Porto construído há 13 anos poderá entrar em operação

01/03/2010

CRISTINA LAURA

Juazeiro


Construído há 13 anos com investimento de R$ 5 milhões e sem nunca ter entrado em atividade, o Porto de Juazeiro, localizado há pouco mais de 10 km da cidade e distante 500 km de Salvador, pode finalmente funcionar a partir deste ano. O prefeito Isaac Carvalho (PCdoB) conseguiu R$ 8 milhões do governo estadual e promete reativar o terminal portuário. Os recursos obtidos até agora, de acordo com a prefeitura, não permitem a conclusão de todo o projeto, mas são o suficiente para iniciar o funcionamento do terminal.


Criado às margens do Rio São Francisco para impulsionar o transporte fluvial, sobretudo o escoamento de grãos entre municípios como Barreiras e Ibotirama, Juazeiro e Petrolina (PE), o porto está sucateado. O mato cobre boa parte da área, há equipamentos enferrujados e quebrados, muitos materiais foram roubados, a exemplo dos trilhos da base do guincho que movimentaria os contêineres.


A proposta de reativação do porto foi levada pela prefeitura ao governo do Estado e trouxe a Juazeiro o secretário Extraordinário da Indústria Naval e Portuária (Seinp) da Bahia, Roberto Benjamin, que se reuniu com o prefeito, deputados, empresários e representantes regionais da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic).


Benjamin disse ser interesse do governo estadual colocar o porto em funcionamento pela importância econômica do município. “O funcionamento do porto não depende apenas do Estado ou da secretaria, pois não temos dotação orçamentária, mas de uma força maior que envolve todos, políticos, empresários, iniciativa privada, governo do Estado e federal”, esclareceu Benjamin.


O assessor de Planejamento e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Juazeiro, Carlos Neiva, afirma que está em análise uma Parceria Público-Privada (PPP) para o projeto da Plataforma Logística Multimodal, que prevê construção de estrutura com 800 mil/m².


“A plataforma vai abrigar terminais hidroviário e ferroviário, centro logístico de granéis, porto-seco e contêiner, plataforma logística de distribuição, centro frutícola de distribuição, centro de serviços integrados, centro de trânsito e desembaraço aduaneiro”, informa.


Apesar de afirmar já ter garantida a verba para a reativação do porto, o assessor Carlos Neiva diz que não existe um cronograma ou data determinada para início das obras, nem arrisca estimativa.


Carlos Neiva afirma que “depende do lançamento de edital para licitação”. A assessoria da Secretaria Extraordinária da Indústria Naval e Portuária (Seinp) não precisou a data para lançamento do edital.


Projeto O porto fluvial foi projetado para interligar os municípios que estão à margem do Lago de Sobradinho, servindo como corredor para o transporte de grãos e frutas. A ideia era criar o Centro de Logística Integrada, com sistema ferroviário e prevendo ainda a construção de dois terminais de balsas nos municípios de Remanso e Sento Sé.


A única empresa que transporta regularmente produtos pela hidrovia do São Francisco atualmente é a Icofort Agroindustrial. Seus representantes aguardam com ansiedade a reativação do Porto de Juazeiro. Atualmente, as mercadorias chegam ao porto da vizinha cidade de Petrolina e seguem por terra, atravessando a Ponte Presidente Dutra até chegar à empresa, que fica no Distrito Industrial de Juazeiro.


Segundo o gerente industrial José Luiz Nicolau, o transporte feito pela hidrovia é viável também porque tira das estradas pelo menos 150 carretas.


“A reativação do porto vai melhorar o nosso modal constituído de rodovia e hidrovia”, explica Nicolau.


Para Malan Cardoso, presidente da União das Associações do Vale do Salitre, que congrega 600 famílias de agricultores, o porto deve beneficiar os pequenos produtores por abrir mais o leque de comercialização dos produtos, hoje realizada no Mercado do Produtor. “Os atravessadores não iriam intervir tanto nas negociações, já que poderíamos vender nossos produtos diretamente”, ressalta Cardoso.


150 carretas devem deixar de fazer o transporte de cargas com a ativação do porto de Juazeiro, o que causará impactos como a redução das emissões de gases de efeito estufa.

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