Bahia terá 2º maior estaleiro do país

26/01/2010

Com uma bem-sucedida audiência pública com as populações das comunidades da Bacia do Iguape, realizada na semana passada em Maragogipe, a Bahia deu um passo importante para a construção do Estaleiro do Paraguaçu, na localidade de São Roque do Paraguaçu, no Recôncavo baiano. Um dos maiores investimentos estruturantes para a economia do Estado nos últimos 30 anos, cerca de R$ 2 bilhões, com a perspectiva de gerar 8 mil empregos diretos


Trata-se de um empreendimento totalmente voltado para a produção de plataformas de petróleo. Em uma área de 3 milhões de m2, quando estiver operando a plena capacidade, o estaleiro poderá processar 70 mil toneladas de aço por ano. Fará parte do complexo do Paraguaçu, sendo a parte mais importante na formação de um dos maiores parques navais do país, juntamente com o canteiro da Petrobras que já existe em São Roque e o canteiro de módulos de Aratu, destinado à montagem de equipamentos para as plataformas, em uma área de 100 mil m2, que ainda será construído.


Com o estaleiro instalado ao lado do canteiro já em funcionamento, terá toda a estrutura de diques secos e com a infraestrutura industrial necessária para fornecer qualquer tipo de plataforma petrolífera, inclusive para exploração em águas profundas do pré-sal. No terreno de 3 milhões de m2, destinado ao estaleiro, apenas uma parte será de operação, outra parte pode ser usada para medidas de compensação ambiental


De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração, esta obra foi garantida pelo presidente Lula em novembro do ano passado, quando anunciou os investimentos da Ford na fábrica de Camaçari. Na ocasião, o presidente falou que seria o segundo grande estaleiro a ser construído no Brasil, pois o primeiro é em Pernambuco.


Para acelerar os procedimentos legais, o Governo da Bahia, através da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic), requereu o licenciamento ambiental da área e criou, em setembro de 2009, a Secretaria Extraordinária da Indústria Naval e Portuária (Seinp), vinculada administrativamente à Secretaria da Indústria Comércio e Mineração.


O projeto envolve um consórcio formado em outubro de 2009 pelas construtoras baianas Odebrecht e OAS e pela carioca UTC Engenharia. O estudo e relatório de impacto ambiental (EIA-RIMA) ficou pronto em dezembro e, na semana passada, o projeto foi submetido à sua primeira audiência pública, recebendo o apoio irrestrito das populações das comunidades da Bacia do Iguape.


Na rota da exploração do pré-sal


Para o secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, que participou da audiência pública em Maragogipe, a existência do canteiro da Petrobras em São Roque do Paraguaçu, desde os anos 1970, vai facilitar a licença ambiental. “Não é uma atividade nova na região. Só que será mais ampliada, oferecendo empregos para uma população que não tem onde trabalhar. Ouvi o depoimento de um pescador que disse que não quer para os filhos a mesma vida que ele teve, de ter que acordar às duas da manhã para botar o barco no mar”, diz Correia.


O secretário de Indústria Naval e Portuária, Roberto Benjamin, descreve o complexo do Paraguaçu como um triângulo. “Ele é formado pelo estaleiro - a parte mais importante do parque naval; o canteiro da Petrobras, que já existe em São Roque; e pelo canteiro de módulos de Aratu, destinado à montagem de equipamentos para as plataformas, em uma área de 100 mil m2. Em fevereiro, vamos anunciar o grupo que vai ser responsável por este canteiro “, explica Benjamin.


No canteiro da Petrobras em São Roque do Paraguaçu, administrado pelo consórcio Odebrecht/Queiroz Galvão/UTC, estão sendo construídas as plataformas P-59 e P-60, avaliadas em US$ 700 milhões. As plataformas devem ficar prontas entre 2011 e 2012 - no momento, estão com cerca de 30% da obra executada.


“Foi essa encomenda que abriu as portas da Bahia para o Estaleiro do Estuário de Paraguaçu. O governador Wagner não está medindo esforços para garantir o estaleiro e, assim, colocar a Bahia na rota da exploração em águas profundas do pré-sal, produzindo as plataformas e equipamentos petrolíferos necessários”, diz James Correia.

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