Fabricação de conversores digitais para recepção de sinais de TV aberta, com perspectiva de serem comercializados pela metade do preço de mercado, produção de medicamento efervescente à base de cálcio e vitamina C, hoje importado no Brasil, e de novos fármacos a partir da peçonha de animais do semiárido.
E tem mais: o desenvolvimento de um fio de polietileno de ultra-alto peso molecular, mais leve e mais resistente, para substituir o cabo de aço na ancoragem de plataformas que vão produzir no pré-sal, e também robôs programados para realizar trabalhos perigosos e em locais de difícil acesso, como a exploração de petróleo no fundo do mar e o desmonte de bombas e minas.
Esses e outros projetos estão sendo apoiados pelo Programa Estadual de Incentivo à Inovação Tecnológica (Inovatec).
Trata-se de um fundo instituído pelo governo da Bahia, em 2005, e regulamentado em 2007, com o objetivo de promover o desenvolvimento da economia do estado com investimentos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.
Soluções – Sob a coordenação da Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), o programa dispõe de R$ 15 milhões, por ano, para investimentos no setor de inovação.
Os recursos estão disponíveis, mas cabe aos empresários apresentarem propostas que agreguem soluções efetivamente inovadoras para alavancar o desenvolvimento sustentável da Bahia.
"O programa necessita de bons projetos que fomentem a base tecnológica do estado e que sirvam como arcabouço para o Parque Tecnológico. Já sentimos resultados muito positivos, como a motivação do empresariado. Isso é percebido a cada reunião do conselho, com a quantidade de propostas cada vez maior", afirmou o presidente da secretaria executiva do Inovatec, Robério Ronald.
Cabe aos empresários apresentarem propostas que agreguem soluções para alavancar o desenvolvimento sustentável no estado
Parque –- O principal foco do Inovatec é o investimento em máquinas, equipamentos e instrumentos que potencializem a produção científica e tecnológica. Este é um dos instrumentos que servirão para alavancar o Parque Tecnológico, mas vai muito além na ampliação da base tecnológica do estado.
A maior parte dos recursos provém do Fundo de Investimento Econômico e Social da Bahia (Fies), mas pode haver investimentos da Desenbahia e outros parceiros devem se integrar ao programa.
Apoiar ações inovadoras facilita o surgimento de produtos e processos que contribuem na geração de emprego e renda e no aumento da arrecadação, formando um círculo virtuoso.
Os empreendedores que tenham interesse em participar encontram todas as ferramentas para a submissão na internet, no site www.secti.ba.gov.br, no link Inovatec.
Cinco projetos podem gerar recursos e patentes para o Estado
Na última reunião do Conselho Deliberativo do Inovatec, no início de dezembro passado, foram aprovados cinco projetos com alto potencial inovador, num investimento de R$ 10 milhões, contemplando áreas diversas do conhecimento, e podem gerar muitos recursos e patentes para a Bahia.
Para o Instituto Federal Tecnológico da Bahia (Ifba, antigo Cefet), por exemplo, serão liberados R$ 1,4 milhão para implantar o laboratório de dispositivos orientados por treinamento, parte do Polo de Robótica Emergente da Bahia.
Já a Natulab Laboratórios, de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo, obteve R$ 450 mil para a produção de um medicamento efervescente à base de cálcio e vitamina C, um novo produto para o Brasil. Atualmente, esse tipo de medicamento é comercializado no Brasil por uma empresa multinacional, que o importa da França.
Para o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Natulab, Olavo Souza Rodrigues, a média de tempo para que um novo medicamento cumpra as etapas de ensaios e testes até chegar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 18 a 24 meses. Ele observou que a intenção é oferecer um produto mais barato do que o atual.
Segundo Rodrigues, o apoio do Inovatec e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), que mantém um programa de bolsas para pesquisas com a Natulab, é fundamental para um setor que exige muito investimento em pesquisa e desenvolvimento, como a indústria farmacêutica, sobretudo para aquelas distantes dos grandes centros industriais. Hoje, a Natulab produz similares, genéricos e fitoterápicos.
O maior projeto contemplado este ano pelo Inovatec foi apresentado pela empresa Ideom. São quase R$ 6,3 milhões para desenvolver no Polo Petroquímico de Camaçari o Fio de Utec, em busca de uma solução única no mundo para um fio de polietileno de ultralato peso molecular.
Esse fio reúne as propriedades ideais para a fabricação de cabos para ancoragem de plataformas de produção de petróleo na camada pré-sal.
Instalada em Ilhéus, no sul da Bahia, a empresa Nortcom teve aprovados cerca de R$ 1 milhão para buscar tecnologia que reduza à metade o custo de conversores para a TV digital. A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) receberá do Inovatec R$ 1 milhão para iniciar um ambicioso projeto de pesquisa do potencial das moléculas do veneno de animais do semiárido baiano.