dos vasos sanitários, na manutenção paisagística dos lagos e canais com água, na irrigação dos campos agrícolas, pastagens.
As instruções para reuso de água estão entre as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), mas nas áreas domésticas, atitudes simples podem minimizar os impactos ambientais da disposição dos efluentes.